sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A política dos Governadores

Para sustentar a dominação política e oligárquica das elites na República Velha havia uma estrutura bem arquitetada chamada Política dos Governadores que garantia o controle do poder.



E como é que as outras oligarquias do país encaravam o fato de haver um esquema para que o presidente da República fosse sempre indicado por Minas e São Paulo,alternadamente? Os outros estados aceitavam a   política do Café com Leite?

Aceitavam,porque eram mais fracos e estavam integrados a um esquema chamado Política dos Governadores.Esse esquema foi montado pelo presidente Campos Salles (que governou de 1898 a 1902) com o objetivo de garantir a colaboração entre o poder central e o poder dos estados.

Como é que funcionava? A Política dos Governadores era uma espécie de acordo nacional entre todas as oligarquias estaduais.O presidente da República nem queria saber qual era a oligarquia que estava dominando cada estado.Ele simplesmente apoiava  essa oligarquia e pronto.Em troca,esperava que as oligarquias dos estados também o apoiassem.Um jogo de toma-lá-dá-cá,percebeu? Havia um apoio mútuo entre o presidente e os governos estaduais.No Congresso Nacional,os deputados e os senadores (que tinham sido eleitos representando as oligarquias) estavam prontos para colaborar com o presidente da República. 

Quem exercia de fato o poder local e regional no início da história republicana brasileira eram os coronéis. Estes eram os grandes proprietários de terra ou os comerciantes enriquecidos que exerciam seu poder sobre a grande camada da população composta de trabalhadores carentes e analfabetos. Na ocasião das eleições ocorria o que era chamado de Voto de Cabresto. Naquele momento o voto não era algo secreto e acabava que na prática também não resultava em algo livre, eram os coronéis, que em acordo com os governadores, decidiam em quem seus comandados iriam votar.

Desta forma havia o completo controle do curral eleitoral, sendo que a via autoritária dos coronéis estava ligada ao fator violência, causando medo nos trabalhadores ou a preocupação de perderem suas fontes de sustento.


Os coronéis exerciam o seu poder e faziam seus acordos com os governadores em troco de mais poder e prestígio. Os governadores, por sua vez, ao apoiarem os coronéis em seus poderes locais ganhavam em troco a eleição do candidato escolhido por eles, perfazendo uma troca de favores completa.

Dando continuidade ao grande esquema, os governadores se organizavam através dos acordos que davam sustento ao Governo Federal. Como os governadores eram indicados pelo Governo Federal, mais uma vez ocorria a troca de favores e a perpetuação da exclusão política dos indesejáveis.

Então, a grande estrutura armada ia desde o coronel em seus currais eleitorais até o Governo Central. Perfazendo um jogo marcado a todo o momento pela troca de favores, a política permanecia nas mãos dos membros de uma oligarquia. Dois elementos eram fundamentais para evitar qualquer falha no sistema: o Coronelismo e Comissão de Verificação. O primeiro era o que controlava o voto dos eleitores diretamente. Já a Comissão de Verificação tratava-se de uma ferramenta extra que analisava todos os candidatos eleitos fazendo uma triagem fraudulenta de todos aqueles que eram indesejáveis. Se de algum modo um candidato de oposição fosse eleito, essa comissão tinha seus meios para embargar sua posse.

Assim, o presidente tinha total apoio nas bancadas do Congresso, uma vez que o Governo Federal respeitava as decisões dos partidos dominantes de cada estado e estes permitiam o poder do coronel em suas regiões.



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