sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O apogeu da borracha na Amazônia

Esta é a filha da Amazônia brasileira.A humanidade devia render homenagens a seringueira.Ela fornece uma goma que,por sua importância,figura ao lado do aço e do petróleo.E ainda protege a flora,a fauna e os mananciais.


A seringueira é uma árvore natural da Amazônia.Nem precisa plantar,se acha fácil na floresta.Fazendo uns talhos no tronco,o seringueiro extrai um líquido leitoso grudento.Esse líquido vai secando e formando uma bola macia.A bola é a matéria-prima para fazer borracha.


A borracha já era conhecida no século XIX.Mas ela tinha o defeito de ficar mole nos dias de calor e quebradiça no inverno.Até que,em 1839,depois de 5 anos de pesquisas,o engenheiro americano Charles Goodyear  descobriu que dava para resolver esse problema colocando a borracha no fogo para se combinar com enxofre (processo de vulcanização).A partir daí ,a borracha destacou-se na indústria mundial:era matéria-prima para a produção de peças,solas de sapato,pisos e coberturas,luvas,vedações e etc.No começo do século XX,a indústria automobilística começou  a se desenvolver espetacularmente.Os pneus dos carros são feitos de borracha. Adivinhe onde é que o mundo vinha pegar a matéria-prima para fazer a borracha? No Brasil,na Amazônia.

Entre 1890 e 1920,a borracha foi o segundo produto de exportação do Brasil.Só perdendo para o café.Muitos latifundiários,donos de seringais,ficaram milionários.Manaus e Belém construíram belíssimos palacetes para esses barões da borracha.Homens tão ricos que,só para aparecer,mandavam lavar as roupas em Paris.Acendiam charuto queimando uma nota de 100 libras esterlinas.Na selva,porém,era diferente.Lá,trabalhavam os seringueiros.Geralmente,nordestinos fugidos do latifúndio e da caatinga seca para reencontrar o latifúndio na selva úmida.Calor equatorial,picadas de cobra,malária,trabalho infernal em troca de mixaria.Será sempre assim em nossa história? Riqueza de uns poucos e miséria de muitos?

Durante alguns anos,a borracha brasileira dominava o mercado internacional.Até que os ingleses começaram a produzi-la em suas colônias na Ásia.O preço internacional caiu ( em 1916,200 casas comerciais faliram em Manaus) e a borracha brasileira perdeu seus mercados.Os seringais foram abandonados e a Amazônia voltou a miséria



Teatro Amazonas,inaugurado em 1896,Recebeu grandes artistas da época.Esse teatro testemunhou uma época em que a riqueza da borracha sustentou uma orgulhosa elite local.
Parece uma cena do filme Titanic,mas isso é uma cena real e ocorreu no porto de Manaus em 1920,a elite local abandonava a cidade que se afundava cada vez mais em dividas e no esquecimento.
















3 comentários:

  1. a fotografia do cais da Manáos Harbour Ltd. foi feita no ano de 1913 e faz parte da edição Impressões do Brazil no Seculo Vinte. A obra foi impressa na Inglaterra por Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd., com 1.080 páginas, mantida no Arquivo Histórico de Cubatão/SP. A obra teve como diretor principal Reginald Lloyd, participando os editores ingleses W. Feldwick (Londres) e L. T. Delaney (Rio de Janeiro); o editor brasileiro Joaquim Eulalio e o historiador londrino Arnold Wright. É Ricamente ilustrado (não é identificado os autores das imagens na dita obra).

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  2. Com o advento do "débâcle" da economia baseada na borracha no segundo semestre do ano de 1910/1930 e com a concorrência externa que agem contra a produção estadual é que aos poucos começam a advir as consequências da queda dos preços no mercado internacional nos anos posteriores. O kilo da borracha que era cotado em abril de 1910 ao preço de 17$000 passa a ser pago em 1915 a cotação de 3$000/4$000 o crise. Se os seringalistas recebiam cerca de 7$000/8$000 (descontados as taxas etc) em 1910, em 1914/1915 mal recebiam 2$000 o kilo no "pé da árvore". Muitos perderam tudo para seus credores, desde o exportador, aviadores, seringalistas, seringueiros todos viram seus sonhos de monopólios ruirem naquele periodo, levando milhares deles a debandarem para suas pátrias de origem na Europa, nas Américas, e outros tantos voltaram para suas cidades de origem nas outras regiões do Brasil.E nessa sequencia vem o desencadear da perda de arrecadação estadual, falências das casas comerciais, abandono de propriedades, casas, lares, serviços públicos decadentes e ineficientes, atraso no pagamento dos funcionarios públicos, falência dos serviços, deficiência nas comunicações, e aos poucos a crise domina todas as áreas tornando a vida na capital e no interior uma aflição e com isso crise por cima de crise - transportes maritimos na falência, transportes regionais, fornecedores que debandavam, familias inteiras que deixavam tudo para tras nas mãos de advogados, representantes para saldar dividas e o porto virou o portão de saída do pesadelo do Ouro Branco!Coisas estas pouco faladas ou lembradas mesmo pelos manauaras!

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  3. Se havia elite eram poucos o que haviam eram prosperos negociantes que seguiam aos ditames da moda da época e o lazer era uma parte sagrada das sociedades civilizadas daquele periodo como soi ser os da atualidade. A casta de intelectuais eram poucos mas não raros e diginificaram o estado dentro daqueles parametros citadinos da época. Lazer, benemerência, cultura, sempre andam juntas com a civilização e aqueles homens e mulheres fizeram o que era possivel numa região inóspita e distante dos grandes centros como os moradores atuais fazem e se esforçam para fazê-los e com dignidade como nenhum outro! Quanto aos políticos a história dessa escória é outro capitulo amargo à parte!

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