quarta-feira, 10 de abril de 2013

A economia brasileira na Primeira República: Os lucros do Café e a Transformação da Economia

No início da República,a principal atividade econômica brasileira era a agricultura.A economia nacional era quase inteiramente voltada para a exportação de gêneros agrícolas.Um único produto,o café,representava mais de dois terços do valor das exportações brasileiras.



Acredita-se que o café tenha sido introduzido no Brasil durante o século XVIII, período em que o produto já alcançara grande popularidade na Europa. As primeiras plantações do gênero foram registradas no Rio de Janeiro, por volta de 1760. De fato, ao longo do século XIX e início do século XX, o café se transformou no principal produto brasileiro vendido no mercado internacional.

A cultura do café trouxe prosperidade a economia brasileira,apesar de boa parte dos lucros obtidos com o produto ser destinada ao exterior,pois as importações eram bastante elevadas.



Mesmo assim,grande parte da riqueza permanecia no país.Essa riqueza era usada pelos cafeicultores para pagar as despesas com a lavoura,o salário dos trabalhadores e o transporte do café para os portos,bem como os gastos de suas famílias com alimentação,moradia e outros,como restaurantes,bares,barbearias,casas de moda,teatro e etc.O fato é que diversos outros negócios giravam em torno da economia cafeeira.


Os fazendeiros investiam em outros ramos de negócio além da produção de café,como bancos, construção de ferrovias e instalação de fábricas.Algumas vezes,o investidor nacional concorria com os capitalistas estrangeiros;outras vezes,agia em sociedade com eles.

(Homens,mulheres e crianças:operários da Tecelagem Crespi,fundada em 1897 pelo italiano Rodolfo Crespi,em São Paulo)

Com o aumento do número de fábricas,diversos setores da economia também se desenvolveram.Nas regiões onde se produzia café,parecia que se vivia uma época de ouro.Porém,a economia brasileira era extremamente instável.Não se podia ter certeza se as colheitas seriam boas e os preços do café oscilavam constantemente.Com isso,a economia ficava exposta a crises frequentes.

(Estação da Luz,São Paulo,início do século XX)

Quando Deodoro destronou D.Pedro II,o consumo mundial do café era bastante alto,sobretudo do café brasileiro.Observe no quadro a seguir que,desde o início da República,a economia era inteiramente dependente do café.


Estimulados pela elevação constante do consumo do café no exterior,os fazendeiros ampliaram a produção,até que a quantidade produzida tornou-se maior do que o mercado poderia comprar.Isso trouxe graves problemas para toda a economia.

Com grande quantidade de café a venda,os preços caíram rapidamente.Em 1893,uma saca do produto valia 4,09 libras; em 1899,o preço caiu para 1,48 libras.

A diminuição do preço do café tinha muitas consequências negativas.Uma das mais graves era a redução da quantidade de dinheiro estrangeiro que o país recebia pelas exportações.Com poucos dólares e libras,o governo não podia continuar pagando a dívida externa do país.Isso obrigou a pedir aos credores a suspensão temporária dos pagamentos.

(Bolsa de Santos,símbolo de poder dos barões do café)


Estocar para Valorizar o Produto


A superprodução era uma ameaça que pairava constantemente sobre a lavoura cafeeira.Uma nova supersafra,que poderia causar nova queda dos preços,estava prevista para o início de 1906.Os governadores dos estados de São Paulo,Minas Gerais e Rio de Janeiro,os maiores produtores de café,reuniram-se na cidade paulista de Taubaté para encontra uma solução para o problema.

Os governadores chegaram a um acordo que ficou conhecido como Convênio de Taubaté,que deu início a Política de Valorização do Café.Em resumo,o acordo era o seguinte: quando o preço do produto estivesse baixo,o governo compraria uma certa quantidade de café e a deixaria estocada.Quando os preços melhorassem,o produto estocado seria vendido.














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