domingo, 14 de julho de 2013

A Revolução Francesa

Entre 1789 e 1791, as instituições políticas e sociais que caracterizavam a França no século anterior foram derrubadas. Em 1792, a França tornou-se uma República e, entre 1793 e 1794, atravessou uma ditadura revolucionária (o "período do terror"). Seguiu-se uma reação, culminando com a ditadura militar de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Com a queda da república, muitas das instituições e práticas da França pré-revolucionária foram restabelecidas. Após a derrota final de Napoleão, em 1815, restaurou-se a dinastia Bourbon.

 

  
Execução de Luís XVI.

A França do Antigo Regime 

O sistema político e social anterior à Revolução - era uma monarquia absoluta e centralizada governada por Luís XVI (1774-92). A maioria dos impostos era paga pela desprivilegiada classe pobre urbana e pelos camponeses. Plebeus ricos (os burgueses), mesmo tendo privilégios, tinham menos direitos legais e sociais que a aristocracia. Alguns nobres e burgueses concordavam que o mérito deveria ser a base da condição social e criticavam o absolutismo real e a corrupção da corte.


O Estopim da Revolução

O estopim da revolução foi a falência do governo após intervir na Guerra Americana pela Independência (1775-1883) e uma recessão comercial que coincidiu com a quebra da safra. Em um período de crescente descontentamento entre a população, Luís XVI foi obrigado a convocar os Estados Gerais para votarem uma reforma do sistema tributário e redução de privilégios. O Terceiro Estado dos Estados Gerais reuniu-se em uma Assembléia Nacional para garantir a reforma. Luís enviou tropas para Paris e Versalhes. A 14 de julho, temendo um ataque contra Paris e a Assembléia, os parisienses tomaram a Bastilha (prisão e fortaleza real) para conseguir armas. Um conselho Municipal independente e a Guarda Nacional foram criados em Paris e em outras cidades. Sem o apoio do exército, que estava dividido, a autoridade real ruiu e a Assembléia sobreviveu.


Queda da Bastilha, 1789.

Após várias revoltas camponesas, a Assembléia aboliu os privilégios feudais e garantiu os direitos naturais do homem através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Todos os homens seriam livres e iguais, igualmente passíveis de tributos, e a autoridade real derivaria do desejo do povo.


DDHC, 1789.

A Assembléia preparou um governo constitucional "moderno", em que o poder legislativo pertenceria a uma assembléia eleita e o governo local e o sistema legal foram completamente reorganizados. A tolerância religiosa a protestantes e judeus terminou com os privilégios da Igreja Católica, que teve suas terras confiscadas e vendidas para cobrir o débito nacional.


Simultaneamente, implantava-se no país um sistema tributário mais justo. Após uma tentativa fracassada de fugir do país em 1791, Luís XVI foi obrigado a aprovar a nova constituição. No final de 1791, a Revolução acabou com a monarquia absoluta e transformou a sociedade francesa. Em 1792, forças estrangeiras invadiram a França, levantando suspeitas de golpes contra a Revolução. Milhares de suspeitos de traição foram massacrados nas prisões parisienses e a França foi declarada uma República. Em 1793, Luís XVI e Maria Antonieta foram julgados por traição e guilhotinados.



O Período do Terror

Guilhotina.

A Revolução não obteve apoio unânime. Em 1793, houve revoltas em Vendéia, Normandia e no Sul.Frente à guerra civil e estrangeira,algumas pessoas buscavam uma ditadura revolucionária. Isso foi sugerido pelos jacobinos em meados de 1793. Poderes praticamente ditatoriais foram assumidos pelo Comitê de Salvação Pública, cujo membro mais importante era Maximiliano Robespierre (1758-1794). O Comitê iniciou um "Período de Terror", tendo como alvo contra-revolucionários suspeitos. Cerca de 300.000 pessoas foram presas e 17.000, executadas.

No começo de 1794, o Terror aumentou consideravelmente. A guilhotina funcionava sem parar. Com a ameaça de morte pairando sobre todos, deputados moderados da Convenção Nacional tramaram a prisão de Robespierre e seus colaboradores mais próximos. No dia 28 de julho de 1794, deram aos ilustres prisioneiros o mesmo destino que estes haviam dado ao rei Luís 16: a guilhotina. Estabeleceu-se um novo regime,um grupo de cinco pessoas conhecido como Diretório.

Execução de Robespierre, 1794.

O Terror acabou, o clube jacobino foi fechado e a comuna de Paris, abolida. A democrática constituição de 1793 foi substituída. A massa parisiense não aprovou tais movimentos, mas estava impotente contra o exército que apoiava o Diretório. Frequentes intervenções militares na política culminaram em um golpe a 8 de novembro de 1799, levando o general Napoleão Bonaparte ao poder. Em 1800, Bonaparte tornou-se Cônsul e, em 1804, Imperador Napoleão I, encerrando assim a Primeira República. Sua ditadura militar testemunhou a restauração do controle central de um governo local, o fim das assembleias representativas e o surgimento de uma nova aristocracia.


O primeiro-cônsul Napoleão cruzando os Alpes no passo de Grande São Bernardo, por Jacques-Louis David, 1800.

A Revolução Francesa foi a primeira revolução considerada "moderna", pois tentou transformar todo um sistema político e social e introduziu modernas noções de democracia, nacionalismo e até mesmo socialismo.



FONTES: ARRUDA A., Jobson de; PILETTI, Nelson. Toda a História. São Paulo: Ática, 1997.

               BOMENY, Helena; MEDEIROS, Bianca Freire. Tempos modernos, tempos de Sociologia. Rio de Janeiro: Editora do Brasil, 2010.


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