terça-feira, 23 de julho de 2013

João Coelho de Miranda Leão (1869 - 1920)


(João Coelho de Miranda Leão)



João Coelho de Miranda Leão nasceu no município de Maués,antiga Luzéa,em 9 de janeiro de 1869,foram seus pais o capitão Rodrigo José Coelho de Miranda Leão e dona Olímpia Monteiro da Costa Leão.Destacou-se como sanitarista no combate de duas doenças que vitimaram centenas de pessoas em Manaus: a febre amarela e a gripe espanhola.


Miranda Leão iniciou o curso de medicina na Bahia,mas concluiu na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro,em 1899.A tese de conclusão tinha por tema "Secções cirúrgicas dos tendões e suas indicações".





(Aspecto da cidade de Manaus no início do século passado)




Ao chegar em Manaus,o médico assumiu o cargo de inspetor sanitário do Serviço Sanitário do Estado,sendo colaborador do sanitarista Alfredo da Matta.No ano de 1913,Leão tornou-se diretor do Serviço Sanitário e liderou o combate da febre amarela em Manaus,doença que foi extinta em dezembro do mesmo ano.O médico,desde 1909,já tinha apresentado um plano de combate a doença em Manaus.


Em outubro de 1918,Miranda Leão engajou-se na luta contra a gripe espanhola no Amazonas,preparando medidas preventivas contra a pandemia.A gripe atingiu quase 9 mil pessoas de 24 de outubro a 31 de dezembro de 1918,no Amazonas,sendo que 796 vieram a falecer.No primeiro trimestre de 1919 houve ainda 76 óbitos.



O médico deixou publicações sobre as verminoses no Amazonas e a sua terapêutica,sobre o plantio da seringueira e de alimentos da região,profilaxia da varíola,do tifo e da gripe.



No campo da política,foi superintendente do Município de Manaus e era afiliado ao Partido Republicano Amazonense.O médico também participou da fundação de instituições no Estado como a sociedade de Eugênia,o Instituto Geográfico Histórico do Amazonas,sociedade de Medicina e Cirurgia do Amazonas e Sociedade Amazonense de Agricultura.Foi membro também do Clube da Seringueira,que tinha como objetivo discutir e difundir os melhores cultivos da seringueira no Estado.O médico,que cometeu suicídio no dia 26 de junho de 1920,foi um exemplo de que a ciência e a política não são necessariamente excludentes.





A Rua


A rua Miranda Leão – que se inicia na Rua Marquês de Santa Cruz e termina no igarapé de Educandos – recebeu essa nomenclatura em 1920.



A Homenagem a Miranda Leão foi fruto de um projeto de lei criado pelo Intendente Dr.Fulgêncio Martins Vidal em 1920.


“Apresentando este projeto, devo uma explicação aos meus pares, bem assim ao povo deste Município. Proponho a mudança do nome da antiga Rua dos Remédios depois Marechal Hermes, para o nome do pranteado Dr. Miranda Leão, porque o nome do nosso estimado patrício e ínclito Marechal do nosso glorioso Exército já se acham assinalado em belo Grupo Escolar, sendo esta a razão porque pensei em substituir o nome da referida rua, sem querer de modo nenhum trazer a menor desconsideração ao nosso ilustrado Marechal”.
O projeto foi aprovado na reunião do dia 17 de julho de 1920 passando a ser Lei nº 1040.

FONTE (S): Bittencourt, Agnello. Dicionário amazonense de biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro. Conquista, 1973. Pág. 359-361.
             www.bauvelho.com.br
           Revista Amazonas faz Ciência                                                                   (texto Júlio Cesar  Schweickhardt)                                                                                                                                                                   



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