terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Cidade de Tenochtitlán vista por Hernán Cortez


Tenochtitlán, foi uma das grandes cidades do mundo no século XVI. Ultrapassava facilmente Veneza e Paris. Fundada em 1325, era habitada por mais de 300 mil pessoas. Irei utilizar como base uma parte da carta do espanhol Hernán Cortez, que comandou a conquista da sociedade asteca em 1521. Essa carta, que foi transmitida ao Rei da Espanha, apresenta as impressões de Cortez sobre a cidade, suas características e opulência.

" [Tenochtitlán é uma] cidade tão grande como Sevilha e Córdoba.As ruas principais são muito largas e retas. [...] Tem muitas praças,onde há mercados e pontos de compra e venda. Há uma praça tão grande que corresponde a duas vezes a cidade de Salamanca, com pórticos de entrada, onde há cotidianamente mais de 60 mil almas comprando e vendendo.

Há todos os gêneros de mercadorias, desde joias de ouro, prata e cobre, até galinhas, pombas e papagaios. Há casas como de boticários, onde vendem medicamentos feitos por eles, assim como unguentos e emplastros. Há casas como de barbeiros,onde lavam e raspam as cabeças. [...] Há verduras de todos os tipos, mel de abelha, fios de algodão para tecer, couro de veado, tintas para pintar tecidos e couros, louças de muito boa qualidade, milho em grão ou já transformado em pão de excelente sabor. [...] Há no centro da praça uma casa de audiências, onde estão sempre reunidos dez ou doze juízes para julgar as questões decorrentes de desacertos nas compras e vendas. [...]

Possui esta grande cidade muitas mesquitas [termo impropriamente usado por Cortez para designar os templos astecas] ou casas de seus ídolos, todas de formosos edifícios [...]. Dentro da grande mesquita há três salas onde estão os ídolos principais, todas de maravilhosa grandeza e belos trabalhos em cantarias, madeiramento e figuras esculpidas. Os principais desses ídolos e nos quais eles tinham mais fé eu derrubei de seus assentos e os fiz descer escada abaixo. Fiz também com que limpassem aquelas capelas, pois  estavam cheias de sangue dos sacrifícios que faziam. Em lugar dos ídolos mandei colocar imagens de Nossa Senhora e de outros santos [...] As estátuas desses ídolos  são feitas de sementes e legumes que comem, moídos e amassados com sangue de coração de corpos humanos, os quais arrancam do peito vivo. [...]

As pessoas andam bem-vestidas, com boas maneiras, quase da mesma forma como se vive na Espanha. Nos mercados e lugares públicos há muitas pessoas e especialistas de determinados ofícios que ficam na espera de quem os venha contratar por jornadas.

Cortez, Hernán. A Conquista do México. Porto Alegre: L&PM, 1996. p. 62-6.

No texto é possível identificar aspectos do cotidiano da sociedade asteca, atividades econômicas, urbanização e o planejamento da cidade. O que também fica visível é a destruição de uma cultura, que iniciava lentamente, destruição essa que ocorreu por meio da imposição religiosa e por meio das armas. 

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