sábado, 31 de agosto de 2013

A Revolução Pernambucana (1817)




As dificuldades econômicas do Nordeste e os pesados impostos cobrados pelas autoridades portuguesas à população da colônia,somados às idéias de liberdade e independência que circulavam na Europa e na América,ocasionaram,em 1817,na capitania de Pernambuco,uma nova rebelião colonial.

Diversas vezes,a região havia passado por momentos de confrontação entre interesses locais e externos,a exemplo da Insurreição Pernambucana contra os holandeses e a Guerra dos Mascates entre Olinda e Recife,de 1710 a 1711.Os pernambucanos revoltavam-se agora contra o aumento dos tributos determinados pelo príncipe-regente,D.João,que,com a corte portuguesa,refugiara-se dos franceses,transferindo-se para o Brasil em 1808.

A transferência da sede da monarquia lusa para o Rio de Janeiro promoveu o aumento dos gastos para custear as crescentes despesas da corte e,consequentemente,a elevação dos tributos devidos ao governo português.Isso gerou descontentamento entre os colonos,que,no início do século XIX,enfrentavam difícil situação financeira,pois vendiam produtos cujos preços estavam em baixa no mercado mundial (como o algodão e o açúcar por exemplo).Diante disso,grupos populares e de classe média,entre os quais muitos padres,militares,comerciantes e intelectuais,organizaram-se para libertar o Brasil do domínio português e instalar um regime republicano em Recife.

Entre os revoltosos,destacaram-se o comerciante Domingos José Martins e os padres João Ribeiro e Miguel Joaquim de Almeida e Castro,conhecido como padre Miguelinho,que derrubaram o governador e implantaram um novo governo,decretando a extinção de impostos,a liberdade de imprensa e de religião e a igualdade entre os cidadãos.Chegaram a buscar,sem sucesso,apoio e reconhecimento dos Estados Unidos,Inglaterra e Argentina,ao mesmo tempo que conquistaram a adesão de revoltosos em Alagoas,Paraíba e Rio Grande do Norte.

A Lei Orgânica,publicada pelo governo republicano como se fosse esboço de constituição,destacava a igualdade de direitos e também a garantia de propriedade privada,inclusive de escravos,o que tranquilizava a elite local,mas descontentava alguns de seus líderes mais radicais que defendiam o fim da escravidão.

"De fato,os limites da camada que se propunha dirigente se definiam mais claramente no mundo do trabalho.E,nesse nível,o elemento dominante era composto pela escravaria,a qual se encontrava especialmente inquieta na segunda década do Dezenove.Não deve o observador iludir-se,entretanto,procurando situar a raiz dos conflitos apenas nos segmentos em que se encontrava a mão-de-obra escrava: de outros setores também provinham contestações à ordem estabelecida e,desde logo,pode-se incluir parcela da população livre,composta de mulatos,pretos forros,índios e até mesmo militares de baixa extração..."

(MOTA,Carlos Guilherme.Nordeste 1817.São Paulo,Perspectiva,1972.p.143.)

Contudo,as divergências internas ao movimento e,especialmente,a violenta repressão portuguesa reforçada por tropas vindas da Bahia e do Rio de Janeiro levaram a república nordestina à derrota.Seus participantes foram presos e alguns,mortos em execuções sumárias.

O movimento,que começara em 6 de março de 1817,acabou vencido em 19 de maio do mesmo ano.A ele seguiu-se a devassa que investigou o plano e determinou a execução dos líderes,como o padre Miguelinho,e a prisão de mais de duas centenas de implicados,que só foram soltos graças ao indulto das Cortes de Lisboa de 1821.O fracasso da Insurreição Pernambucana,de 1817,no entanto,deixou profundas raízes na sociedade de Pernambuco,que,anos depois,revoltou-se novamente durante a rebelião de 1824.






Nenhum comentário:

Postar um comentário