domingo, 15 de setembro de 2013

Conde Francesco Matarazzo



Francesco Antonio Matarazzo nasceu em 9 de março de 1854, primogênito de nove irmãos. Era filho do médico e comerciante Costabile (falecido em 1873) com Mariangela. O sobrenome familiar, de origem greco-sarracena, significa “rocha forte”, e o jovem Francesco fazia jus a ele: era musculoso e alto. A calvície prematura o fez optar por raspar os cabelos. Desde o século 14, os Matarazzo viviam na pequena Castellabate, a cerca de 200 quilômetros de Nápoles, às margens do Mediterrâneo. Eram uma família tradicional da cidade, mas sem grande patrimônio.





A unificação da Itália, entre 1861 e 1870, foi o estopim para a emigração em massa dos italianos. A política do governo central incluía substituir a agricultura familiar pela produção em larga escala. Privados de seu modo de vida tradicional, camponeses partiram para buscar trabalho em países como o Brasil. Algumas comunidades foram literalmente partidas ao meio: estima-se que, por volta de 1900, havia 3 mil castellabatenses vivendo na Itália e outro tanto morando em São Paulo.

Ao chegar ao Brasil, aos 27 anos, acompanhado de sua companheira Filomena e de dois filhos, ele já tinha uma década de experiência no comércio. Além disso, trazia consigo economias equivalentes a algo entre 30 mil e 50 mil dólares, em valores atuais – não se fundamenta, portanto, a versão de que Matarazzo teria chegado pobre ao Brasil. Mas o jovem comerciante perdeu boa parte de seu patrimônio logo ao aportar aqui, em dezembro de 1881. No Rio de Janeiro, por um descuido no desembarque, ele viu naufragar duas toneladas de banha de porco que havia trazido da Itália para vender aqui.

Resta-lhe um milhar de liras, quantia apenas razoável, que usa na compra de quatro mulas e alguma mercadoria. Aventura-se como tropeiro comercial, zanzando pelas fazendas da região, tudo vendendo e tudo comprando. Em meados de 1882, abre modesto armazém de secos e molhados em Sorocaba. Comercialização de farinha de trigo, sal, fubá, arroz, feijão e outros alimentos. Especialmente banha de porco. “Abri um botequim, ou venda, como se diz aqui no Brasil. Eu lhe faço notar que não tive jamais, nem procurei ter, o que se chama patrão”, escreve a um amigo.

Em 1890, transferiu-se para São Paulo. Na primeira década do século 20, já havia acumulado um capital considerável que aplicou em atividades industriais e comerciais.

A princípio montou um moinho de trigo, depois tecelagens, indústria metalúrgica, moinhos para a fabricação do sal, refinarias de açúcar, fábricas de óleo e gordura, frigoríficos, fábrica de velas, sabonete e sabão. E mais: centros fabris, usina de sulfureto de carbono e de ácidos, fábrica de fósforos e pregos, de louças e azulejos, usina de cal, destilaria de álcool, fábrica de papel e a primeira destilaria de petróleo de Cubatão.

As Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo (IRFM) chegaram a contar com mais de 200 fábricas. Paralelamente à expansão industrial, Matarazzo tinha um banco, uma frota de navios, um terminal no porto de Santos e duas locomotivas para transportar mercadorias. Sem falar nos imóveis que incluíam uma imensa mansão na avenida Paulista - cuja demolição, na década de 1990, provocou polêmica.


(Mansão Matarazzo)


Como outros pioneiros da industrialização brasileira, contou com a ajuda do governo, cuja política de proteção alfandegária reduzia o custo de importação de algumas matérias-primas e impunha tarifas elevadas a produtos estrangeiros competitivos.

Recebeu do rei Vitorio Emmanuele o título de conde por ter enviado à Itália mantimentos durante a Primeira Guerra Mundial. Admirador de Mussolini, o conde chegou a contribuir financeiramente com o fascismo. Muitos dos operários em suas fábricas eram imigrantes italianos. Fora da colônia, Matarazzo era visto com desconfiança pela elite tradicional e pela nascente classe média urbana.

nas décadas de 20 e 30 as Indústrias Reunidas Franceso Matarazzo alcançavam a exorbitância de 365 fábricas - uma para cada dia do ano, como se dizia.Matarazzo chegou a empregar 6% da população paulista da época.



FONTES: Aventuras na História,texto de Fábio Peixoto - 01/11/2005.
             Blog: Casas Históricas Paulistanas.
             Revista de História da Biblioteca Nacional - Senhor Indústria,
             texto de Ronaldo Costa Couto - 08/07/2009.
             Revista Constelar.Francesco Matarazzo,o Conde.Ed.068.Texto de
             Fernando Fernandes.

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