sábado, 26 de outubro de 2013

Leite de Colônia,o ouro branco

Um cearense inventou o Leite de Colônia,produto que há mais de um século é utilizado para a limpeza de rostos pelo mundo.A invenção ocorreu em Manaus.

Studart e sua esposa,Maria da Fonseca

O Leite de Colônia existe há mais de 100 anos sem nunca ter deixado de ser vendido no Brasil e até no exterior.O que a maioria das pessoas que moram em Manaus não sabe é que o famoso tônico facial foi inventado na cidade,possivelmente na esquina da rua 7 de setembro com a avenida Eduardo Ribeiro,onde hoje está localizada a sapataria Shop do Pé.

O criador do Leite de Colônia foi Carlos Guilherme Gordon Studart,um cearense nascido em 28 de março de 1862,em Fortaleza.Após formar-se em medicina e farmácia na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia,em 1882,Studart voltou para Fortaleza,onde montou a "pharmácia" Studart.Em 1899,já casado,com filhos e um bom dinheiro no bolso,aproveitando o boom da economia do Amazonas devido ao comércio da borracha,chegou a Manaus.

De acordo com Jorge Franco de Sá,bisneto de Carlos Studart,não demorou para o bisavô montar a "pharmácia" Studart na capital amazonense e ganhar mais dinheiro do que já tinha,tanto que logo mandou construir (ou comprou) um belo casarão na esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a rua 24 de Maio (onde hoje está o edifício Palácio do Comércio),para ser sua residência,na qual morou com Maria da Fonseca Pereira,sua segunda esposa.O curioso sobre Maria é que ela ficou paralítica depois de cair de um cavalo,em Manaus.

Enquanto isso,no seu laboratório,na esquina da rua Municipal (atual 7 de Setembro) com avenida Eduardo Ribeiro,desenvolveu a fórmula do Leite de Colônia e o lançou no mercado.


Mudança de Rumo

Exemplar do Leite de Colônia

Com a riqueza que possuía e que aumentou com a exportação do Leite de Colônia para o resto do país e o exterior,Carlos Studart se tornou um dos homens mais ricos de Manaus,acumulando fortuna e prestígio,conforme demonstram as funções que exerceu: mordomo e provedor da Santa Casa de Misericórdia,juiz municipal e de órfãos,intendente,coronel da Guarda Nacional e até teve um jornal,o Commercio do Amazonas.

Na década de 1930,com a economia do Amazonas em decadência,Studart,apesar de estar com a vida estabilizada em Manaus e ter mais de 70 anos de idade,não titubeou em acabar com seus negócios na capital amazonense  e seguir para o Rio de Janeiro onde,aparentemente,seu filho Arthur assumiu o controle do novo laboratório.

No Rio,os negócios com o Leite de Colônia só fizeram expandir e Studart ficou mais rico ainda."Em Manaus não restou nenhuma relíquia do que Studart representou para a cidade.Até o nome sumiu.É que todos os filhos e netos dele foram embora de Manaus,só ficando a minha mãe,que quando se casou,adotou o sobrenome Franco de Sá",explicou Jorge.

Studart morreu com 103 anos,em 1965,ainda no Rio de Janeiro sem nunca mais ter voltado para Manaus.Na cidade maravilhosa deixou como herança,entre outros valiosos bens,dois edifícios que havia mandado construir (o Manaós e o Studart),somando mais de 100 apartamentos.

Após sua morte,seus netos não levaram adiante a empresa e resolveram vender a fórmula do Leite de Colônia,mantida até hoje em segredo.Jorge conta que não sabe quando foi feita essa transação e quanto os netos devem ter ganhado com ela,"mas com certeza foi um bom dinheiro.Apesar de a fórmula,pelo tempo de existência,já ser de domínio público,a marca Leite de Colônia é muito forte e ainda hoje rende muito lucro para quem a produz",garante.


FONTE: Amazônia,a revista da gente.edição-02.2010.ano I.













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