quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mercado Municipal Adolpho Lisboa

Mercado Adolpho Lisboa,início do século 20.


Em meados do século 19,o abastecimento alimentar de Manaus era suprido por produtos da região, comercializados numa feira localizada às margens do rio Negro, em local conhecido como Ribeira dos Comestíveis, onde se vendiam peixes, carnes, farinhas, frutas, legumes, grãos, além de outras mercadorias, produzidas em municípios próximos.

No entanto, com o crescimento da cidade, foi necessário ampliar o ponto de venda, transformando-o em mercado, o que ocorreu em 1869, por ordem do então presidente da Província do Amazonas, João Wilkens de Matos, o Barão de Maruiá. Com a ampliação, a feira mudou-se para a Praça da Imperatriz, local onde funcionou por doze anos.

O desenvolvimento de Manaus, na chamada época áurea da borracha, propiciou diversas melhorias urbanas.

Em 1881, na gestão do presidente Satyro de Oliveira Dias, foi desapropriado um terreno de 5.400 metros quadrados, próximo ao porto, situado na Rua dos Barés, antigo bairro dos Remédios, dando-se assim o primeiro passo para a edificação de um mercado público coberto, com adequados padrões sanitários e comerciais, iniciada em agosto de 1882, na gestão do então presidente Alarico José Furtado.

Após diversos editais de concorrência para a realização das obras, o governo Provincial firmou um contrato com a Backus & Brisbin, empresa que atuava em Nova Orleans (EUA), no México e em Belém, no Pará. O contrato previa a construção de um galpão coberto (91.476 m2), com paredes de alvenaria, sustentado por colunas e com a fachada voltada para o rio Negro. 
Inaugurado em 15 de julho de 1883, o Mercado Público de Manaus tinha um frontão de pedra, em estilo neogótico e um relógio de fabricação alemã acima do lanternim do galpão. Sua parte  interna, com vinte boxes destinados à exposição e à venda de mercadorias, era calçado com pedras de Lioz (tipo raro de calcário originário de Portugal) e paralelepípedos.

Com o passar do tempo, o Mercado começou a ficar inadequado, sendo necessário ampliá-lo para atender a demanda da população. Em 1902, começou uma obra para ampliação do prédio, cuja nova fachada seria voltada para a Rua dos Barés e não para o rio Negro, como anteriormente. A obra só foi concluída em 1906, sendo inaugurada pelo então prefeito Adolpho Lisboa, que colocou seu nome na nova fachada. A partir dessa data, O Mercado Adolpho Lisboa passou a ostentar duas fachadas: uma para o rio Negro – onde havia um embarcadouro para descarregar as mercadorias – outra para a Rua dos Barés. 

Com a crise da economia amazonense, a partir de 1910, vários prédios públicos foram destruídos. O Mercado Adolpho Lisboa resistiu devido aos seus freqüentadores.

Já no triênio 1911-1913, durante a administração do prefeito Jorge de Moraes surgiram os dois pequenos pavilhões octogonais, montados próximos às extremidades do Pavilhão das tartarugas, homenageados com os nomes dos Estados do Amazonas e Pará. Destinaram-se, originalmente, à função de 'café e botequim'. Neste mesmo período, foi instalado o gradil de ferro fundido, oriundo da Praça Dom Pedro II, sobre base em alvenaria de pedra e dois portões, fechando a parte sul (com fachada voltada para o Rio Negro) e construídas duas escadas de alvenaria em Lioz nas laterais do edifício e desaparecidas anos depois.

Mercado Adolpho Lisboa,1970.


Com o advento e o sucesso da Zona Franca de Manaus, no início da década de 1970, grandes cadeias nacionais e estrangeiras de supermercados se instalaram na cidade, porém o manauara continuou fiel às compras no Grande Mercado, como passou a ser conhecido, adquirindo produtos frescos e de qualidade para o preparo dos pratos da típica culinária do Norte do Brasil. 

Situado no centro histórico de Manaus, com 3.500 metros quadrados de área construída, o conjunto arquitetônico do Mercado Adolpho Lisboa é composto por quatro pavilhões de ferro importados da Europa: o Central, o da Carne, o do Peixe e o das Tartarugas.

Quem foi Adolpho Lisboa ?

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O coronel (porque comissionado nesse posto para comandar o Regimento Militar do Estado - RME, em nossos dias, a PMAM) Adolpho Lisboa nasceu na capital da província da Bahia, "de cor morena, cabelos pretos lisos e olhos pardos", em 22 de janeiro de 1862, filho do capitão Felippe Guilherme de Miranda Lisboa, então servindo no 7º Batalhão de Infantaria do Exército, e de Olympia Rosa de Oliveira Lisboa. Sua chegada à Amazônia ocorreu aos cinco anos de idade, segundo fonte do RME, ou quando recém-nascido, conduzido por seu pai, este transferido para o 5º Batalhão da mesma arma, com sede em Belém. Esta notícia reputo mais confiável, porque o mesmo foi batizado na freguesia de Afogados, quando do trânsito da família por Recife.

Adolpho Lisboa exerceu em Belém, no governo Augusto Montenegro, o cargo de comandante do corpo de cavalaria e, em Manaus, o de comandante da brigada militar, no governo do Sr. Silvério Nery, desempenhando também o cargo de superintendente daquela capital na administração do general Constantino Nery.




Atualmente...

                            Mercado Adolpho Lisboa.2013.(Foto: Tácio Melo/Semcom)

Após sete anos fechado, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa reabre para a população nesta quinta-feira (24), aniversário de 344 anos de Manaus. A restauração e reforma foram realizadas em sete anos e atende ao projeto orçado em R$ 17 milhões. A restauração, aprovada em 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), contemplou a repaginação de alguns espaços. Inovações foram trazidas com a promessa de melhorar e modernizar o local que também é ponto turístico municipal.

Com a nova disposição, os cinco mil metros quadrados do 'Mercadão' devem conter 64 boxes distribuídos no Pavilhão Central, 20 no do Peixe, 22 no da Carne, 24 no das Hortifruti, duas praças de alimentação cada uma com 11 boxes, duas bombonieres, dois restaurantes além do Pavilhões Pará e Amazonas. Mais de 170 profissionais entre restauradores, engenheiros e pedreiros estiveram envolvidos na obra.

Durante as obras, os 182 permissionários foram realocados nos arredores do mercado. Ao longo dos anos, os trabalhadores tentaram chamar a atenção do poder público e até um "abraço" simbólico foi promovido ao prédio do 'Mercadão' na intenção de cobrar posicionamento sobre a obra que iniciou em 2010. Nas últimas semanas da reforma, os feirantes foram retirados do local, receberam o valor de R$ 2 mil e fizeram cursos voltados à requalificação profissional.
                         Um dos pavilhões do mercado.2013.(Foto: Tácio Melo/Semcom)
O Adolpho Lisboa restaurado manterá estruturas que contam a história de Manaus nos tempos áureos da borracha. Um deles é o sino da creolina, utilizado para avisar os fregueses que o peixe havia baixado de preço. "Nos primeiros anos do mercado, não se usava o gelo para conservar o peixe e o valor do pescado baixava no decorrer das horas. Ao final, o poder público usava creolina para dar um fim nos peixes, e nós decidimos manter o sino pelo símbolo histórico que ele representa", explicou um dos engenheiros responsáveis pela obra, Jackson Freitas.
FONTES: GASPAR, Lúcia. Mercado Adolpho Lisboa, Manaus, AMPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br. Acesso em: 24 de outubro de 2013.
Matéria publicada no G1 Amazonas: No AM, Mercado Adolpho Lisboa será reaberto após sete anos em reforma.Disponível em: http://g1.globo.com.Acesso em: 24 de outubro de 2013.

Biblioteca virtual do Amazonas.



2 comentários:

  1. espero que eles não restaure a sujeira, que ele tinha antes da reforma,

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