segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Mesopotâmia: O Berço da Civilização


Mesopotâmia é uma palavra de origem grega que significa "entre rios" e se refere a região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates.Essa região faz parte do chamado Crescente Fértil,uma área excelente para a agricultura,embora esteja cercada por terras áridas.As primeiras sociedades dotadas de escrita e de uma estrutura social complexa surgiram nessa região,conhecida como o "Berço da Civilização".

A história da Mesopotâmia não expressa uma grande continuidade,ou seja,os povos que a habitaram não formaram uma unidade política e cultural única.Ao contrário,diversos povos se sucederam no domínio político da região.Em parte,isso explica por que esse território,fértil em algumas regiões,não tinha grandes barreiras naturais,o que facilitava as invasões de povos vizinhos.

Os povos que habitaram a Mesopotâmia ao longo de vários séculos foram os sumérios,os acádios,os amoritas (antigos babilônios),os assírios,os alamitas e os caldeus (novos babilônios).


Atividades Econômicas



Os povos da Mesopotâmia dependiam da agricultura irrigada.As cheias dos rios Tigre e Eufrates eram de grande importância para o sucesso da atividade agrícola,e tinham de ser bem aproveitadas,pois o Vale da Mesopotâmia era árido e pouco fértil.Sistemas locais de irrigação eram desenvolvidos e controlados por comunidades camponesas desde aproximadamente 4000 a.C.


Os templos desempenhavam um papel central na economia mesopotâmica.Planejavam a produção agrícola,estocavam os produtos,promoviam o comércio e realizavam empréstimos.O templo era um complexo agrário-artesanal,onde conviviam diferentes camadas sociais.Ao lado dos templos,existia o palácio como estrutura política e econômica.As terras dos templos e dos palácios eram arrendadas aos camponeses que,em troca dos serviços prestados,recebiam rações e cereais para o seu sustento.Produzia-se cevada,trigo,gergelim,palmeiras,verduras e frutas.Os camponeses também criavam animais,com destaque para porcos,bois,aves,cabras,ovelhas e cavalos.Os animais forneciam carne,leite e lã,além de serem usados para puxar o arado.Alguns lotes de terra eram administrados diretamente pelos templos e palácios,utilizando trabalhadores escravos.


O artesanato mesopotâmico revelava um elevado nível técnico para a época.Fabricavam barcos,produziam objetos de cerâmica,joias e tecidos.As tumbas da elite suméria estavam repletas de objetos de cobre,bronze,ouro e prata,trabalhados com técnicas variadas e ricamente ornamentadas.Também praticavam o comércio local e a longa distância,utilizando metais e cevada como moeda.Operações comerciais como o empréstimo a juros,o penhor e a caução eram comuns entre comerciantes que agiam como intermediários do templos e palácios.

O Código de Hamurábi




Sexto rei sumério durante período controverso (1792-1750 ou 1730-1685 A.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia em babilônio) foi fundador do 1o Império Babilônico (correspondente ao atual Iraque), unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos. Seu código estabelecia regras de vida e de propriedade, apresentando leis específicas, sobre situações concretas e pontuais. 


O texto de 281 preceitos (indo de 1 a 282 mas excluindo a cláusula 13 por superstições da época) foi reencontrado sob as ruínas da acrópole de Susa por uma delegação francesa na Pérsia e transportado para o Museu do Louvre, Paris. Consiste em um monumento talhado em dura pedra negra e cilíndrica de diorito. O tronco de pedra possui 2,25m de altura, 1,60m de circunferência na parte superior e 1,90m na base. Toda a superfície dessa “estela” cilíndrica de diorito está coberta por denso texto cuneiforme, de escrita acádica. Em um alto-relevo retrata-se a figura de “Khammu-rabi” recebendo a insígnia do reinado e da justiça de Shamash, deus dos oráculos. O código apresenta, dispostas em 46 colunas de 3.600 linhas, a jurisprudência de seu tempo, um agrupamento de disposições casuísticas, de ordem civil, penal e administrativa. Mesmo havendo sido formulado a cerca de 4000 anos, o Código de Hamurabi apresenta algumas tentativas primeiras de garantias dos direitos humanos.

Divisão Social


Segundo o Código de Hamurábi,elaborado por volta de 1765 a.C.,a sociedade babilônica estava dividida em quatro camadas sociais básicas: os Awilu,os Mushkenu,os Gurush e os Wardu.

Awilu - Proprietários de terras e funcionários da burocracia palaciana.

Mushkenu - Camponeses e trabalhadores não escravos que viviam sob a dependência do palácio.

Gurush - Eram trabalhadores sem família que cultivavam os lotes dos templos.

Wardu - Eram os escravos.

Os escravos - em geral,provinham do exterior e eram obtidos por meio da guerra,da pirataria ou do comércio.Há documentos que indicam que crianças abandonadas podiam ser escravizadas.Em períodos de crise,era algo comum pessoas venderem-se a si mesmas ou membros de sua família como escravos.Os escravos,contudo,não eram a maioria da população.Havia uma massa de camponeses livres,cujo trabalho era apropriado na forma de tributos pagos ao Estado ou aos templos.

Os escravos podiam pertencer ao Estado ou aos templos e eram utilizados nas obras de irrigação,armazenamento e distribuição de excedentes agrícolas.Havia também escravos urbanos e domésticos,que pertenciam a particulares.

A Escrita Cuneiforme



Os mesopotâmicos desenvolveram uma das primeiras escritas da história,o sistema cuneiforme,cujos registros datam do IV milênio a.C.A invenção foi obra dos sumérios,que habitavam o sul da Mesopotâmia.Os sinais gravados na argila úmida tinham a forma de pregos de cabeça larga,ou cunhas,o que explica o nome cuneiforme.Inicialmente os sinais eram figurativos,representando objetos e ideias.Mais tarde,distanciando-se do desenho original,os sinais tenderam a se tornar mais abstratos.Dependendo dos agrupamentos que se faziam com os sinais,eles podiam representar ideias ou sons.

Apenas uma parcela muito pequena da população sabia ler e escrever.Nesse pequeno grupo,destacavam-se os escribas,funcionários especializados na escrita cuneiforme.Preparados desde criança na eduba,a escola da Mesopotâmia,os escribas eram peças-chave para garantir o funcionamento de todo o sistema político e econômico mesopotâmico,ocupando posição privilegiada na sociedade.

Os escribas registravam transações comerciais dos templos e dos palácios,redigiam contratos,controlavam o fluxo de entradas e saídas de produtos agrícolas dos templos,faziam a crônica dos reis e das batalhas e serviam de diplomatas nas relações com outros povos.Alguns deles foram verdadeiros eruditos e registraram textos literários,religiosos e científicos em tabuletas de argila,em metais ou na pedra.Outros até escreveram cartas pessoais.Muitos desses textos foram descobertos pelas escavações arqueológicas e se encontram hoje em museus do Oriente Médio e da Europa.

A Biblioteca de Assurbanipal



Nas ruínas da antiga cidade assíria de Nínive,no norte da Mesopotâmia,foi encontrado um conjunto de textos literários e eruditos que formam o que pode ser considerada a primeira biblioteca da história.A biblioteca pertencia ao rei Assurbanipal,governante do Império Assírio,que atingiu seu auge entre os séculos IX e VII a.C.

Na Biblioteca de Assurbanipal foram encontrados textos gravados em tabuletas de argila,como versões do célebre poema Epopeia de Gilgamesh (composto originalmente nos primeiros séculos do II milênio a.C.),um dicionário sumério-acádio,além de textos de matemática,astronomia,astrologia,magia e alquimia.As pesquisas levam a crer que Assurbanipal,um dos raros monarcas da época que sabiam ler e escrever,reuniu num mesmo local objetos importantes  do universo cultural da Mesopotâmia.

Religião




A inundação do Tigre e do Eufrates era violenta e imprevisível: de um dia para o outro,a chuva revigorante poderia transformar-se em agente de devastação.Acreditava-se que os deuses controlavam essas forças poderosas,com os seres humanos considerados pouco mais do que escravos sujeitos aos caprichos do destino.Tal fato colocou a religião firmemente no centro da vida diária,com um templo dedicado a um dos principais deuses no centro de cada cidade ou metrópole.No começo,eram construções absolutamente simples,feitas de tijolos de barro,decoradas com mosaicos geométricos em forma de cone e afrescos com figuras humanas e animais.Um santuário retangular,conhecido como "adega",possuía um altar de tijolos ou uma mesa de oferendas em frente a estátua da divindade do templo.Rituais públicos,sacrifícios de animais e libações aconteciam todos os dias,assim como festas mensais e celebrações anuais do Ano-Novo.


Os zigurates,os grandes templos mesopotâmicos,também guardavam uma correspondência com o céu.O zigurate era uma representação em escala reduzida do cosmos e era construído de tal modo que cada segmento do templo representava as principais divisões do universo: O mundo subterrâneo,a terra e o firmamento.O zigurate simbolizava a união entre o céu e a terra e acreditava-se que a alma dos mortos ascendia ao céu subindo um a um os degraus do templo.Dentro do zigurate havia um trono destinado ao deus que habitava o templo,em homenagem ao qual se realizavam festas e rituais conforme um calendário litúrgico anual.

Ciência


"Todo estudo sobre os conhecimentos adquiridos ao longo dos séculos pelas civilizações assíria e babilônica deve levar em conta certas crenças dos mesopotâmicos:

Interindependência do céu e da terra: qualquer fenômeno,qualquer ato que aconteça em uma esfera repete-se na outra.Domínio da terra pelo céu: tudo que aqui existe,seja em qualquer reino da natureza,está sob a dependência de uma divindade.

Tudo o que o homem sabe,todas as aplicações que ele pode fazer desse conhecimento,lhe chegou por revelação divina.Por consequência,a ciência possui uma característica sagrada e não deverá ser comunicada a mais ninguém que não sejam aqueles que serão dignos dela.[...]

A presença dessas condições,cuja reunião explica os atos religiosos dos mesopotâmicos em geral,é particularmente perceptível em certas práticas cotidianas que eles exerceram: a adivinhação,a magia,a medicina,que eles consideravam como ciências e,como tais,faziam parte das revelações divinas."

CANTENAU,D.G.La civilization d'Assur et de Babylone.Paris: Payot,1951.p.124-125.


Aspectos da Cultura e da Sociedade Mesopotâmica



Embora formada por diversos povos,podem-se traçar pontos característicos da sociedade e da cultura mesopotâmica.A partir dos sumérios,cada povo conquistador absorvia a cultura da região e acrescentava a ela algum aspecto particular.

Além da escrita cuneiforme,os povos da Antiga Mesopotâmia desenvolveram habilidades surpreendentes.Sua capacidade de abstração permitiu a organização de calendários,a realização de cálculos numéricos e a introdução de padrões monetários necessários ao desenvolvimento da economia de mercado.Suas observações astronômicas possibilitaram a distinção de planetas,estrelas e constelações,a identificação de eclipses,das estações do ano e das fases da Lua e a criação de um sistema de previsões baseado nos astros,conhecido hoje como horóscopo.




FONTES: Conexões com a História.Vol I - Das origens do homem a conquista da América.2010.Alexandre Alves e Letícia Fagundes de Oliveira.

História: Cultura e Sociedade.Vol I.2010.Jean Moreno e Sandro Vieira.

Almanaque Ilustrado dos Símbolos.2010.Mark O'Connell e Raje Alrey.

Biblioteca Virtual de Direitos Humanos - USP.


CRÉDITO DAS IMAGENS: blogdopcamaral.blogspot.com.br

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