quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A França de Luís XIV: Do Palácio de Versalhes à Pobreza

Gravura do Palácio de Versalhes.

O maior representante do luxo e do poder de Luís XIV, é, sem dúvida, o Palácio de Versalhes. O palácio simbolizava o Rei-Sol em cada detalhe, seja em janelas, cômodos, colunas e esculturas. Iniciada em 1661, levou mais de cinquenta anos, empregando cerca de 36000 trabalhadores e 6000 cavalos de carga. O projeto geral foi idealizado pelo arquiteto Louis Le Vau, o mesmo que projetou o Palácio Vaux-le-Vicomte, de Nicolas Fouquet. Jules Hardouin-Mansart, projetou uma magnífica Galeria dos Espelhos, com 67 metros de comprimento, 10 metros de largura e 12 metros altura, com as paredes cobertas de espelhos que refletem a luz do sol que entra pelas janelas. A decoração do teto, por meio de alegorias pintadas por Le Brun, conta a história de Luís XIV. O Palácio era decorado com tapeçarias, tapetes orientais, pinturas, vasos de mármore e de bronze, poltronas forradas de seda vermelha e branca, candelabros de cristal, muito ouro e prata, e, no Salão de Apolo, um incrível trono de prata de 2,5 metros de altura. Os jardins elaborados por André Le Notre ostentavam fabulosas esculturas de François Girardon e Antoine Coysevox. A Grande bacia de Netuno possuía novecentas fontes. O Palácio impressionava outros nobres da Europa, que chegavam a afirmar que ele era a oitava maravilha do mundo. Os membros da aristocracia, por lei, não podiam trabalhar. Como distrair essas pessoas ociosas ? Luís XIV realizava gastos extravagantes, idealizando bailes, jogos, caçadas, festas, concertos, óperas e peças de teatro para "passarem o tempo". Luís XIV foi um grande Mecenas, patrocinando grandes artistas como Molière, La Fontaine, Racine, Couperin e lully.


Gravura do século 17 representando camponeses fazendo vinho.

Enquanto a aristocracia vivia confortavelmente em Versalhes, a pobreza reinava por completo do "lado de fora do muro". Em meados do século XVII, a expectativa de vida na França era de 21 anos. Os nobres, que viviam em melhores condições, chegavam a atingir entre 44 e 50 anos. As guerras faziam parte da política externa de Luís XIV. Ele acreditava que dessa forma a França iria se manter como potência política e econômica da Europa. No entanto, essas guerras contribuíram para levar o tesouro francês ao esgotamento. Em 1667/68, tem início a Guerra da Devolução: tropas francesas tomam parte dos Países Baixos espanhóis, reivindicada por Luís XIV em nome de sua mulher. Em 1689/97, a França participa da Guerra da Liga de Augsburgo contra Inglaterra, Áustria, Espanha, Suécia, Holanda e Baviera. Esses países pretendiam conter o avanço expansionista francês.Em 1702/14,Luís XIV lutou para garantir o trono da Espanha ao neto, Filipe V. A Política interna também contribuiu para a péssima situação das camadas mais pobres. Luís XIV era católico fervoroso e não tolerava a presença dos huguenotes (calvinistas franceses), considerando-os estopins de revoltas internas. Após a morte de Colbert, cuja política beneficiava as manufaturas e o comércio, o secretário Louvois convenceu o rei a revogar o Edito de Nantes: Começara a perseguição aos protestantes. O resultado dessa revogação foi um profundo desastre. Cerca de 300 mil huguenotes, que eram donos de manufaturas e comerciantes, fugiram para a Holanda, para a Inglaterra e para a Alemanha, levando seu capital e seus conhecimentos. No final do reinado de Luís XIV a situação era alarmante: A França afundada em dívidas, os camponeses oprimidos pelo aumento de impostos, péssimas colheitas, epidemias e aumento geral dos preços. Luís XIV morreu em 1715, aos 76 anos, de problemas estomacais e gangrena. Luís XIV deixou suas instruções finais e conselhos para Delfim, de quatro anos e meio: " Eu amei demais a guerra; não me imite nisso, nem nos gastos exagerados". Morreu às oito horas e 15 minutos de domingo, 1° de setembro. Essa foi a França de Luís XIV, de tempos gloriosos à falência total.


FONTES: NOGUEIRA, Gomes Henrique Fausto; CAPELLARI, Alexandre Marcos. História: Ensino Médio, volume único.São Paulo: Edições SM, 2010. (Coleção ser protagonista).

Os Grandes Líderes. Luís XIV. Pierre L. Horn.São Paulo: Nova Cultural,1987.


CRÉDITO DAS IMAGENS: 

http://multiplosestilos.blogspot.com.br 

Os Grandes Líderes. Luís XIV.Pierre L. Horn.São Paulo: Nova Cultural, 1987.







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