sábado, 18 de janeiro de 2014

A Arte Cristã Primitiva

 Catacumba de Santa Domitilia.

Após a morte de Jesus Cristo, seus discípulos passaram a divulgar seus ensinamentos. Inicialmente, essa divulgação restringiu-se à Judéia, província romana onde Jesus viveu e morreu, mas depois, a comunidade cristã começou a dispersar-se por várias regiões do Império Romano.

No ano de 64, no governo do Imperador Nero, deu-se a primeira grande perseguição aos cristãos. Num espaço de 249 anos, eles foram perseguidos mais nove vezes; a última vez e a mais violenta dessas perseguições ocorreu entre 303 e 305, sob o governo de Diocleciano.

Por causa dessas perseguições, os primeiros cristãos de Roma enterravam seus mortos em galerias subterrâneas, denominadas catacumbas. Dentro dessas galerias, o espaço destinado a receber o corpo das  pessoas era pequeno. Os mártires, porém, eram sepultados em locais maiores, que passaram a receber em seu teto e em suas paredes laterais as primeiras manifestações da pintura cristã.
 
Inicialmente essas pinturas limitavam-se a representação dos símbolos Cristãos: a cruz _ símbolo do sacrifício de Cristo; a âncora _ símbolo da salvação; e o peixe _ o símbolo preferido dos artistas cristãos, pois as letras da palavra "peixe", em grego (ichtys), coincidiam com a letra inicial de cada uma das palavras da expressão Iesous Christos, Theou Yious, Soter, que significa " Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador".

Essas pinturas cristãs também evoluíram e, mais tarde, começaram a aparecer cenas do Antigo e Novo Testamento. Mas o tema predileto dos artistas cristãos era  a figura de Jesus Cristo, o Redentor, representado como o Bom Pastor.

É importante notar que essa arte cristã primitiva não era executada por grandes artistas, mas por homens do povo, convertidos à nova religião. Daí sua forma rude, às vezes grosseira, mas sobretudo, muito simples. 

 Interior da Basílica de Santa Sabina, Roma.

As perseguições aos cristãos foram aos poucos diminuindo até que, em 313, o Imperador Constantino permitiu que o cristianismo fosse livremente professado e converteu-se à religião cristã. Sem as restrições do governo de Roma, o cristianismo expandiu-se muito, principalmente nas cidades, e, em 391, o Imperador Teodósio oficializou-o como a religião do império. Começaram a surgir então os primeiros templos cristãos. 

Externamente, esses templos mantiveram as características da construção romana destinada à administração da justiça e chegaram mesmo a conservar o seu nome _ basílica. Já internamente, como era muito grande o número de pessoas convertidas à nova religião, os construtores procuraram criar amplos espaços e ornamentar as paredes com pinturas e mosaicos que ensinavam os mistérios da fé aos novos cristãos e contribuíram para o aprimoramento de sua espiritualidade. Além disso, o espaço interno foi organizado de acordo com as exigências do culto.

Toda essa arte cristã primitiva, primeiramente tosca e simples nas catacumbas e depois mais rica e amadurecida nas primeiras basílicas, prenuncia as mudanças que marcarão uma nova época na história da humanidade.
     
Como vimos, a arte cristã que surge nas catacumbas em Roma não é feita pelos grandes artistas romanos, mas por simples artesãos. Por isso, não tem as mesmas qualidades estéticas da arte pagã. Mas as pinturas das catacumbas já são indicadoras do comprometimento entre a arte e a doutrina cristã, que será cada vez maior e se firmará na Idade Média.


FONTE: PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo. Ed. Ática. 16ª edição. 2005.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://lealuciaarte.blogspot.com.br/
 





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