terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Culinária Brasileira

"Um jantar Brasileiro" Debret, 1827.

A culinária, um dos aspectos mais marcantes do nosso país, encanta a todos que a experimentam. Índios, portugueses, africanos, italianos, alemães, árabes e japoneses cada um com a sua contribuição, deram origem a uma cozinha bastante diversificada, exótica e saborosa. E como disse George Bernard Shaw: "Não existe amor mais sincero do que aquele pela comida". Vamos seguir com a postagem.

Com a colonização, nascia a culinária brasileira, misturando, em especial, a mandioca - item de destaque na alimentação dos índios - com o que fora trazido nos primeiros navios portugueses, em especial as carnes de galinha, boi e porco.

Abará, acarajé, caruru e receitas a base de inhame chegaram aqui pelas mãos dos escravos africanos. Não podemos chamá-los de imigrantes, porque não deixaram seus países por vontade própria. Mas, ao longo de três séculos, somaram-se mais de quatro milhões de pessoas. 

"Negras cozinheiras, vendedoras de angu" Debret.

Cozinhando para si mesmos ou para seus senhores, fizeram muitas misturas, como a de farinha com caldo de peixe, que resultou no pirão. É interessante esclarecermos alguns fatos: Afirmar que a feijoada é uma comida cuja origem remonta as senzalas é uma bela estória. A História (com "H") nos traz evidências de que a feijoada não era comida dos escravos e era apreciada pela elite social da época. Recorrendo a registros históricos, o pesquisador Rodrigo Elias traz à tona um anúncio de 7 de agosto de 1833 no Diário de Pernambuco, em que o recém-inaugurado Hotel Théâtre, de Recife, informa que às quintas-feiras seriam servidas feijoada à brasileira.Pratos similares à feijoada já existiam há muito tempo. O feijão preto começou a ser utilizado na feijoada após o descobrimento da América.
Também o Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, publica em 5 de janeiro de 1849 um anúncio em que o botequim da Fama do Café com Leite chama os fregueses para uma bela feijoada à brasileira.
A partir do século 19, quando a migração européia para a América começou a ocorrer de forma organizada, vieram os alemães, com seus hábitos de comer linguiças, salsichas, batatas e chucrute, além de sopas com sabor levemente doce. E, diga-se de passagem, tudo acompanhado de cerveja.
Os árabes, que muito influenciaram a Península Ibérica entre os séculos 7 e 15, trouxeram para o Brasil o gosto por comidas ricas em açúcar, canela, 
especiarias, e gemas de ovos cozidos, além de vários quitutes e processos culinários – até as laranjeiras, tão típicas no Brasil, foram trazidas do Oriente pelos mouros para a Península Ibérica. O cuscuz, enraizado como um prato brasileiro, na verdade, é um prato oriundo do norte da África. Um costume nos tempos coloniais era de, no meio do jantar, trocarem-se os guardanapos - costume também puramente árabe.
Os navios trouxeram também os italianos para trabalhar nas plantações de café. Além de muita massa, revelaram o costume, muito presente ainda hoje no Sul do país, de comer polenta (a feita com farinha de milho originário da América. A polenta já é uma tradução européia de uma herança americana) Com frango ou carne vermelha. São receitas deles também o risoto e minestrone, a sopa de verduras com macarrão, arroz ou feijão. Para acompanhar, muito vinho.
Embora tenham chegado no século 20, os japoneses conquistaram espaço na mesa dos brasileiros com o peixe cru e as algas. Atualmente, nas grandes metrópoles, a comida oriental é uma verdadeira febre.
A real influência dos portugueses na nossa mesa se deu com mais força a partir do final do século 19, quando migraram para o Brasil em número maior para trabalhar no comércio ou como operários. Seu cardápio era composto de muitas hortaliças e carnes - misturavam também os dois ingredientes para preparar diferentes tipos de sopas.
Os pratos tradicionais lusitanos, em sua maioria, continham carne de porco. Morcelas, chouriços e sarrabulhos não faltavam na mesa. Galinha, peixes salgados que traziam da Europa, como o bacalhau e outros frutos do mar tinham espaço privilegiado nos pratos, que eram sempre regados a muito azeite, temperados com cebola e tome e acompanhados de pão.

E para terminar: "O prazer dos banquetes não está na abundância dos pratos e, sim, na reunião dos amigos e na conversação". - Cícero.


FONTES: À mesa com a ciência. Texto de Bianca Encarnação. Sociologia, CIÊNCIA&VIDA. Ano I. Número 11.

Feijoada: breve história de uma instituição comestível. Revista do Ministério das Relações Exteriores. Artigo do professor Rodrigo Elias (mestre em História Moderna e Contemporânea pela Universidade Federal Fluminense e doutorando em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro). 

A CONTRIBUIÇÃO ÁRABE PARA O BRASIL: Um esboço acerca da influência árabe no Brasil Colônia. Texto de Rafael Saraiva Lapuente. Disponível em: http://rafaellapuente.files.wordpress.com/2012/11/brasil-c3a1rabe.pdf - acesso em 28/01/2014.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://gangamacota.blogspot.com.br/
                                   http://historiaporimagem.blogspot.com.br/ 



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