quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A História de uma Civilização corre Perigo

Bagdá, gravura de 1880.

Berço de civilizações com mais de 8 mil anos, o Iraque, com 435 mil quilômetros quadrados, está situado exatamente sobre a antiga Mesopotâmia - o vale entre os rios Tigre e Eufrates. Ali nasceram a escrita e a legislação, a agricultura e a metalurgia. Sumérios, assírios, acádios e babilônios construíram centros comerciais e religiosos, esculpiram obras magníficas e templos exuberantes. Todo esse legado inestimável foi (e ainda está) ameaçado pela investida militar dos Estados Unidos, em março e abril deste ano.

Antes de o conflito começar, os especialistas da Unesco alertaram para o perigo de bombardeios em cerca de 4 mil sítios arqueológicos do país (há pelo menos 25 mil no Iraque), além do risco de saques. O governo americano prometeu preservar os sítios e evitar os roubos, mas o que se viu após as tropas invadirem a capital, Bagdá, por exemplo, foi bem diferente: o Museu Nacional do Iraque - o mais importante museu mesopotâmico do mundo, com um acervo de 170 mil peças - foi saqueado. "Nos sítios arqueológicos que estavam sob proteção do Exército iraquiano houve pouco ou nenhum estrago, até onde pudemos observar", diz o professor de arqueologia McGuire Gibson, da Universidade de Chicago, que esteve em Bagdá, em junho. No entanto, segundo ele, a situação do patrimônio cultural e arqueológico é muito ruim. "Já esperávamos os saques e a destruição, o que surpreendeu foi a escala em que isso ocorreu", afirma. A Unesco diz que só o Museu Nacional perdeu 6 mil peças - mas o trabalho de contagem ainda deve levar meses.

A maioria dos sítios escapou das bombas, mas não dos vândalos e saqueadores. Em Babilônia, o museu e a casa do diretor do sítio foram saqueados. Em Nínive, buracos de bala foram feitos no palácio de Sennacherib e em Nimrud ladrões levaram objetos e pedaços da parede de um templo que ainda estava sendo escavado. "Em Hatra, estátuas e arcos de monumentos foram destruídos a tiros", diz Gibson. No sul do país, região mais atingida pelas tropas americanas, a situação foi ainda pior. "Alguns sítios sumérios, como Umma, Zabalam, Isin e Umm al-Aqarib, podem estar totalmente perdidos", afirma.

O dia seguinte. Texto de Cláudia Castro Lima. Revista Aventuras na História. São Paulo: Abril, 2003.

     
uma organização armada vinculada à Al Qaeda, voltou a atrair a atenção de Washington para o país que pretendia ter deixado para trás permanentemente. A administração do presidente Barack Obama descartou toda intervenção militar direta, passados dois anos desde que os últimos soldados de combate norte-americanos abandonaram o Iraque em dezembro de 2011. (O Iraque ressurge no radar dos Estados Unidos pela queda de Faluja. 10/1/2014. Texto de Jim Lobe, da IPS).

Parece que, atualmente, o patrimônio histórico do país não corre perigo. Mas novos conflitos, como manifestações de organizações armadas, podem gerar novas tensões e fazer com que a história de uma civilização inteira volte a ser ameaçada.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.mesopot.com/

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