segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Rio de Janeiro nos anos 50

 Copacabana, primeira metade dos anos 50.

Nos anos 50, o Rio de Janeiro imperava por mais de 180 anos como capital do Brasil. A cidade era assunto nas principais revistas da época, como Manchete e o Cruzeiro.No Rio estavam as embaixadas, o comando maior das Forças Armadas etc. Uma matéria publicada na revista Manchete de 22 de janeiro de 1955, exalta o crescimento da cidade, mostrando as principais transformações em seu cenário. O Rio de janeiro do período colonial cedeu lugar à metrópole moderna, a mais bela do país:

" A cidade colonial do século passado, atravessada de becos e vielas, com ladeiras descansadas a subir; tantas vezes por escadinhas, pelos morros com vistas para o mar, cedeu lugar à metrópole moderna, de largas avenidas asfaltadas e gargantas onde engasga aquele "rio de aço" a que se referiu o poeta. A cidade cresceu, agigantou-se nessa "megalópole" cheia de arranha-céus insolentes, cheia de gente apressada que quase se esqueceu de ser humana e sobretudo cheia de problemas que se eternizam, para o desespero de todos. Mas a vista aérea não mostra os problemas e os desconfortos. Mostra apenas, com nitidez perfeita de linhas duras, a bela construção de técnica e progresso que o homem ergueu e nós chamamos de cidade. Rio - a Cidade Maravilhosa ".
Manchete, 22 de janeiro de 1955, p. 25.

 Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. 1958.


Essa cidade retratada é a "cidade ideal", a cidade da Zona Sul. Mas nem tudo são flores. Assim como em outras cidades, existem contrastes entre diferentes regiões. Nos subúrbios da cidade, os bairros operários multiplicam-se desordenadamente, as ruas não possuíam calçamento e as únicas formas de lazer eram escutar rádio, jogar futebol e dançar samba. 

A maioria das indústrias do país estavam localizadas no Rio de Janeiro.A cidade era o ponto preferido dos migrantes de todo o país. O problema é que as empresas não puderam absorver esse grande fluxo de trabalhadores que se direcionaram para a cidade. A população migrante e urbana não encontrando moradias a preços condizentes com seus salários habitam áreas de difícil edificação, mas próximas ao mercado de trabalho. No Rio estas áreas serão os morros, primeiro os do centro da cidade e, posteriormente os localizados na zona sul. Em 1950 7% dos habitantes do Rio residem em favelas. Na mesma década começa uma grande corrida imobiliária. As favelas começam então, a ser encaradas como um sério problema e sua população começa a ser removida do centro da cidade. As favelas vão delineando uma nova paisagem e acentuando os contrastes sociais.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://www.rioquepassou.com.br
                                   http://biblioteca.ibge.gov.br


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