quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Entrevista: 50 anos do CIGS

Distintivo do CIGS.

Por Evaldo Ferreira

"Motivados para defender a Amazônia"

No próximo dia 2 de março, o Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva) completará meio século de existência em Manaus, como uma das instituições mais respeitadas e admiradas do Exército. Seu primeiro comandante foi o então major Jorge Teixeira de Oliveira, o Teixeirão, que deixou sua marca, depois, como prefeito da capital amazonense. Hoje comandada pelo coronel de infantaria Alfredo José Ferreira Dias, o Cigs continua a cumprir sua missão que é formar guerreiros de selva para proteger a Amazônia. Na entrevista a seguir, o comandante explicou melhor o papel do Centro de Instrução, não só para Amazônia, mas para o Brasil e até outros países.

JC: Meio século de Cigs. Qual tem sido a importância desse Centro para o Amazonas e a Amazônia?

Alfredo José: O Centro de Instrução de Guerra na Selva é um estabelecimento de ensino militar bélico, subordinado ao Comando Militar da Amazônia. Nossa missão é especializar militares no combate na selva, realizando pesquisas e experimentação doutrinárias, para a defesa e proteção da Amazônia. Eu diria que o Centro tem importância não apenas no contexto regional, ele também tem importância nacional e internacional, pois além de formar militares estrangeiros, temos um acordo de cooperação de instrução com o Exército do Senegal e estamos em tratativas com o Exército da Índia.

JC: Quantos guerreiros já foram formados pelo Cigs? E as mulheres, também podem ser guerreiras?

Alfredo José: O CIGS já formou 5.633, dentre os quais 4.736 do Exército Brasileiro, 225 da Marinha do Brasil, 67 da Força Aérea Brasileira, 159 das Polícias e Bombeiros Militares e 446 militares estrangeiros. É bom ressaltar que o Brasil tem duas mulheres formadas no CIGS.

JC: Hoje, quantos homens integram o Cigs e como é a estrutura do Centro?

Alfredo José: Atualmente o Cigs conta com 468 militares, homens e mulheres que se dedicam integralmente à formação dos guardiões da Amazônia. O Centro está estruturado em Divisão de Doutrina e Pesquisa, Divisão de Alunos, Divisão de Ensino, Divisão de Saúde, Divisão Veterinária e Companhia de Comando e Serviços.

JC: Numa guerra hipotética na selva, há páreo para os homens do Cigs? Que outros países mandam seus homens para treinarem aqui?

Alfredo José: O Guerreiro da Selva formado no Cigs é um militar extremamente preparado para o combate no ambiente operacional de selva. São homens e mulheres capacitados e motivados para a defesa da nossa Amazônia. Já formamos 446 militares de nações amigas de todos os continentes, dentre os quais podemos citar Alemanha, Colômbia, Estados Unidos, Equador, França, Guiana Francesa, Inglaterra e Peru, entre outros.

JC: Quem pode realizar o Curso de Operações na Selva no Cigs?

Alfredo José: O Curso de Operações na Selva pode ser realizado apenas por militares de carreira, oficiais e sargentos. O militar voluntário é submetido a teste físico, intelectual e psicotécnico. Só depois disto ele está apto a ser matriculado no Curso de Operações na Selva.

JC: Quanto aos treinamentos, como são? Todos sabemos que são pesados, mas imprescindíveis para um Centro de Instrução de Guerra na Selva.

Alfredo José: O Curso de Operações na Selva é dividido em três fases. A Fase de Vida na Selva, onde o militar aprende a integrar-se ao ambiente amazônico; a Fase de Técnicas Especiais, quando ele adapta os conhecimentos de sua formação profissional às peculiaridades da selva; e a Fase de Operações, na qual o militar realiza diversos tipos de planejamentos operacionais e participa como comandante ou integra as frações de combate em Operações Convencionais, Garantia da Lei e da Ordem e Operações de Resistência, sendo que esta última é exclusiva para os militares brasileiros por contar com conhecimentos relacionados a uma doutrina única no mundo que visa a defesa do território no caso de uma invasão por um inimigo incontestavelmente superior.


CRÉDITO: Jornal do Commercio. Manaus, AM. Fundado em 2 de janeiro de 1904.

CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.cigs.ensino.eb.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário