segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Imagens de Luís XIV, o Rei Sol

“Louis XIV en costume de sacre”, de Hyacinthe Rigaud, 1701, Museu do Louvre.

[...] Havia imagens visuais de Luís em pintura, bronze, pedra, tapeçaria (ou, mais raramente, em pastel, esmalte, madeira, terracota e até cera). Vão desde a infância até a digna velhice [...]. O simples número de estátuas e retratos pintados do rei, dos quais mais de trezentos se conservam, era notável para os padrões da época. O mesmo pode ser dito do número de gravuras do rei, das quais quase 700 ainda podem ser encontradas na Bibliothèque Nationale. Igualmente notável era a escala colossal de alguns dos projetos, como o da estátua de Luís de pé na Place des Victoires ou da estátua equestre para a Place Louis-le-Grand, tão imensa que 20 homens podiam se sentar e almoçar dentro do cavalo - o que de fato fizeram, durante a instalação do monumento.

Imagens do rei eram por vezes agrupadas para compor uma narrativa. O número de representações de Luís em forma seriada é inusitado no período. Uma famosa série de pinturas de Lebrun, conhecida como "a história do rei" [l' histoire du roi], representava eventos importantes do reinado até a década de 1670. Essa narrativa, como a chamariam os retóricos, foi reproduzida na foram de tapeçarias e também de gravuras. As medalhas cunhadas para comemorar os grandes acontecimentos do reinado (são mais de 300, outro número inusitadamente elevado) eram gravadas e as gravuras eram publicadas na forma da "história metálica" do rei. Os chamados "almanaques reais", com frontispícios gravados que representavam um evento diferente a cada ano, eram também qualificados, por vezes, como "a história do rei". [...]

Rituais excepcionais (isto é, não recorrentes), como a unção do rei em 1654 ou seu casamento em 1660, ou rituais recorrentes, como o toque dos doentes para curá-los ou a recepção de embaixadores estrangeiros, poderiam também ser vistos como eventos multimídia, que apresentavam a "imagem viva" do rei. De fato, o mesmo poderia ser dito dos atos cotidianos do rei - levantar-se, fazer refeições, deitar-se -, que eram a tal ponto ritualizados que poder ser vistos como minipeças teatrais.

O cenário desses rituais era, em geral, um palácio: Louvre, Saint-Germain, Fontainebleau, Versailhes. Este último, em especial, poderia ser visto como uma exposição permanente de imagens do rei. Ali se via Luís por toda a parte, até no teto. Quando o relógio instalado em 1706 batia as horas, a estátua do rei aparecia e a Fama descia para coroá-lo com louros. [...]

BURKE, Peter. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. p. 28-29.


Imagens de Luís XIV

Gravura do século 17 anônima do rei Luis XIV, aos 15 anos, como dançarino interpretando o Sol.

Luís XIV e parte da sua corte. Quadro de Jean-Leon Gerôme, século 19.

Busto de Luís XIV no Chambre du roi.

Estátua de Luís XIV, do escultor Bosio.

"Apoteose de Luís XIV" , 1677. Pintura de Charles Le Brun.

Retrato de Luís XIV, 1661. Pintura de Charles Le Brun.

Retrato de Luís XIV durante a Guerra de Devolução, 1668. Pintura de Charles Le Brun.


CRÉDITO DAS IMAGENS: 

http://www.marcosabino.com/
http://www.conexaoparis.com.br/
http://en.wikipedia.org/







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