sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Grande Zigurate de Ur


O Zigurate de Ur é o templo-torre mais bem preservado de todos os que foram construídos pela civilização mesopotâmica. O templo foi edificado por Ur-Nammu e concluído no reinado de seu filho e sucessor, Shulgi (2094-2047 a.C.). O grande Zigurate de Ur localiza-se no atual Iraque.

" O enorme zigurate, melhor exemplo conservado dessa típica modalidade de construção mesopotâmica, foi edificado por Ur-Nammu e concluído por seu filho e sucessor, Shulgi (2094-2047 a.C.). Estava instalado dentro de seu próprio recinto murado e orientava-se de acordo com os pontos cardeais da rosa dos ventos. Foi construído em três estágios, mais exatamente como um enorme castelo de areia, uma camada no topo da outra, cada uma delas um pouco menor do que a que lhe ficava por baixo. O núcleo era de tijolo adobe, englobando provavelmente as ruínas de uma construção anterior, e esse núcleo recebia um revestimento de tijolo cozido de 2,4 metros de espessura assente em betume para protegê-lo da erosão. O estágio inferior mede 61 por 45,7 metros ao nível do solo, mas um pouco menos em seu topo, pois suas paredes, em vez de verticais, eram inclinadas para aumentar a estabilidade. Tem 15 metros de altura. [...]

O zigurate, erguido sobre uma plataforma e cercado de muralhas duplas, deve ter sido um impressionante ponto de referência, ao destacar-se no horizonte acima das muralhas da cidade. Seu nome sumério era é-temen-ní-gùr-ru, "casa cuja plataforma de fundação está coberta de terror". [...] O zigurate é também um desenvolvimento adicional da velha prática de assentar plataformas sobre plataformas, de encaixar e erguer fundações em níveis cada vez mais elevados. Foi sublinhado que nas áreas propensas a cheias isso era também um recurso prático, e os altos santuários devem ter oferecido imagens tranquilizadoras como lugares sobranceiros e, portanto, seguros. Não necessariamente para manter as pessoas a salvo, mas para proteger seus deuses, de cuja benevolência dependia toda a vida. Também permitia que os representantes eleitos da espécie humana se aproximassem um pouco mais da esfera celeste. [...]

[...] Levando em conta a minha asserção de que os espetáculos de massa e os rituais publicamente realizados eram de suprema importância para a experiência coletiva da cidade e, nessa altura, para todo o país, não pode causar estranheza que os fundadores do primeiro estado coeso e centralizado se empenhassem em edificar zigurates, e não apenas em Ur, se bem que o maior e mais importante deles fosse construído, naturalmente, na capital. "

LEICK, Gwendolyn. Mesopotâmia: a invenção da cidade. Rio de Janeiro: Imago, 2003. p. 147-150.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://historiacomgeleia.blogspot.com.br/



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