quinta-feira, 6 de março de 2014

Quilombo dos Palmares: um símbolo da resistência

"Zumbi", pintura de Antônio Parreiras. Data desconhecida.

Os negros mostraram-se resistentes à escravidão. Alguns se suicidavam, roubavam pertences de seus senhores, assassinavam feitores e familiares dos seus donos, sabotavam o trabalho e fugiam. A fuga foi a melhor forma de resistência, pois ela significava o fim dos castigos, das humilhações, do trabalho forçado e da submissão.

Aqueles que conseguiam fugir embrenhavam-se nos matos e formavam quilombos, aldeias de negros fugidos. Vale lembrar que os quilombos também abrigavam índios e fugitivos da justiça. O mais importante foi o Quilombo de Palmares, formado na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. Palmares é uma referência ao grande número de palmeiras que formam a vegetação da região.

Inicialmente, o quilombo de Palmares era liderado por Ganga Zumba, um descendente da linhagem de um reino tribal da Angola. Zumba recebia e organizava os recém chegados ao quilombo, que vinham principalmente das capitanias de Pernambuco e Bahia. Aqueles que procuravam o quilombo espontaneamente eram considerados livres. Os capturados em assaltos contra engenhos e povoações eram escravizados no quilombo.

O quilombo teve seu ápice durante o período das invasões holandesas. Enquanto os senhores de engenho voltavam suas atenções para os invasores, os escravos aproveitavam para fugir.

Considerado uma ameaça pelos proprietários de terra, senhores de engenho e fazendeiros, o quilombo foi duramente reprimido. De 1602 até 1694, diversas expedições foram enviadas na tentativa de destruir o núcleo de escravos, tanto pelos portugueses como também pelos holandeses. Essas expedições foram derrotadas pelos quilombolas.

Em 1678, a colônia propôs um acordo de trégua com os quilombolas, prometendo liberdade para os nascidos em Palmares e proibindo a entrada de novos fugitivos no quilombo. O líder aceita os termos. Essa decisão dividiu Palmares. Zumbi, seu sobrinho, assumiu a liderança de um grupo mais radical e resistente ao acordo. Ganga Zumba foi morto por envenenamento. Zumbi assume a liderança do quilombo e se opõe a aceitar os termos impostos pela colônia.

Depois de várias batalhas travadas, uma expedição de 9 mil homens, liderados pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, deu fim ao quilombo dos Palmares. Zumbi e alguns quilombolas conseguiram fugir, mas no ano seguinte, Zumbi foi capturado pelos bandeirantes, que o degolaram e expuseram sua cabeça na cidade de Recife, para que servisse como um aviso para aqueles que quisessem se rebelar.


Palmares foi o maior símbolo da resistência contra os escravocratas. Até hoje, no dia 20 de novembro, mesma data da morte de Zumbi, é comemorado o Dia da Consciência Negra.


CRÉDITO DA IMAGEM: commons.wikimedia.org

Nenhum comentário:

Postar um comentário