quinta-feira, 24 de abril de 2014

As origens do Boi-Bumbá

Boizinho de Ubatuba, Rio de Janeiro, 1960.

O Bumba Meu Boi sofre, de Estado para Estado, alterações ou variantes desde a denominação: Boi Calemba (Recife), Boi de Rei, Boi-Bumbá, Bumba meu Boi (Maranhão - Amazonas - Pará - Alagoas - Rondônia), Reis-do-Boi (Rio de Janeiro).

" A origem do Bumba meu Boi ou Boi-Bumbá data aproximadamente das últimas décadas do século 18 e e seu ambiente foi o litoral, engenhos de açúcar e fazendas de gado irradiando-se para o interior ".

Os pesquisadores acreditam que essa manifestação cultural esteja ligada ao desenvolvimento da pecuária no período colonial.

" Suas raízes históricas estão provavelmente no ciclo do gado ou pastoreio em plena vida colonial brasileira. Na sua formação recebeu influências, em diferentes pesos, da cultura branca de origem europeia, negra vinda da África e ameríndia. E seu enredo, embora diversificado em algumas vezes, tem a fazenda como palco ".

O termo "Bumba-meu-Boi", e seu significado, fruto de divergência entre os estudiosos. Para Gustavo Barrosos, a expressão “Bumba-meu-boi” significa“zabumba, meu boi” ou “o zabumba está te acompanhando boi”, porque durante a exibição do boi, o coro que canta o estribilho diz: “ê bumba, marcando o ritmo no zabumba. Para Câmara Cascudo, “Bumba” é a interjeição “zás” que significa: “Bate, chifra, meu boi”. 

Em seu princípio, o Bumba-meu-boi sofreu grande repressão por ser uma festa de origem escrava. Ele foi perseguido pelas elites nordestinas e também pela polícia e chegou a ser proibido entre 1861 e 1868.

" O boi-bumbá no Brasil começou com a movimentação ginástica do boi-de-canastra português, surgido no meio da escravaria rural, que trouxe consigo o vaqueiro e o auto se criou com a aglutinação incessante de outros bailados (rancho da burrinha, Bahia e cavalo marinho). O centro de maior e mais forte atração fez gravitar ao seu decorrer os motivos comuns ao trabalho pastoril e figuras normais dos povoados e vilas próximas: capitão do mato, vigário, doutor curador, escravo fujão, o valentão e as visões da literatura oral, duendes velhos, caiporas, gigante ".

A permanência do boi como figura central provavelmente deve-se à sua importância sócio-econômica no Brasil em geral e a todo um misticismo que cerca a figura do boi, haja vista a prodigiosa literatura no domínio místico: Lendas hindus, brâmanes, gregas etc., bem como a sua presença nas cerimônias religiosas da Igreja Católica.

A encenação do bumba-meu-boi conta com diversos personagens
Boi - Figura mitológica nas mais diversas culturas, o boi era visto por escravos negros e indígenas como companheiro de trabalho, símbolo de força e resistência. É por isso que toda a encenação gira em torno dele. A pessoa que veste a fantasia do animal é chamada de miolo e seus trajes variam bastante de uma festa para outra. Alguns abusam de paetês, miçangas e lantejoulas. Outros preferem bordados com menos brilho e mais cores.
Vaqueiro - Ao lado de caboclos, índios e seres fantásticos como o caipora (figura da mitologia tupi), o vaqueiro é um dos personagens coadjuvantes do bumba-meu-boi, mas consegue i - mpressionar pelo figurino, principalmente o chapéu, sempre enfeitado com longas fitas. No enredo, ele é quem avisa o dono da fazenda da morte do precioso boi.
Dono da fazenda - Também chamado de amo ou patrão, é o senhor de engenho que, proprietário do boi morto, jura vingança contra o casal Catirina e Nego Chico e exige que o animal seja ressuscitado. Em geral, a pessoa que faz esse papel também é responsável pela organização do grupo folclórico. Na foto ao lado, o dono da fazenda é interpretado por Humberto de Maracanã, famoso cantador de boi do Maranhão.
Os músicos - O auto do bumba-meu-boi sempre é acompanhado por uma banda musical. Vários ritmos e instrumentos são utilizados: só no Maranhão há mais de cem grupos folclóricos. Em alguns estilos (ou sotaques, como dizem os maranhenses), dá para ouvir até banjos e saxofones. Os instrumentos mais comuns, porém, são os de percussão: tambores, pandeirões, matracas (dois pedaços de madeira batidos um contra o outro), maracás (uma espécie de chocalho) e tambor-onça (tipo de cuíca rústica, de som gravíssimo).
Nego Chico e Catirina - Depois do boi, são os personagens principais do auto. Representam um casal de escravos, ou de trabalhadores rurais (dependendo do tipo de enredo escolhido). Grávida, Catirina sente uma grande vontade de comer a língua do boi mais precioso da fazenda em que trabalha. Com medo que seu filho nasça com a cara da língua do animal se o desejo não for atendido, Nego Chico (ou pai Francisco) mata o bicho para satisfazer a mulher. A personagem dela costuma ser interpretada por um homem vestido de mulher.
O boi-bumbá na sua essência representa uma sátira à opulência dos fazendeiros e senhores de engenho da época colonial. Por mais contraditório que parece há, ao mesmo tempo, um enunciado de paz, amor, fraternidade e igualdade e uma mensagem final de redenção, de ressurreição, de outra vida para essa gente sofrida.



FONTES: NASCIMENTO, Sued Fernandes do. Boi-Bumbá em Porto Velho. Porto Velho, FUNCER, 1993.

CEARÁ. Secretaria de Indústria e Comércio. Manifestações do Folclore CearenseFortaleza, 1978. Trabalho Elaborado pelo Departamento de Artesanato e Turismo e empresa cearense de Turismo.

CRISTINA, Cíntia. Qual é a origem do bumba-meu-boi e o que ele representa? Revista Mundo Estranho, 6° edição.

Bumba-Meu-Boi. Disponível em: http://bumba-meu-boi.info/ Acesso em: 24/04/2014.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.novomilenio.inf.br/festas/folclore02.htm






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