sábado, 19 de abril de 2014

Lima Barreto e as enchentes no Rio de Janeiro

Enchente no Rio de Janeiro (Praça da Bandeira), 1904.

O Estado do Rio de Janeiro é frequentemente alvo de enchentes, que atingem principalmente a região metropolitana. Esse problema é antigo, e o descaso com a maioria da população também. As enchentes geralmente impactam as comunidades pobres nas várzeas e aterros próximos à Baía de Guanabara; nas favelas em morros (freqüentemente próximas ao centro e à Zona Sul carioca) e na Baixada Fluminense, que não possui um sistema de drenagem propício para uma área originalmente pantanosa. O jornalista e escritor Lima Barreto, em artigo publicado no jornal Correio da Noite, em 19 de janeiro de 1915, denuncia o problema das enchentes:

" As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis.

De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes. [...]

O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver sua vida integral. Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha! [...]

O prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio.

Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grande precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações.

Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social ".

BARRETO, Lima. Vida urbana. p. 18. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br Acesso em: 20/04/2014.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://pelarua.wordpress.com/

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