sábado, 24 de maio de 2014

A Europa dos anos 20

Metropolis, por Otto Dix, 1928.

A Europa dos anos 20 deixou de ser a dona do mundo. Quem diria, que o poderoso continente, detentor de vastos impérios coloniais, estaria tão abalado moral e economicamente. As antigas crenças na perfeição humana, nas bênçãos da ciência e no progresso pareciam agora uma expressão de ingênuo otimismo (CAMPOS e CLARO, 2010, p. 29). Mesmo com esses problemas, a Europa ainda tinha algum "fagulha" de alegria, mas não a tradicional: Moda, artistas e suas vanguardas, romperam com os valores clássicos, agora postos em dúvida.

Os Estados Unidos foram os grandes beneficiados entre o início e o fim da Guerra, e tornaram-se os protagonistas mundiais, passando a influenciar todos os campos da vida. Durante o conflito, o país foi o maior exportador mundial de armas, equipamentos militares, remédios, alimentos, bens de consumo e capitais. Os países abalados ou destruídos, contraíram empréstimos de bancos norte-americanos para pagar o que importavam dos Estados Unidos (BRAICK e MOTA, 2010, p. 64). 


" Nos diversos países da Europa ocidental, os astros dos salões da alta sociedade não eram mais os duques das antigas estirpes, nem os emproados acadêmicos, mas sim os milionários americanos, psiquiatras vienenses, poetas surrealistas ou pintores cubistas. A moda americana a tudo invadiu:  o xerez e a champanha cederam lugar aos coquetéis e ao uísque; os conjuntos de jazz estavam por toda a parte; a valsa e o boston foram eclipsados pelo fox trot e pelo blues. Havia inúmeros clubes noturnos, muitos dirigidos por emigrados russos, onde se dançava até alta madrugada ao som de nostálgicas orquestras. Após quatro anos de longos anos de austeridade, de sofrimento e de luto por tantos mortos, irrompe uma verdadeira explosão de despreocupada alegria. [...]

O modo de vida da classe média mudara menos que o das classes altas. A inflação e o aumento de impostos haviam restringido consideravelmente seu poder aquisitivo. Por essa razão, os jovens sentiam-se cada vez mais dispostos a escolher uma carreira lucrativa. As fortunas familiares contavam então muito menos que a renda. Na França, em particular, o dote - outrora vital para qualquer moça casadoira - perdeu bastante a sua importância. Em Londres, como em Paris, muitas mansões senhoriais estavam à venda. Em quase toda parte, o número de empregados domésticos foi reduzido.

Muitos habitantes do interior mudaram-se para os grandes centros industriais. Na década de 20, os operários e os demais trabalhadores recebiam, em geral, melhores salários [...] e trabalhavam menos horas do que antes da guerra. [...]

Um ponto comum praticamente a todas as classes sociais foi a nova importância assumida pelas mulheres. No decorrer da guerra, elas haviam substituído os homens nas fábricas, nos escritórios e nos campos, adquirindo, assim, um independência à qual não tinham nenhuma intenção de renunciar. [...]

Por outro lado, muitas das restrições sociais impostas às mulheres haviam desaparecido. Elas deixaram de lado os espartilhos, usavam saias curtas e, às vezes, até mesmo calças compridas, e cortavam os cabelos bem curtos. Mesmo na França e na Itália, as moças de classe média saíam sozinhas e ficavam noivas sem prévio consentimento dos pais. Na Grã-Bretanha, foi a época das garotas emancipadas. [...] havia uma nova indulgência para com certos tipos de conduta outrora inaceitáveis. Nos círculos bem informados, falava-se muito sobre a psicanálise de Freud, que se espalharam da Áustria até os Estados Unidos, onde o puritanismo sofreu grande abalo. [...]

Este período não proporcionou nenhuma solução para a instabilidade econômica do Ocidente, perigosamente dependente do capital americano. Deixou, porém, a lembrança de uma intensa alegria superficial, que antecederia à nova Depressão e à ruína. "

CHASTENET, Jacques. A Europa dos anos 20. In: História do século XX: 1919-1934. São Paulo, Abril Cultural, 1968.


Portanto, os anos 20 na Europa, mesmo que tenham sido de uma rápida "euforia", de maior direito às mulheres e de florescimento de vanguardas artísticas, não contribuiu em nada para a recuperação do continente, que continuava dependente dos Estados Unidos. A humilhação pela Guerra e a dependência econômica, fez surgir Doutrinas totalitárias como o Nazismo e o Fascismo, assim como as causas da Segunda Guera. O American Way of Life invadia o mundo, só sendo abalado durante a Grande Depressão de 1929.



FONTES: CAMPOS, Flávio de ; CLARO, Regina. A escrita da História 3. 1.ed. São Paulo: Escala Educacional, 2010.

BRAICK, Patrícia Ramos ; MOTA, Myriam Becho. História - Das cavernas ao terceiro milênio. 2. ed. - São Paulo: Moderna, 2010.

História do século XX: 1919 - 1934. São Paulo: Abril Cultural, 1968.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.wikiart.org/






Nenhum comentário:

Postar um comentário