sábado, 17 de maio de 2014

A Manaus dos anos 40

Vista aérea de Manaus, 1940. Foto de Hart Preston.

Em meados de 1940, Manaus era um modesto aglomerado urbano, de pouco mais de 100 mil habitantes, com todas as características de uma típica capital de província. A vida fluía sem pressa e sem sobressaltos, num ritmo ditado pelas condições físicas, econômicas e culturais de uma comunidade pequena, com três décadas de estagnação e obediente a valores tradicionais.

As dimensões da cidade não eram pequenas apenas em termos demográficos, mas também espaciais, alcançando a leste os bairros de Educandos e Cachoeirinha; ao norte, a Vila Municipal (hoje Adrianópolis), e a oeste, São Raimundo. Mas esses eram subúrbios relativamente distantes. A rigor, a área urbana compreendia o espaço delimitado por esses bairros, nervo e coração da cidade, onde se concentrava o comércio, as repartições públicas, centros culturais e mundanos e onde residia maciçamente a classe média. E quando se fala em classe média, compreendendo todos os seus segmentos, fala-se da classe que, pela sua presença em todos os setores da atividade, imprimia à cidade sua feição característica.

Manaus era cidade de pequenos-burgueses. Praticamente inexistia uma alta burguesia dominante, uma vez que ainda não havia surgido um empresariado industrial, e os grandes proprietários rurais, empobrecidos e decadentes, não tinham maior expressão social, apenas exercendo relativa influência política, graças ao controle de uns poucos currais eleitorais no interior. O que poderia chamar de burguesia era constituída por algumas dezenas de comerciantes, agrupados na Associação Comercial, que estavam longe de constituir uma plutocracia opulenta e não se distinguia da classe média sequer pelo estilo de vida que adotavam. Quanto ao proletariado, era um conjunto amorfo, disperso em pequenas fábricas e oficinas ou subempregado em mil e uma atividades, sem consciência de classe e sem organização sindical, desprovido das mínimas condições para se fazer ouvir como grupo reivindicante.

Toda a vida política, administrativa, mundana, intelectual e boêmia era tocada por integrantes dos vários estratos da classe média, constituída basicamente por funcionários públicos, profissionais liberais e comerciantes. Eles eram governadores, secretários de Estado, senadores e deputados; dirigiam órgãos de imprensa, as entidades literárias e os clubes importantes; enfim, ocupavam todos os postos de expressão na comunidade.


FONTE: PÉRES J. Jefferson Carpinteiro. Evocação de Manaus: Como eu a vi ou Sonhei. Manaus: Valer, 2002, p. 21 e 22.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://life.time.com/

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