segunda-feira, 26 de maio de 2014

As cidades italianas durante a Renascença

Florença, na Itália, foi o berço do Renascimento.

Durante o Renascimento, as cidades italianas foram grandes núcleos intelectuais e artísticos. Pinturas, esculturas, literatura e ciência, foram mais tarde disseminadas em outros lugares da Europa Ocidental. Os principais fatores que motivaram essa condição foram: o desenvolvimento urbano, comercial e burguês, a transição do Feudalismo para o Capitalismo e uma visão de mundo baseada no Antropocentrismo. Florença, Gênova e Veneza foram algumas das principais cidades italianas renascentistas. Outro ponto importante, foi o Mecenato, no qual os comerciantes patrocinavam a produção dos artistas e intelectuais. Os maiores mecenas do Renascimento foram os Medici, a poderosa família de banqueiros florentinos.

" Por volta do século XIV, através dos lucros acumulados do comércio e da indústria, as cidades italianas haviam-se tornado luxuosas protetoras das artes. Florença, por exemplo, começara a construir sua enorme catedral, Santa Maria del Fiore. Nem mesmo um período de depressão , agravado pela Peste Negra - a terrível praga que devastou a Europa na metade do século XIV - conseguiu deter a torrente de obras que se sucediam. Quando os lucros caíram, os comerciantes e banqueiros italianos aprenderam a ser mais eficientes em seus métodos de trabalho. Os italianos foram pioneiros em muito do que mais tarde se tornaria prática comum entre os capitalistas: acordos de sociedade, 'holdings', seguros marítimos, transferência de crédito, aplicação do sistema ativo e passivo na contabilidade de empresa. E, à proporção que a depressão se acentuava, os homens de negócios italianos começaram a investir em cultura, como uma forma de conservar valor, exatamente como os homens de negócios de hoje compram obras de arte.

Dinheiro, contudo, não pode comprar cultura: só seus produtos. A cultura é mantida à custa de dinheiro, mas sua essência é muito mais ampla. Durante a Renascença, enriquecer e continuar requeria um grau relativamente alto de educação. Em primeiro lugar, e principalmente, essa educação era utilitarista; um homem não podia ser bem sucedido no comércio e na indústria sem saber ler e escrever e dominar bem os números. Mas os caminhos do mundo renascentista pediam alguma coisa além disso. Mas negócios queriam dizer mais acordos de participação, testamentos mais complicados, mais escrituras - em suma, mais leis. Os estudos legais proliferaram com abundância durante a Renascença, atraindo maior número de pessoas nas universidades e fazendo com que os professores de direito fossem os mais bem pagos entre os mestre universitários. E, à proporção que as cidades-estados iam crescendo, a administração estatal tornava-se cada vez mais complicada, criando uma procura por um secretariado competente internamente e por diplomatas que soubessem falar com eloquência e persuasão no exterior.

Havia, então, uma crescente pressão por um tipo de educação mais prática que a fornecida pelos estudos teológicos da Idade Média. Precisava-se de especialização profissional - e de atitudes mais mundanas. O programa humanístico de estudos encarregou-se de fornecê-las. Esse programa envolvia a leitura de autores antigos e o estudo de assuntos como gramática, retórica, história e filosofia moral. No século XV esse tipo de estudos já era conhecido como 'studia humanitatis', ou 'humanidades'; e os homens que levavam a cabo tais estudos eram conhecidos como humanistas."

(HALE, John R. Renascença. Rio de Janeiro, José Olympio, 1971, p. 14 - 5)


CRÉDITO DA IMAGEM: www.bomtrip.com





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