domingo, 4 de maio de 2014

O Ciclo do algodão

Escravos colhendo algodão.

O ciclo do algodão, de total importância para a região Nordeste depois da derrocada do açúcar, faz parte de uma série de atividades que surgiram para a exportação ou subsistência da vida dos colonos. Juntava-se ao algodão o fumo, mandioca, aguardente e rapadura. O cultivo do algodão tirou o Maranhão da condição de região mais pobre da colônia.

No início, não se imaginava os lucros que o cultivo desse produto poderia trazer para a colônia e, logicamente, para a metrópole. O algodão era destinado para a produção de tecidos rústicos usados na confecção das roupas dos escravos (VICENTINO e DORIGO, 1997, p.123).

Desde o início da colonização, esse produto já era cultivado, pois este é natural da América. Era uma produção simples, pois enquanto grandes proprietários cultivavam cana-de-açúcar, os mais modestos trabalhavam com o algodão. Além de servir para a produção de tecidos para escravos, também foi utilizado como moeda, hábito que manteve-se até princípios do século 19 (PRADO JÚNIOR, 1997, p.148).

A primeira notícia que se tem da exportação de algodão data de 1760, proveniente do Maranhão, totalizando 651 arrobas. Mais tarde, por volta de 1778, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro também aparecem como exportadores, só que de forma menos expressiva (PRADO JÚNIOR, 1997, p.149). O principal consumidor do algodão maranhense era a Inglaterra.

Um conjuntura de fatores fizeram com que o algodão se tornasse uma das principais riquezas da região: Primeiro, vamos ter a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Logo depois, se inicia a Industrialização da Inglaterra (FURTADO, 1997, P.91). Os Estados Unidos eram os maiores produtores de algodão na época, e a Europa a maior consumidora. Com a Guerra, a produção ficou prejudicada e a Europa sem o abastecimento do produto. A solução foi recorrer ao algodão brasileiro, em especial o do Maranhão.

Para garantir o monopólio do produto, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, criou em 1756 a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão; empresa altamente capitalizada que financiava o desenvolvimento da região (FURTADO, 1997, p. 91). As mudanças logo foram aparecendo. A capitania, considerada a mais pobre da colônia, passou a receber um enorme fluxo de navios estrangeiros, que vinham à procura do algodão.

O algodão, mesmo trazendo bons lucros tanto para a colônia como para a metrópole, também gerava alguns problemas. A produção algodoeira absorvia toda a mão de obra, e as culturas alimentares, necessárias para o abastecimento, eram esquecidas, o que gerava a falta de gêneros alimentícios (PRADO JÚNIOR, 1997, p.165).

Em substituição da mão de obra indígena, a Companhia de Comércio financiou a compra de vários escravos africanos. Segundo Prado Júnior (1997, p.150), " modifica-se a feição étnica da região, até então composta na sua quase totalidade, salvo a minoria de colonos brancos, de índios e seus derivados mestiços. O algodão, apesar de branco, tornará preto o Maranhão". Furtado (1997, p.91), conclui que " a ajuda financeira da Companhia de Comércio permitiu a importação em grande escala da mão-de-obra africana, o que modificou totalmente a fisionomia étnica da região.

Com o fim da Companhia de Comércio, em 1777, o a produção maranhense é ultrapassada por Pernambuco e Bahia. Mesmo assim, o clima de euforia vai permanecer por um bom tempo. Após o fim das Guerras de Independência, os Estados Unidos voltam a ser os maiores produtores de algodão. Isso faz as regiões algodoeira brasileiras serem esquecidas. O algodão brasileiro tem uma rápida recuperação durante a Guerra de Secessão, que faz o comércio americano cair mais uma vez. Após o fim da Guerra, em 1865, os Estados do Sul, que são os produtores de algodão, se recompõem. 7 anos depois, a produção americana derruba a brasileira (PRADO JÚNIOR, 1997, p.149). As regiões algodoeiras, que tinham se tornado umas das mais prósperas, voltam à pobreza.



FONTES: VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1997.

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo - 23° ed. - São Paulo: Brasiliense, 1997.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil - 26° ed. - São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1997.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://linux.an.gov.br/









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