sexta-feira, 30 de maio de 2014

Os judeus na Amazônia

Família de judeus marroquinos em Santarém, no Pará.

Os judeus começaram a chegar à Amazônia por volta de 1810, oriundos das cidades de Tetuan e Tânger, no norte do Marrocos, África. Vários foram os motivos que fizeram os judeus penetrarem na região: perseguições, fome, discriminação, etc; e fatores políticos do Brasil na época, como a Abertura dos Portos , Tratados de Aliança e Amizade, fim da inquisição, liberdade de culto (de forma discreta, em locais que não se assemelhassem a templos) e a Abertura do Rio Amazonas à navegação estrangeira. 

No período que vai de 1810 a 1910, cerca de 1.000 famílias de imigrantes, tanto sefaraditas-marroquinas, como de outros grupos culturais judeus da Europa e do Oriente Médio, vieram fazer a Amazônia, um pouco antes e durante o boom do ciclo da borracha (BENCHIMOL, 1999, p. 225).

A Constituição de 1891 aboliu a união da Igreja com o Estado e instituiu o princípio da plena liberdade de culto. Esse foi um grande incentivo para que os judeus continuassem emigrando para a região, pois a nova constituição permitiu que as sinagogas saíssem da clandestinidade para se organizarem (BENCHIMOL, 1999, p. 264).

Os judeus que vieram para a Amazônia são classificados em cinco grupos: os sefaraditas expulsos de Portugal, Espanha e Marrocos, que falavam português, espanhol e haquitia; os forasteiros nativos de Marrocos, que falavam arbia e haquitia; os serfatitas de Alsácia e Lorena, de fala francesa e alemã; os askenazitas da Alemanha, Polônia e dos países da Europa Central, que falavam alemão e ídiche; os foinquinitas do Oriente Médio, que falavam ladino e árabe. Essas famílias estavam distribuídas em: 650 para o Pará, 200 para o Amazonas, e 150 para Iquitos (BENCHIMOL, 1999, p. 277).

Chegando à imensa região, os judeus aportavam em Belém, no Pará, onde eram recebidos por famílias como os Nahon, Serfatty, Israel e Roffé, já estabelecidas na região e que tinham negócios com empresas inglesas e francesas. Muitos eram encaminhados para trabalhar em casas aviadoras, ou viravam regatões, uma espécie de caixeiro-viajante fluvial.

Na Amazônia, os judeus tiveram quatro gerações: A primeira, se estabeleceu no interior, como empregados, balconistas e vendedores, contratados por firmas de Belém e Manaus; a segunda geração é dos que prosperaram durante o apogeu gomífero, de 1850 à 1910; a terceira geração é a da Grande crise, quando a economia da borracha amazônica já não gerava tanto lucro como antigamente e, com isso, fazia que os judeus das vilas e povoados do interior fossem procurar melhores condições de vida em Belém e Manaus; a  quarta geração é a dos doutores e profissionais, dos anos 1950 e 1970, quando as famílias mandavam os filhos mais talentosos estudarem fora, na Bahia ou no Rio de Janeiro.

O pioneiro da industrialização da Amazônia foi um judeu: Isaac Benayon Sabbá, construiu a Refinaria de Petróleo em Manaus, inaugurada em janeiro de 1957 e, durante a sua vida, formou um império de 41 empresas e estabelecimentos industriais (BENCHIMOL, 1999, p. 319).

Locais importantes em Manaus

Cemitério Israelita: Cemitério Israelita está localizado em uma ala separada do Cemitério São João Batista. Foi inaugurado em 1928, e conta com cerca de 90 sepulturas, algumas datadas do final do século XIX.

Sinagoga Beit Yaacov-Rabi Meyr: Construída em 1962, está localizada na Av. Leonardo Malcher, no Centro. No últimos anos, a única mudança que sofreu foi o aumento do muro. É a fusão das sinagogas Beit Yaacov, fundada em 1925; e a Rabi Meyr, fundada em 1937.

Os judeus, com uma presença de mais de 200 anos na região, vieram, à duras penas, reconstruir suas vidas em um mundo vasto e de oportunidades e, mesmo com inúmeras crises, nunca desanimaram, contribuindo na formação cultural e social da Amazônia.



FONTES: BENCHIMOL, Samuel. Amazônia - Formação Social e Cultural. Manaus: Editora Valer/Editora da Universidade do Amazonas, 1999.

VELTMAN, Henrique. Sinagogas na floresta: judeus na Amazônia. Revista Aventuras na História. 01/02/2008.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://acritica.uol.com.br/











4 comentários:

  1. Pedro Jorge Seixas Correa7 de janeiro de 2017 12:24

    Sou Fã incondicional dá De, dá Historia e dá Cultura Israelita...Tem muita Vontade de conhecer a Sinagoga e Assistir uma Reunião com Eles....

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  2. Sou da Família Benlisats Benoliel, não encontrei menções de onde vieram, alguém tem alguma informação para dar?

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  3. Alguém sabe informar a origem do sobrenome Bohadana? A única informação que tenho é que meu bisavô era judeu.

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