quinta-feira, 5 de junho de 2014

São Vicente: berço de Manaus

Vista parcial do bairro de São Vicente em 1953.

Ao observar um mapa ou até uma imagem de satélite de Manaus, mesmo quem não é daqui consegue descobrir facilmente onde a cidade nasceu: isso porque toda a massa urbana que se espalha para o Norte em todas as direções parece vir da pequena ponta de terra, às margens do rio Negro. Essa região é hoje conhecida como o centro de Manaus, e é justamente num pequeno pedaço dela que se encontra o berço da capital do Amazonas: o bairro de São Vicente.

É nessa localidade que foi construído o forte de São José do Rio Negro, marco da fundação de Manaus, em 1669. Também ali, ao redor da instalação militar, foram erigidas as primeiras edificações institucionais e religiosas, assim como a primeira praça da cidade, o largo da Trincheira, mais tarde renomeada praça IX de Novembro, numa lembrança à data de adesão da Capitania de São José do Rio Negro à independência, em 1823.

" Embora seja um espaço pequeno geograficamente, o bairro de São Vicente é muito rico, pois ali nasceu a cidade, ali surgiram as sedes de muitas coisas que compõem a vida de uma cidade e a partir dali começou o processo de urbanização de Manaus ", afirma Roger Péres, pesquisador e coordenador de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal do Centro (Semc).

De fato, o bairro veio abrigar a primeira capela da cidade, em homenagem a Nossa Senhora da Conceição: um prédio simples de madeira e palha, construído em 1695 e décadas depois substituído por um edifício de alvenaria que, no entanto, se incendiou em 1858. A capela ficava na rua atualmente conhecida como Visconde de Mauá. Na região foram fincadas ainda as primeiras bases do poder público na cidade. Quando o governador Lobo d, Almada transferiu a sede da capitania de Barcelos para o então Lugar da Barra, em 1791, a sede governamental foi instalada num prédio depois desaparecido, onde hoje fica o museu do porto.

Em São Vicente - nome dado provavelmente em homenagem ao padroeiro de Lisboa - surgiram ainda o Quartel Militar, o hospital militar (na antiga ilha de São Vicente), a cadeia pública, o Tesouro Público e o Éden Teatro, este o principal palco de Manaus até a inauguração do Teatro Amazonas. E também ali, num sobrado que veio a desaparecer, foi assinado o documento que instalou a província do Amazonas, em 1852 - não por acaso, ele ficava na que veio a ser conhecida como rua da Instalação.

Nos dias de hoje, vários prédios resistem ao tempo. O Paço da Liberdade, edifício em estilo neoclássico concluído em 1880, serviu como sede do poder governamental até 1917, e como sede do poder municipal do ano seguinte até 1996 - o que lhe confere status de espaço privilegiado na história da cidade.


Paço Municipal.

Em frente a ele está a praça Dom Pedro II, que tornou o antigo largo do Pelourinho no primeiro jardim público da cidade, destacado pelos ricos coreto e chafariz, ambos em ferro fundido, trazidos da Inglaterra para Manaus no final do século 19.

Na mesma época, foi inaugurado o hotel Cassina. Em seu período de glória, o local chegou a receber artistas que vinham se apresentar no Teatro Amazonas; anos mais tarde, em decadência, o empreendimento daria lugar ao Cabaré Chinelo, prostíbulo que se tornou lenda no imaginário coletivo de Manaus.

O que restou do Hotel Cassina nos dias de hoje.

As instalações portuárias vindas da Europa também chegaram primeiro a São Vicente, com a instalação do trapiche Isabel, no início do século 20. "Foram as primeiras instalações de porte mais importante que a cidade recebeu. Esse armazém em ferro fundido é um dos mais antigos do porto de Manaus,e é uma relíquia arquitetônica", aponta Roger Péres. No local se encontram ainda a loja maçônica pioneira da cidade, Esperança e Porvir, e a sede do Instituto Geográfico e Histórico de Manaus (IGHA), além de duas casas de taipa consideradas as mais antigas construções residenciais de Manaus.

Rua Bernardo Ramos, a mais antiga de Manaus.

O prédio do Iapetec, considerado o primeiro "arranha-céu" de Manaus, foi construído em São Vicente no final dos anos 1940 e inaugurado na década de 1950. Com a saída das secretarias municipais e estaduais da região central, o bairro passou a sofrer com a prostituição e a criminalidade. Atualmente, com a restauração do Paço Municipal e o PAC cidades históricas, que irá revitalizar o hotel Cassina e o antigo prédio da Câmara Municipal, o bairro poderá ter de volta todo o esplendo do passado.



FONTE: Adaptação do texto - SÃO VICENTE: onde tudo começou. Revista Manaus presente. Prefeitura de Manaus, 2013.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://clubedabaladeira.blogspot.com.br/
                                     http://www.arqueotrop.com.br/
                                     http://biblioteca.ibge.gov.br/
                                     http://paneiro.blogspot.com.br/









3 comentários:

  1. Creio haver um equívoco quanto à década de construção do prédio do IAPETEC. :/

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    1. O Iapetec começou a se construído no final dos anos 1940, tendo sido concluído na década de 1950. Em cartões postais ele não aparece até esse período.

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    2. Em 1948 uma manchete do Jornal do Comércio anuncia que: "Em breve será lançada a pedra fundamental do IAPETEC". "Terá o IAPETEC sede imponente em Manaus". Em 1953 ele já aparece em fotos da Grande Enchente.

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