quinta-feira, 31 de julho de 2014

Aberta ao mundo

Navio a vapor no rio Madeira.

A Amazônia permaneceu um bom tempo isolada do restante do Brasil e de outros países. As dificuldades técnicas e as leis imperiais restritivas à Livre Navegação eram fatores que dificultavam as relações com outras regiões. A região começa a sentir as primeiras mudanças sociais e econômicas ainda no época Imperial. Dois acontecimentos vão marcar o fim desse isolamento.

O primeiro acontecimento foi a introdução da navegação a vapor, em 1852. Quem detinha o monopólio da navegação era o Barão de Mauá, o mais rico empresário do Império. Esse privilégio era garantido pela Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas, que passou, posteriormente, a operar em conjunto com a Amazon Steam Navigation Company Limited, fundada em Londres (DAOU, 2000, p. 12-13). O vapor encurtou as distâncias com os principais centros financeiros da época e serviu a escoar a crescente produção de borracha.

Consequência do primeiro, a Abertura dos Portos do Amazonas à Navegação Estrangeira foi o segundo acontecimento. Pressionado por americanos e europeus, que utilizavam a justificativa de expandir a região à economia internacional, e pelas elites do Pará e do Amazonas, que ansiavam por mudanças, o Império do Brasil decretou, em 7 de setembro de 1867, a abertura dos rios Amazonas, Tocantins, Tapajós e Madeira à navegação internacional.

Esses acontecimentos marcaram profundamente a vida dos povos amazônicos. Onde antes viviam sem distinção o índio, o branco e o negro, passou a reinar uma forte divisão de classes. A região integrou-se a economia capitalista, exportando matérias primas valiosas como a borracha e importando manufaturas dos Estados Unidos e da Europa. Os costumes também mudaram. Instalou-se um crescente cosmopolitismo, com valores importados da Inglaterra e da França. Nas palavras do sociólogo Márcio Souza

"A Amazônia, na historiografia esquemática que se escreve sobre ela, parece ter experimentado um vigor inesperado que a retirou do silencioso passado colonial, com suas vilas de poucas casas, para um ritmo trepidante e voraz. Uma nova psicologia obrigava as elites a já não se satisfazerem com a vida pacata e provinciana". (SOUZA, 1994, p. 134)



FONTES: DAOU, Ana Maria. A Belle Époque Amazônica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

SOUZA, Márcio. Breve História da Amazônia. São Paulo: Marco Zero, 1994.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://alekspalitot.blogspot.com.br/




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