segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Bombardeio de Manaus

Estado do Bazar Amazonense ao final da tarde de oito de outubro de 1910.

Durante a República Velha (1889-1930), as disputas políticas eram intensas. Esses confrontos eram, na maioria das vezes, marcados pela violência, como é o caso do Coronéis dos interiores, que, por meio de favores ou ameaças, concentravam extensos currais eleitorais. Além disso, várias acusações e fraudes eram forjadas para favorecer determinado político. 

Depois da morte do governador Eduardo Gonçalves Ribeiro em 1900, o Amazonas passou a ser governado por grupos oligárquicos descompromissados com a população. Em Manaus, o ápice das disputas políticas ocorreu em oito de outubro de 1910. Esse episódio ficou conhecido como O Bombardeio de Manaus. Sobre esse momento o historiador Aguinaldo Nascimento Figueiredo o descreve com as seguintes palavras:
"O ponto crítico das disputas oligárquicas no Amazonas ocorreu na manhã do dia 8 de outubro de 1910, quando a cidade de Manaus foi alvo de um violento bombardeio naval, desfechado por ordem do comandante da flotilha Marinha de Guerra, em apoio ao vice-governador do Estado, Antônio Gonçalves Sá Peixoto, ligado ao grupo do caudilho Pinheiro Machado. O motivo alegado para o ataque foi a resistência do governador Antônio Ribeiro Bittencourt à decisão do Congresso de representantes do Amazonas de cassar seu mandato, acusado que foi de descumprimento de determinações legais e comerciais, má gestão financeira e outros abusos que desagradavam seus desafetos.
Depois dos bombardeios, que destruíram vários prédios da zona central de Manaus, o Palácio do Governo foi invadido, seguindo-se de intensa fuzilaria e muita confusão na cidade. Após tentar algumas manobras evasivas, o governador, sob forte pressão dos rebelados e sem apoio imediato dos aliados, renunciou ao cargo. Mesmo fora do poder, Antônio Bittencourt articulou o apoio do presidente Nilo Peçanha e, com reforços militares vindos do Governo do Pará, ele retornou triunfantemente ao cargo, mas foi deposto em 1912. Embora as justificativas para o extremo ato bélico tenham tido conotações econômicas, as motivações reais desses conflitos ocorreram eminentemente pelo puro personalismo de seus protagonistas, para mostrar "serviço" aos seus chefes "coronéis" da República Velha".

Vista lateral da casa do do Dr. Simplício na Praça dos Remédios


Estado do Palácio após alguns dias do bombardeio.


Principais pontos atingidos no Bombardeio de 1910. Obra de Paulus Caesar.



CRÉDITO DAS IMAGENS: http://commons.wikimedia.org/



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