sábado, 12 de julho de 2014

Um intercâmbio de sabores

"Frutas brasileiras", Albert Eckhout.

Durante a colonização do Brasil, os portugueses foram responsáveis por introduzir no território espécies da fauna e da flora européia, asiática e africana. Daqui também saíram produtos que fizeram e ainda fazem sucesso na alimentação de vários povos. Foi uma globalização de sabores e aromas.

A banana, originaria do Sudoeste asiático, foi uma das primeiras frutas plantadas no Brasil, vinda provavelmente da ilha de São Tomé, na África. O inhame também veio do continente africano. Recompensamos os africanos com a mandioca, o amendoim, o cará, a batata-doce e a pimenta. Em Goa, na Índia, nosso mamão e caju encontraram um ótimo clima e logo se espalharam pelo Oriente. Da Ásia vieram algumas especiarias, como o gengibre. A cana-de-açúcar, também desse continente, chegou ao Brasil ainda no século 16, e foi responsável por um dos mais prósperos ciclos econômicos da nossa história.

De Portugal, vieram para o Brasil laranjeiras e limoeiros, além de várias frutas como marmelos, figos e melões, e também couves, alfaces, salsinha, coentro e muitos outros legumes e verduras. Nas caravelas, animas estranhos para os indígenas: vacas, porcos, cabras, carneiros e galinhas. E da África vieram as famosas galinhas d' Angola.

Os ingredientes nativos foram se misturando aos estrangeiros. Os peixes passaram a ser comidos com as verduras trazidas de Portugal; na falta dos vinhos de uva entravam as bebidas fermentadas feitas de mandioca ou de milho; sem o azeite de oliva, a banha de peixe-boi temperava carnes e saladas, e o trigo, artigo de luxo, era substituído pela farinha de mandioca fina, e bolos e compotas passaram a ser feitos com abacaxi, goiabas e outras frutas nativas.

Cobras, formigas, tartarugas e rãs foram ganhando o paladar dos colonizadores. Os índios, demoraram um pouco a assimilar os ingredientes introduzidos pelos portugueses. Pero Vaz de Caminha, em sua carta a El-Rei D. Manuel relata, quando entraram em contato com os primeiros indígenas no litoral

"Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; e, se alguma coisa provaram, logo a lançaram fora".

Esse intercâmbio de ingredientes provocou mudanças permanentes  em nossa alimentação, agricultura e economia. As espécies trazidas nos primórdios da nossa história, são até hoje criadas ou cultivadas, garantindo a formação do tão famoso e exótico cardápio brasileiro.




FONTES: HUE, Sheila Moura. Delícias do Descobrimento - a gastronomia brasileira no século XVI. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Carta a El-Rei D. Manuel. Pero Vaz de Caminha. Domínio público. Disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/carta.pdf



CRÉDITO DA IMAGEM: http://commons.wikimedia.org/

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