sexta-feira, 22 de agosto de 2014

As origens do Feudalismo



O Feudalismo é um modo de organização política, social e econômica baseado no sistema de servidão, no qual o trabalhador rural era o servo e o dono de terras, o senhor feudal. Suas origens remontam à crise do Império romano do Ocidente, no século III. Para entender a origem do sistema Feudal, é preciso analisar os fatores que ocasionaram a crise romana.

A crise do Império Romano do Ocidente inicia-se no período conhecido como Baixo Império (século III ao V). A sociedade romana era escravista, isto é, baseada no trabalho escravo. Os escravos eram conseguidos através de guerras de conquista e utilizados em trabalhos rurais. Apesar de ter a economia baseada na agricultura, Roma tinha uma intensa vida urbana. Guerras civis, gastos militares e levantes de escravos fizeram Roma parar sua onda de expansionismo e, para piorar a situação, o Império era constantemente invadido por bárbaros. Com a decadência, os grandes proprietários saíram da área urbana e foram residir nas vilas, espécies de propriedades rurais. Com a queda de Roma em 476, formaram-se na Europa Ocidental os reinos bárbaros.

Mudaram-se as relações de trabalho: no campo, pessoas pobres, pequenos proprietários e escravos, tornaram-se colonos e, nessa condição, ganharam em troca proteção e terras para trabalhar. Tinham como obrigação entregar parte do que era produzido para o grande latifundiário. Dos bárbaros, que também eram povos que viviam da agricultura e de atividades pastoris, o sistema feudal assimilou o comitatus, relação de lealdade recíproca entre chefes e guerreiros, que criava um poder descentralizado; e o direito consuetudinário (não escrito) baseado nos costumes herdados. Os bárbaros assimilaram costumes romanos, criando o Beneficium, uma remuneração paga com terras para seus guerreiros; e converteram-se ao Cristianismo.

A sociedade feudal estava dividida em três classes. O Clero, primeira camada da sociedade, considerado o mediador entre o mundo terreno e o espiritual, era formado por membros da Igreja Católica (Papa, bispos, arcebispos e cardeais). Como eram os únicos que detinham os conhecimentos clássicos, preservados da Antiguidade, ditavam os costumes e a vida da sociedade. A nobreza era representada pelo senhor feudal, detentor de vastas extensões de terra e de poderio militar. Base da sociedade, os servos produziam o que seria consumido pelas outras classes. O servo não era livre e também não era um escravo. Ele estava preso à terra e não podia ser vendido pelo senhor feudal. Tinha inúmeras obrigações: Talha, entrega de parte da produção para o latifundiário; Corvéia, prestação de diversos tipos de serviços (manutenção de construções, limpeza, etc); Banalidades, pagamento para a utilização de instalações do castelo (ex: forno para assar pães); Mão Morta, taxa paga pelo servo para continuar trabalhando no feudo onde o pai trabalhava; e o Tostão de Pedro, entrega de 10% da produção para a Igreja.

O modo de produção feudal, formado por estruturas romanas e bárbaras, teve seu apogeu durante a Alta Idade Média (século V ao XI) e entrou em declínio na Baixa Idade Média (século XI ao XV), com a dissolução deste sistema de produção e a transição para o Capitalismo.



CRÉDITO DA IMAGEM: www.brasilescola.com












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