sábado, 16 de agosto de 2014

Imigração italiana no Brasil

"Saudades de Nápoles", de Bertha Worms.

A grande imigração de italianos para o Brasil ocorreu entre 1861 e 1918, datas, respectivamente, da unificação italiana e do final da Primeira Guerra Mundial. A conturbada Unificação deixou problemas principalmente para a camada mais pobre da sociedade, que sobrevivia da agricultura, principal fonte de renda do Estado. Com isso, muitas pessoas saíram o interior e se dirigiram para as cidades. Infelizmente, a Revolução Industrial, instalada recentemente no país, não foi capaz de absorver todo o contingente vindo das áreas rurais. Essa situação gerou graves crises sociais e econômicas. Como solução, esses trabalhadores se dirigiram para as Américas, na esperança de reconstruir suas vidas. Os principais destinos eram os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil.

Decretado o fim do tráfico de escravos, em 1850, o Império do Brasil passou a adotar políticas imigratórias com o objetivo de atrair estrangeiros para formar colônias agrícolas na Região Sul e servir de mão-de-obra nos cafezais paulistas. Era época também de teorias raciais, e os italianos, com uma língua próxima do nosso português, europeus e brancos, eram vistos pelo governo como "componentes" que tornariam o país mais "civilizado". Mesmo trabalhando em condições de semi-escravidão nos cafezais, alguns conseguiram fazer fortuna e aqui deixaram sua marca: fundaram escolas; associações comerciais, times de futebol, hospitais; jornais; e sindicatos.

De 1880 a 1960, o Brasil recebeu mais de um milhão e meio de imigrantes italianos, vindos das seguintes regiões: Vêneto, Campânia, Calábria, Lombardia, Toscana, Sardenha, Ligúria, Sicília, Lácio, Puglia, Emília-Romagna, Abruzzo-Molise, Úmbria, Piemonte, Marche e Basilicata.

Na período Fascista, chegaram ao Brasil, entre 1939 e 1941, cerca de 500 judeus italianos que, diferente das levas proletárias que vieram na época imperial e Republicana, faziam parte de uma classe média composta por comerciantes, médicos e advogados. Em diferentes cidades do Brasil, com a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, muitos italianos foram hostilizados e tiveram seus bens confiscados. Com o fim do conflito em 1945, cerca de 3.000.000 de indivíduos saíram da Itália em direção aos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina e Venezuela. Esse processo durou até 1960. Desse total, 512.538 retornaram ao país de origem.

O italianos foram pioneiros em várias áreas do conhecimento. Entre os principais cientistas estão Gleb Wataghin, César Lattes, Daniela Lazzaro, Giuseppe Occhialini e Nicola Petragnani. 

Professor de origem russa e cidadão italiano desde 1929, Gleb Wataghin veio para o Brasil com o propósito de criar o Departamento de Física da Universidade de São Paulo. Foi criador de um programa de pesquisas sobre raios cósmicos. César Lattes atuou como professor na Universidade de São Paulo, na antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ) e no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, do qual foi um dos fundadores. Mantinha, desde 1962, colaboração com o Japão no estudo da radiação cósmica. Foi membro de várias academias e sociedades científicas brasileiras e internacionais. Prêmios recebidos: Prêmio Einstein, em 1950; o Prêmio TWAS, da Academia de Ciência do Terceiro Mundo em Trieste (Itália), em 1987, e da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1978, além de várias medalhas. Faleceu em 2005, aos 80 anos.

Outra cientista de origem italiana com destaque no Brasil foi Daniela Lazzaro, bacharel em astronomia pela Universidade de São Paulo em 1983. Doutorou-se em Ciências em 1988, especializando-se no sistema solar. Assumiu a coordenação de vários projetos sobre asteroides, cometas e satélites, a astrofísica de pequenos corpos do sistema solar, a formação e evolução dos sistemas planetários.

Os italianos foram um dos muitos povos que se dirigiram para o Brasil no século 19. Aqui, com a vontade de começar um novo capítulo em suas vidas, contribuíram imensamente para o progresso econômico do país, servindo de mão-de-obra na agricultura e em serviços urbanos, e intelectualmente, sendo pioneiros em pesquisas e nos brindando com importantes figuras da nossa intelectualidade.



FONTES: Brasil: 500 anos de povoamento/ IBGE, Centro de Documentação e Disseminação de Informações. 2°.ed. Rio de Janeiro, IBGE, 2007.

BIGAZZI, Anna Rosa Campagnano. Italianos: história e memória de uma comunidade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://commons.wikimedia.org/










Nenhum comentário:

Postar um comentário