segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Poder Divino: o Absolutismo na Europa


O Absolutismo pode ser definido como um sistema político no qual todos os poderes estão centralizados nas mãos do rei. Esse sistema vigorou na Europa entre os séculos 15 e 18.

Durante a Idade Média, quando predominava o Sistema Feudal, os reis cumpriam apenas funções militares e políticas. Seus poderes eram limitados pelos senhores feudais, donos das terras onde viviam. 

Como foi visto na postagem As origens do Feudalismo, o poder na Europa era baseado em alianças recíprocas entre chefes e guerreiros, o que acabava criando um poder descentralizado. A centralização do poder só foi possível com a união entre reis e a burguesia (a burguesia dava capitais para a nobreza e, em troca, recebia benefícios comerciais). Esse processo se iniciou no século XI e deu origem à países como França, Inglaterra e Espanha.

Para consolidar o Regime Absolutista, foram criadas várias teorias, algumas com bases políticas e outras voltadas para o poder divino. O principais teóricos foram Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, Hugo Grotius, Jacques Bossuet e Jean Bodin. Maquiavel, em sua obra O Príncipe, afirma que o soberano não deve medir esforços para governar, pois "os fins justificam os meios". O interesses reais devem ser superiores a qualquer valor cultural ou social de um povo; e os súditos devem cumprir seus mandos e desmandos.

Em Leviatã, Hobbes diz que o homem, em seu estado natural, é egoísta, instintivo e ambicioso - "O homem é o lobo do homem". Em síntese, o homem viveria em conflito com o próximo e, para que isso fosse evitado, seria necessária a intervenção do Estado, a autoridade inquestionável. 

Hugo Grotius, autor de Direito da Paz e da Guerra, lança nessa obra os fundamentos do Direito Internacional, no qual prevalece um governo despótico e o poder ilimitado do Estado. Jacques Bossuet, com Política Segundo as Sagradas Escrituras, influenciou o absolutismo francês, afirmando que o rei é um representante de Deus na Terra. Bodin cria a teoria do poder indivisível, isto é, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário estariam nas mãos do monarca, que só se submeteria às leis naturais divinas.

O Absolutismo Inglês tem início após a Guerra dos Cem anos e a Guerra das duas Rosas. Duas famílias vão governar o país nesse período: Os Tudor e os Stuart. A primeira família, com o apoio da burguesia e do Parlamento, conseguiu centralizar o poder e governar a Inglaterra por mais de um século. Henrique VIII, principal monarca dessa dinastia, rompeu com a Igreja Católica e criou o Anglicanismo, religião oficial da Inglaterra. Sua filha, Elisabeth I, impulsionou o desenvolvimento das atividades marítimas. Nessa época, perseguidos religiosos ingleses começam a ocupar a América do Norte.

Em 1648, durante o governo Stuart, o Parlamento e a burguesia, comandados por Oliver Cromwell, deram um golpe na monarquia. Cromwell criou os Atos de Navegação, pelo qual as mercadorias importadas pelos países europeus fossem transportadas apenas por navios do próprio país ou da Inglaterra. O último rei absolutista, Jaime II, foi deposto em 1688, quando ascendeu ao poder o holandês Guilherme de Orange. O fim do absolutismo inglês ficou marcado pelo Poderio Parlamentarista. O rei reina, mas não governa.

Na França, os Capetíngios iniciaram o processo de formação do Estado centralizado, criando um poderoso exército e saindo vitoriosos em conflitos contra os ingleses. O primeiro-ministro do rei Luís XIII, Armand Jean du Plessis, o Cardeal de Richelieu, articulou estratégias para o fortalecimento do poder real: controlou a nobreza e depois se envolveu na Guerra dos Trinta Anos, com o intuito de aumentar a influência na Europa.

Luís XIV, o "Rei Sol", é o rei mais conhecido desse país.  Luís sustentou-se na teoria do governo divino, se considerando um representante de Deus na terra. A frase mais conhecida de Luís dava uma ideia de seu governo: "O Estado sou eu!". A política externa do país ficou marcada por constantes conflitos, principalmente de embates entre católicos e protestantes. Enquanto a população sofria com a miséria e a cobrança de altos impostos, foi iniciada a construção do Palácio de Versalhes.

As péssimas condições de vida da maioria da população, o descontentamento da burguesia, os ideais iluministas, etc; levaram o absolutismo francês à decadência em 1789, com a Revolução Francesa.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://jardimdasreflexoes.blogspot.com.br/









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