quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Sob duas coroas: a União Ibérica



Na segunda metade do século 16, Portugal empreendeu investidas militares no Marrocos. O jovem D. Sebastião, com um exército de mais de 17 mil homens, desembarcou no Tânger, na África, e caminhou até Larache, cidade costeira do Marrocos. O exército português, sem experiência, sucumbiu junto com seu rei diante das forças mouras na Batalha de Alcazer-Quibir, em 1578.

Portugal perdeu seu exército, seu rei e o dinheiro para se reerguer. O único herdeiro vivo de D. Sebastião era seu tio-avô, o cardeal D. Henrique, único filho vivo de D. Manuel I, que já estava com a idade bastante avançada. Henrique governou durante 2 anos, vindo a falecer em 1580, sem deixar sucessores.

O trono ficou vago, e alguns netos de D. Manuel I se candidataram a ocupar o cargo: D. Catarina, Duquesa de Bragança, filha de D. Duarte, Duque de Guimarães; D. Antônio, Prior do Crato, filho de D. Luís, Duque de Beja; e Filipe II, rei da Espanha, filho de D. Isabel.

A disputa ficou entre D. Antônio e Filipe da Espanha. Antônio, querido pelo povo, não chegou ao cargo porque sua mãe era cristã-nova (judeu convertido ao Cristianismo). Felipe, invadindo Portugal com um grande contingente militar e comprando a corte portuguesa e a burguesia, venceu a disputa.

Reconhecido como rei pelas Cortes de Tomar, Filipe II da Espanha foi coroado Filipe I de Portugal, em 1581. As duas coroas, portuguesa e espanhola, foram unidas, criando um grande império colonial que duraria 60 anos. Ficaram garantidas a autonomia administrativa de Portugal e seus territórios.

Inglaterra e Holanda eram inimigas da Espanha e, como resposta à união ibérica, começaram a invadir as possessões coloniais portuguesas. Foram invadidos territórios na Ásia, na África e no Brasil, maior colônia portuguesa (os holandeses foram os principais invasores, dominando Salvador, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe).

No Brasil,  o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, passou a ser ignorado e os portugueses, aproveitando a situação, expandiram suas posses para o Sul e o Oeste. Nesta última região, se iniciaram as expedições conhecidas como Entradas, por ordem da Coroa; e as Bandeiras, realizadas por particulares. Os bandeirantes procuravam metais preciosos e índios para serem escravizados.

Portugal sofria com a cobrança de altos impostos e com a invasão de suas colônias. Os holandeses, principais inimigos da Coroa, dominariam Olinda e Pernambuco por 24 anos, de 1630 a 1654. Em 1639, o clero e a nobreza, camadas importantes da sociedade lusitana, apoiaram o povo em um movimento de contestação ao domínio espanhol. 

O Duque de Bragança foi aclamado rei em 1° de Dezembro de 1640, com o nome de D. João IV, após uma rebelião em Lisboa. Acabava a União Ibérica e tinha início a Dinastia de Bragança, que governaria por quase trezentos anos.



FONTE: FROTA, Guilherme de Andre. 500 anos de História do Brasil. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed., 2000.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.raiadiplomatica.com/




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