sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Um antigo problema do Amazonas: buscar outras alternativas de desenvolvimento

Vista aérea do Polo Industrial de Manaus.

O Amazonas continua repetindo erros tão antigos quanto sua História. O Estado de grandes dimensões territoriais, lar de 16% da reserva de água doce do mundo; de cidades com grande potencial de crescimento, de minérios, fauna e flora abundantes e produtos naturais, importa quase 80% do que consome. Isso ocorre desde os tempos da colonização, quando predominava a monocultura e eram deixadas de lado áreas importantes para o desenvolvimento interno.

Nos tempos coloniais e provinciais, o Amazonas sobrevivia da extração das Drogas do Sertão, produtos de alto valor comercial extraídos da floresta (salsaparrilha, anil, piaçava, sementes oleaginosas, madeiras e urucu). Toda a força de trabalho era empregada na coleta desses gêneros, fazendo com que outras atividades, como a indústria e a agricultura, ficassem abandonadas. Quase tudo que era consumido vinha de Províncias vizinhas. Isso foi motivo de reclamação de vários presidentes que governaram a Província.

" A colheita de productos silvestres, sejam quaes forem as circumstancias é altamente prejudicial ao trabalhador e ao emprehendedor. A primeira vista parece conveniente, e lucrativa a apropriação pura e simples das riquesas naturaes (...) Colher um producto valioso, sem ter empregado capitaes, é o que se reputa bom negócio, apesar da experiência diaria provar o contrario (...) desperdício de tempo é tão grande, o trabalho tão precário e tão arriscada a sorte do trabalhador, que em resumo, os productos naturaes vêem a sahir mais caros do que se fossem cultivados (...) (Moura, Sinval Odorico.  Relatório à Assembléia Provincial do Amazonas. 25-03-1863).

Por volta de 1850, um novo produto iria figurar como o principal na pauta de exportação amazonense: a borracha. A produção de borracha da Amazônia foi responsável por 40% das exportações brasileiras. Novamente, todas as atenções ficaram voltadas para o extrativismo. O Amazonas e a região como um todo foram inseridos no mercado capitalista. No entanto, Brasil perdeu o monopólio da produção de borracha por volta de 1912, quando a produção inglesa, planejada e cultivada, ultrapassou as exportações da região Amazônica. Esse foi o primeiro sinal de que, viver apenas de uma atividade econômica, é algo muito perigoso.

Sem querer quebrar uma lógica cronológica e regional, temos como exemplo atual a falência da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, que após mais de 70 anos como maior centro mundial da indústria automobilística, declarou uma das piores falências do país em 2013, por não suportar outros concorrentes, com uma dívida que varia entre os 18 e 20 bilhões de dólares.

O governo federal e a quase decadente elite regional buscam a reconstrução do Amazonas: Passados o efêmero ciclo da borracha e a rápida recuperação durante da Segunda Guerra, o estado vivia mais de 30 anos em recessão econômica. Em 1967, em plena Ditadura Militar, foi instalada a Zona Franca de Manaus, uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais. Esse foi um modelo bastante popular em outros continentes na década de 1960. A Zona Franca, atualmente, é a principal fonte de renda do Estado do Amazonas. Os dirigentes e empresários repetem o mesmo erro: importamos farinha, peixes, frutas e cheiro-verde. Tudo isso, com um pouco de vontade política, apoio ao agricultor e modernização do campo, poderia ser produzido aqui em larga escala.

Quando se fala em perder a Zona Franca, todos os políticos esquecem seus partidos e se unem para prorrogar esse modelo de desenvolvimento. Porquê? Por que valoriza-se mais a quantidade (altos lucros) do que a qualidade (desenvolvimento). Esse é o maior erro de todos. Podemos fazer o exercício mental, por exemplo, de imaginar Manaus e outros municípios vivendo do turismo, da agricultura, de áreas diversas. No entanto, sabemos como elas são mal aproveitadas. Quem sabe, se sofrermos outro baque como o de 1912, os políticos se conscientizem de que o Amazonas precisa aprender a andar com as próprias pernas, aproveitando melhor seu potencial natural e investindo mais em outras áreas.



CRÉDITO DA IMAGEM: www.suframa.gov.br

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