sábado, 13 de setembro de 2014

A participação das mulheres na Independência da América Latina



Os textos mais acessados no História Inteligente são os que se referem à participação das mulheres em importantes fatos históricos, como por exemplo: a Revolução Francesa, as duas grandes guerras, etc. Isso se explica pelo fato que, a História da mulher, pouco abordada ou ignorada pela historiografia tradicional, é uma lacuna que está sendo preenchida aos poucos.

Durante o processo de Independência da América Latina, a mulher teve grande importância para a consolidação do processo. Sua participação é relatada em biografias e romances escritos por autores pouco valorizados ou desconhecidos. No exército, as mulheres, acompanhando seus filhos e maridos, serviam como costureiras, lavadeiras e cozinheiras.

Um fato recorrente nos textos antigos é a presença de mulheres que se disfarçavam de soldado e lutavam pelo fim da dominação estrangeira. No Brasil, o maior exemplo que temos de guerreira é a jovem baiana Maria Quitéria, que lutou bravamente como soldado na Guerra da Independência. Terminado o conflito, foi condecorada por Dom Pedro I com a ordem do Cruzeiro e promovida a alferes.

Os exemplos abaixo foram retirados do livro A América Latina no século XIX: Tramas, Telas e textos, da historiadora Maria Ligia Coelho Prado, especialista em História da América Latina; e são de mulheres que atuaram como soldados, mensageiras e financiadoras dos insurgentes.

Manuela Pedraza, conhecida por La Tucumana, lutou ao lado do marido contra a invasão inglesa de Buenos Aires, em 1806, recebendo o grau de tenente. Maria Remedio del Valle, portenha, fazia parte dos exércitos de San Martín no Peru e participou de muitas batalhas. Na decisiva batalha de Boyacá, em 1819, Evangelista Tamayo, natural de Tunja, lutou sob as ordens de Bolívar, morrendo em 1821, com a patente de capitão (p. 37).

Juana Azurduy de Padilla, nascida em Chuquisaca (Sucre), em 1780, liderava com o marido, homem de posses e dono de fazendas, um grupo de guerrilheiros (...). Participou de 23 ações armadas, algumas sob seu comando, perdendo ao ao longo desses embates todos os seus bens (p. 37).

Nem todas as mulheres que participavam desse processo vinham de famílias abastadas. Algumas, mestiças e de origem mais simples, atuavam como mensageiras e oradoras. Várias delas foram descobertas, sendo que algumas sofreram castigos e outras foram condenadas à morte.

Em Nova Granada, Policarpa Salavarrieta, La Pola, (...) levava informações sobre os realistas aos rebeldes armados. De família simples, trabalhava como costureira. Nascida na pequena cidade de Guaduas, desde muito jovem tomou o partido dos insurrectos (...) Presa e julgada, foi condenada à morte, juntamente com outros oito homens, entre eles seu noivo. O fuzilamento ocorreu na praça principal de Bogotá, no dia 14 de novembro de 1817 (p. 40).

Juana Mora de López, de Salta, que levava informes aos rebeldes; ficou conhecida como La Emparedada, porque os realistas a condenaram a morrer de fome em sua casa, cujas portas e janelas foram lacradas; entretanto, os vizinhos derrubaram a parede que dividia as casas, e ela se salvou (p. 41).

Cornelia Olivares, nascida em Chilán, sul do Chile, destacou-se por ter grande habilidade em oratória, fazendo discursos sobre a liberdade em vários salões e também em praça pública (...) Acabou sendo presa. Na prisão, teve a cabeça raspada e, como castigo maior, foi assim exposta "à vergonha pública", na praça principal de Chilán (p. 42).

Esses foram apenas alguns exemplos das mulheres que lutaram e se sacrificaram pela independência da América Latina. Atraídas pelo movimento insurgente, romperam com a ordem vigente da época,  mostrando sua sensibilidade política, servindo como soldados, mensageiras, oradoras e financiadoras. Conclui-se que sua participação foi expressiva e de total importância para que a América se tornasse livre; e que a História da mulher, assim como outras, é uma lacuna que está sendo preenchida aos poucos.



CRÉDITO DA IMAGEM: www.dialogosdosul.org.br










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