domingo, 14 de setembro de 2014

A vida nas antigas cidades árabes

A Grande Mesquita de Kairouan, na Tunísia.

Os camponeses árabes produziam o necessário para a sua sobrevivência. Mas, quando surgiam outras necessidades de consumo, estes trocavam parte da produção que excedia por produtos manufaturados ou outros tipos de alimentos. As negociações eram feitas em feiras regulares, que aconteciam uma vez por semana ou por ano.

Com o passar do tempo, essas feiras tornaram-se pequenos vilarejos, lugares fixos onde se encontravam pequenos mercadores e artesãos. Quem controlava esses locais eram chefes tribais, que constantemente entrava em conflito pela posse do território.

Além desses pontos de encontro, existiam locais que eram pontos de complexas e intensas trocas comerciais. Alepo, no norte da Síria, por exemplo, era local de encontro para os que vendiam ou compravam cereais das planícies sírias interiores, a produção das árvores frutíferas e florestas dos morros ao norte, carneiros criados nos morros e camelos nas vastidões do deserto da Síria (HOURANI, 1991, p. 120-121). Geralmente, localizavam-se perto do mar, rio, ou rotas do deserto que a ligavam a outros vilarejos.

Aos poucos, surgiam grandes cidades nos domínios islâmicos: Córdoba, Sevilha e Granada em Andalus, Fez e Marrakesh no Marrocos, Kairuan e depois Túnis na Tunísia, Fustat e depois Cairo no Egito, Damasco e Alepo na Síria, Meca e Medina na Arábia Ocidental, Bagdá, Mosul e Basra no Iraque, e além delas as cidades do Irã, Transoxiana e norte da Índia (HOURANI, 1991, p. 121).

Muitas dessas cidades eram maiores que as do mundo ocidental, ultrapassando cifras de 250 mil habitantes, enquanto cidades como Paris, Florença e Veneza não ultrapassavam os 100 mil. Os componentes sociais que formavam as camadas urbanas eram os grandes mercadores, negociantes de produtos altamente valiosos como porcelanas e especiarias; lojistas e artesãos, donos de oficinas, perfumarias e ourivesarias; e varredores de rua, ambulantes e proletários semi-empregados.

Para controlar a vida das cidades, existia a Charia, o direito islâmico, no qual religião e direito andavam lado a lado. Com base nos ensinamentos do Alcorão, a Charia era responsável por todos os aspectos da vida cotidiana, como o comércio, política, economia, conduta, sexualidade, etc. O poder era e continua sendo representado pelos Ulemá, sábios religiosos que cumprem a função de autoridade e detêm conhecimentos em filosofia, teologia e hermenêutica alcorânica.



FONTE: HOURANI, Albert Habib. Uma história dos povos árabes. 1991, Companhia de Bolso: São Paulo.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.arabesq.com.br/



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