segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Açúcar que adoça e enriquece

Reprodução de um Engenho de açúcar, no Nordeste, em 1816. Henry Koster.

A cana-de-açúcar foi responsável pelo segundo grande ciclo econômico do Brasil colônia. O açúcar brasileiro, altamente valorizado no mercado internacional, despertou o interesse de países estrangeiros como a Holanda, que dominou o Nordeste, principal área produtora, por 24 anos. O plantio de cana fez o homem fixar-se na terra recém descoberta, que até então era utilizada apenas para fornecer pau-brasil.

O açúcar, originário da Índia, foi levado para a Europa nas caravanas de comerciantes árabes. Antes disso, as pessoas adoçavam seus alimentos e bebidas com mel de abelha. Considerado uma especiaria por causa de seu alto preço, tornou-se um artigo de luxo, que só fazia parte da mesa dos mais afortunados. A popularização do produto só foi possível graças a produção em larga escala na América Portuguesa.

No Velho Mundo, os pioneiros no cultivo da cana foram os portugueses, que implantaram canaviais na Ilha da Madeira e na Ilha de Cabo Verde. Portugal exportou milhares de arrobas de açúcar para vários países, e pretendia também expandir o cultivo do produto para seus outros domínios.

No Brasil, a cana-de-açúcar foi introduzida por Martim Afonso de Souza na Capitania de São Vicente, onde foram instalados os primeiros engenhos. O cultivo logo se expandiu para outras capitanias, fazendo sucesso principalmente em Pernambuco, onde o clima quente e úmido e o solo de massapé ofereciam condições para a produção em larga escala.

Casa Grande, residência do latifundiário e símbolo da riqueza proporcionada pelo açúcar.

O historiador pernambucano Leonardo Dantas Silva, em artigo publicado no blog Besta Fubana (www.bestafubana.com), afirma que o senhor de engenho, aristocrata rural, "era um verdadeiro senhor feudal transplantado da Europa e adaptado às condições dos trópicos". O senhor de engenho era um particular que recebeu terras para o estabelecimento dessa monocultura. Em uma sociedade patriarcal, esse proprietário tinha grande influência sobre a mulher, filhos, escravos, agregados e todos os que viviam em seus domínios. Além de dono do engenho, ele fazia parte das Câmaras Municipais, núcleos administrativos das vilas e povoados. Isso garantia a expansão de sua área de influência.

Instalar um engenho, comprar materiais como moendas, tachos de cobre e embarcações, eram investimentos caros. Para resolver esse problema, aparecerem os holandeses, que em troca do financiamento, exigiam o direito de refinar, transportar e distribuir o produto na Europa. A mão de obra utilizada nos engenhos era predominantemente indígena. No entanto, o nativo costumava fugir ou morrer por causa do trabalho pesado. A solução foi optar pela mão de obra escrava africana. Os escravos, além de servirem com sua força braçal, garantiam bons lucros para os envolvidos no tráfico.

O engenho incluía a Casa Grande, residência do senhor de engenho e sua família; a Senzala, lar dos escravos; a Capela e a casa do engenho. Nesta última, ficava a moenda, as fornalhas e a casa de purgar.

Até que o ouro branco tomasse forma, ele passava por várias etapas. Primeiro, a cana era era cortada e transportada até a moenda (movida por força hidráulica ou animal), onde era triturada; depois, o caldo extraído era cozido na casa das caldeiras até virar melado; na casa de purgar, o melado era colocado em formas cônicas tapadas com barro, e suas impurezas saíam por meio de um orifício localizado na parte inferior do recipiente. Ai ficava até cristalizar, formando os famosos pães de açúcar; Por último, o açúcar cristalizado era quebrado e encaixotado.

Bandeira da Companhia das Índias Ocidentais.

Conforme consta em O Livro de Ouro da História do Brasil, de Mary Del Priore e Renato Pinto Venâncio, a diversidade de ofícios na empresa açucareira era grande: mestres de açúcar, purgadores, caixeiros, calafates, caldeireiros, carpinteiros, pedreiros, barqueiros, entre outros. Nas principais cidades, localizadas no litoral, existiam mercadores, roceiros, artesãos e lavradores de roça de subsistência.

A relação entre holandeses e portugueses se rompeu a partir da União Ibérica (1580-1640). A Holanda, inimiga da Espanha, comandou incursões militares contra o Brasil, com o objetivo de dominar, por meio da Companhia das Índias Ocidentais, o comércio açucareiro. No ano de 1624 ocorreu a posse de Salvador, que durou um ano, e em 1630 eles tomam Pernambuco, controlando quase todo o Nordeste por 24 anos. Durante a administração do conde Maurício de Nassau, a produção de açúcar atingiu se apogeu. Foram melhorados engenhos, cidades e estimuladas as Artes e Ciências. Para garantir o abastecimento de escravos, foram conquistadas possessões portuguesas na África.

O Brasil perdeu o monopólio sobre o açúcar quando os holandeses foram expulsos daqui. A partir de 1645, a Companhia das Índias Ocidentais passou a cobrar o pagamento dos empréstimos feitos aos senhores de engenho. Esse dinheiro era essencial para a Holanda, que lutava contra a Espanha pela independência dos Países Baixos. Quem não pagava, tinha sua propriedade apreendida pelas autoridades holandesas. Os colonos brasileiros começaram a se opor ao domínio holandês e, comandados por Filipe Camarão e Henrique Dias, derrotaram os holandeses nas batalhas das Tabocas e Guararapes. O último confronto foi a batalha da Campina da Taborda, ocorrida em 1654.

Expulsos do Brasil, os holandeses foram cultivar cana nas Antilhas. O produto se adaptou a região, que passou a produzir um açúcar de ótima qualidade e por um preço baixo. Em pouco tempo, a produção Antilhana ultrapassou a produção portuguesa, que começou a entrar em declínio.



CRÉDITO DAS IMAGENS: www.wikimedia.org
                                        www.klepsidra.net
                                        www.bahia.ws








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