domingo, 7 de setembro de 2014

Entre o açúcar e o ouro: a Pecuária

 
Feira de gado. Ilustração de Percy Lau.

A pecuária surgiu como uma atividade intermediária entre a produção de açúcar e a descoberta de ouro nas Minas Gerais. As primeiras cabeças de gado foram introduzidas no Brasil por D. Ana Pimentel, esposa de Martim Afonso de Sousa, que as trouxe das ilhas de Cabo Verde para a Capitania de São Vicente. Tomé de Sousa, governador-geral entre 1548 e 1551, recebeu na Bahia a caravela Galga, abastecida de gado.

Tanto em São Vicente como no Nordeste, esses animais serviam como fonte de alimento, transporte, força de trabalho (principalmente nas moendas) e fornecedores de couro. Em pouco tempo, o gado começou a se espalhar pelo litoral, destruindo canaviais e prejudicando a terra. Para evitar esse problema, foi criada uma lei que proibia a atividade pastoril no litoral. Com isso, as criações foram empurradas para o interior da colônia, o que ocasionou a ocupação de lugares antes desabitados.

O gado rumou para o rio São Francisco, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Maranhão, Tocantins e Paraná. Os Jesuítas trouxeram do Rio da Prata gado para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Toda a produção de carne e de couro era destinada ao abastecimento do mercado interno.

Roberto C. Simonsen, em História econômica do Brasil: 1500-1820 (p. 239) afirma que a mineração produziu uma rápida concentração de populações em zonas pouco férteis, provocando uma grande procura de alimentação e crises terríveis de fome. Como solução, os mineradores de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais passaram a ser abastecidos com reses dos criadores do vale do São Francisco e sertões do Nordeste. 

O gado passou a se consumido em grandes quantidades. Os dados abaixo foram retirados do livro Formação do Brasil Contemporâneo (p. 186), de Caio Prado Júnior, que utilizou como base relatórios e livros escritos entre os séculos 18 e 19.

"Mais de 20.000 bois, chegados de um sertão remoto, eram consumidos anualmente só na cidade da Bahia. Em São Luís do Maranhão, também vindos de longe, abatiam-se 6.000 por ano, em princípios do século passado. Belém do Pará, com 13.000 habitantes apenas, em 1828, consome 11.000 cabeças".

A figura mais importante desse período foi o Tropeiro, viajante que, com sua tropa de mulas, carregadas de mercadorias,  abria estradas e criava um intercâmbio comercial entre o litoral (São Vicente, Salvador, etc) e as vilas e povoados do interior. Além de mercadores, os tropeiros também tinham a função mensageiros, pois os criadores de gado e mineradores estavam isolados das grandes cidades.

Ao longo das estradas, surgiram as feiras, onde os tropeiros, criadores de gado e outros comerciantes compravam e vendiam produtos. Várias cidades surgiram nesses pontos, das quais as principais foram: Feira de Santana, na Bahia, Belo Horizonte (Curral del Rei), Pastos Bons, no Maranhão, Oeiras (Freguesia da Mocha), no Piauí, e Ilha do Gado Bravo, no rio São Francisco.

Incorporado aos hábitos alimentares, misturado com a farinha de mandioca ou em forma de carne de sol, o gado também estimulou o surgimento de manifestações culturais como o Bumba meu boi, surgido nas últimas décadas do século 18, em engenhos e fazendas.



CRÉDITO DA IMAGEM: www.consciencia.org























Nenhum comentário:

Postar um comentário