domingo, 7 de setembro de 2014

Fim da Monarquia no Brasil: os fatores que levaram a queda do Império



A Monarquia vigorou no Brasil de 1822 a 1889, datas, respectivamente, da Independência frente à Portugal e da Proclamação da República. Durante esse regime, o país ficou marcado pelo surgimento de ciclos econômicos, imigração em massa, conflitos internos e guerras com nações vizinhas (Guerra do Prata, Guerra do Uruguai e Guerra do Paraguai).

O Império do Brasil, a partir de 1870, passou a entrar em conflito com diferentes setores da sociedade (Exército, Igreja e proprietários de escravos). Além desses fatores, existia o movimento republicano, ativo no país desde o final do século 18, quando explodiram movimentos como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana.

A Escravidão


A abolição da escravidão abalou as relações entre o Império e os proprietários de escravos. Em 1871, o governo a Lei do Ventre Livre, que considerava livres todos os filhos de escravas nascidos a partir da data da lei. Poderiam ficar aos cuidados dos senhores até os 21 anos de idade ou entregues ao governo. Em 1885 foi instituída a Lei dos Sexagenários, pela qual todos os escravos com mais de 65 anos ficavam livres.

Em 1888, com a Abolição da Escravidão, houve o rompimento definitivo entre os senhores de escravos e o governo Imperial. A partir de então, muitos grupos escravistas passaram a apoiar a causa republicana.


Movimento Republicano

Como já foi dito no início ,as ideias republicanas já faziam parte de vários movimentos desde o século 18. Mas só foi a partir de 1870 (com o fim da Guerra do Paraguai) que o movimento republicano estruturou-se de forma concreta.

Nesse ano, líderes republicanos do Rio de Janeiro lançaram o Manifesto Republicano, que num de seus trechos declarava: Somos da América e queremos ser americanos. Era uma referência ao fato de o Brasil ser o único país que mantinha o regime monárquico no continente americano.

Em 1873 foi fundado o Partido Republicano Paulista, na Convenção de Itu, em São Paulo. Esse partido foi apoiado por importantes fazendeiros de café de São Paulo e logo passou a contar com seguidores no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.


Igreja

Em 1872, D.Vidal e D.Macedo, bispos de Olinda e de Belém, respectivamente, seguindo ordens do Papa Pio IX, que instaurou a bula Syllabus (que proibia relações entre a Igreja e a Maçonaria). puniram religiosos ligados à Maçonaria. D.Pedro II, atendendo a pedidos de grupos maçônicos, solicitou aos bispos que suspendessem as punições. Como eles se recusaram a obedecer ao imperador, foram condenados a quatro anos de prisão e trabalhos forçados.

A punição gerou grande revolta entre os católicos. Para superar a crise, os bispos receberam o perdão imperial em 1875 e foram libertados, mas o episódio abalou definitivamente as relações entre a Igreja e o Imperador.


Exército


Depois da Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro foi adquirindo maior força e expressão política dentro da sociedade brasileira. O governo monárquico, no entanto, não se apercebia dessa mudança nem a valorizava, pois até então não precisava desse corpo militar organizado para se manter no poder, pois podia contar com a Guarda Nacional, criada em 1831. Nas decisões políticas, o poder dos civis era enorme em relação ao dos militares.

Parte dos oficiais do Exército não se conformava com a situação e pretendia influir mais ativamente na vida pública, acreditando no patriotismo do Exército como meio para conseguir a "Salvação Nacional". Eles reivindicavam aparelhamento dos quartéis, melhores soldos e etc. Mas os políticos tradicionais do Império mantinham descaso, punindo até mesmo importantes oficiais que tornavam públicas suas denúncias de corrupção no governo ou suas censuras a escravidão.

Foi em meio a essa situação que, em 1884, altos chefes do Exército (como o Marechal Deodoro da Fonseca) revoltaram-se contra as punições aos oficiais que se expressavam publicamente. A partir de 1887, os militares passaram a se organizar fora dos quartéis, nos chamados clubes militares, que se tornaram as bases de um grande movimento de oposição a Monarquia.

Vale lembrar que, o Brasil, por ser a única monarquia da América Latina naquele longínquo 1889, sofria pressão de seus países vizinhos, que adotaram após suas independências o modelo republicano.



FONTES: FARIA, Ricardo Moura de; MIRANDA, Mônica Liz; CAMPOS, Helena Guimarães. Estudos de História. - 1° ed. São Paulo: FTD, 2010.

COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral. Vol. 2. São Paulo: Saraiva, 2010.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.paulocannizzaro.com.br/

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