sábado, 27 de setembro de 2014

O Brasil e o Holocausto: o posicionamento da diplomacia brasileira

Campo de concentração de Auschwitz  II (Birkenau), 1943.

A 3° edição da revista História em Foco, de 2014, traz uma série de textos sobre o Holocausto. Além do genocídio nazista, também é abordado o Holocausto brasileiro, quando cerca de 60.000 pacientes morreram no hospício de Barbacena, em Minas Gerais. Abaixo, irei transcrever o texto O Brasil e o Holocausto: Posicionamento da diplomacia brasileira dificultou a entrada de judeus refugiados.

O Holocausto foi responsável pela fuga de milhões de judeus que moravam na Europa, principalmente em países ocupados pelo regime nazista, como Alemanha, Polônia e Áustria. O Brasil foi o destino escolhido por muitos deles, embora o governo na época impusesse diversas restrições à entrada a fim de impedir a entrada.

De acordo com a professora Maria Luiza Tucci Carneiro, a partir de 1930, a imigração judaica cada vez mais era encarada como um problema para o governo do então presidente Getúlio Vargas, que chegou a classifica-la como indesejável. "A partir de 1937, durante o regime autoritário e nacionalista que caracterizou o Estado Novo, o controle imigratório tornou-se seletivo e, inclusive, racista", ressalta.

"O Estado interferiu no processo civilizatório brasileiro, valendo-se do conhecimento de intelectuais, médicos, antropólogos, bacharéis, escritores, artistas e técnicos, dentre outros profissionais. Estes, enquanto adeptos de um pensamento intolerante e eugenista, foram convocados para opinar acerca dos focos de enfermidades que assolavam a cidade e o campo", explica a professora. Com essa análise, grupos indesejáveis, como judeus, negros, japoneses e ciganos eram considerados parasitários pelo governo.

Mesmo com a participação brasileira na Conferência de Evian (1938), em que foi tratada a questão imigratória dos judeus, o país não cumpriu seu compromisso em ajudar os refugiados, mantendo secretamente sua política restritiva. "A partir de 1941, com Francisco Campos à frente do Ministério da Justiça, o discurso e as ações antissemitas fecharam ainda mais o círculo contra os judeus expressando a conivência do governo com as práticas genocidas praticadas pelos nazistas. Em vez de salvar, o Brasil fechou as portas para os judeus até 1948", esclarece Maria Luiza.

Para sair da Alemanha, os judeus poderiam carregar consigo somente nove Marcos Alemães e carregar o mínimo de roupas e objetos. Isso porque todos os seus bens eram confiscados pelo governo nazista. Quem entrasse no Brasil com visto de turista tinha uma situação mais delicada, pois não podia portar muita bagagem e comprovar seu retorno ao país de origem apresentando passagem de ida e volta.

A professora lembra que os refugiados sobreviviam graças à ajuda de outros judeus que moravam no Brasil. "O governo nunca ajudou os judeus refugiados, mesmo sabendo das perseguições e dos riscos de vida que haviam sofrido na Alemanha e países ocupados. Os judeus foram ajudados por sua comunidade radicada no país desde o século XIX".



CRÉDITO DA IMAGEM: www.historiadigital.org

Nenhum comentário:

Postar um comentário