sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O Rio de Janeiro continua lindo

Baía de Botafogo, 1822.

Depois da Abertura dos Portos às Nações, em 1808, a presença de estrangeiros se tornou frequente no país. Vários viajantes estrangeiros, das mais diversas formações e nacionalidades, produziram relatos sobre a fauna, a flora, os hábitos e costumes do Brasil oitocentista. Reproduzo aqui um breve relato do botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaìre sobre os arredores do Rio de Janeiro, que, na sua opinião, era o lugar mais belo do mundo. Um abraço aos amigos e leitores do Rio de Janeiro.


''Nada no mundo, talvez, haja tão belo quanto os arredores do Rio de Janeiro. Durante o verão, é o céu, ali, de um azul escuro que no inverno se suaviza para o desmaiado dos nossos mais belos dias de outono. Aqui, a vegetação nunca repousa, e em todos os meses do ano, bosques e campos estão ornados de flores.

Florestas virgens, tão antigas quanto o mundo, ostentam sua majestade às portas da capital brasileira a contrastarem com o trabalho humano.

As casas de campo, que se avistam em redor da cidade, não têm magnificência alguma; pouco obedecem às regras da arte, mas a originalidade da sua construção, contribui para tornar a paisagem mais pitoresca.

 Quem poderá pintar as belezas ostentadas pela baía do Rio de Janeiro, esta baía que, segundo o almirante Jacob, tem a capacidade de todos os portos europeus juntos? Quem poderá descrever aquelas ilhas de formas tão diversas que de seu seio surgem, essa multidão de enseadas a desenhar-lhes os contornos, as montanhas tão pitorescas que as emolduram, a vegetação tão variada que lhes embeleza as praias?!''


SAINT-HILAÌRE, Auguste de. Segunda viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e São Paulo. 2° edição, São Paulo: Editora Companhia Nacional, 1938, p. 20.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.pinacoteca.org.br/

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