domingo, 16 de novembro de 2014

Rio de Janeiro, a cidade da Corte

Rio de Janeiro em 1808.

A vinda da Família Real para o Brasil, em 1808, mudou completamente a vida dos habitantes do Rio de Janeiro, cidade escolhida para acolher a nobreza portuguesa e outras 15.000 pessoas afugentadas de Portugal pelas ameaças de Napoleão Bonaparte. O Rio de Janeiro, capital da colônia desde 1763, precisava ser reestruturado para sua nova função: Sede do Império Português.

Em Salvador, onde a esquadra da Família Real aportou antes de ir para o Rio, D. João VI decretou a Abertura dos Portos às Nações amigas, que autorizava o comércio com as nações amigas de Portugal. Esse decreto pôs fim ao sistema do pacto colonial, no qual a colônia negociava apenas com sua metrópole. 

O Alvará de 1785, que proibia a construção de indústrias e manufaturas na colônia, foi abolido. Em pouco tempo, o Brasil passou a ter fábricas de tecidos, cordas e barcos. D. João VI autorizou a abertura de estradas para interligar e melhorar a comunicação entre diferentes regiões.

Já no Rio de Janeiro, onde chegam em 07 de março na Baía da Guanabara e desembarcam no dia seguinte, são assinados os tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade), que eram altamente favoráveis à Inglaterra, que ganhava privilégios comerciais e políticos. Nos primeiros anos da instalação da Família Real, são fundadas várias instituições culturais e econômicas: a Imprensa Régia (1808), Banco do Brasil (1808), a Biblioteca Real (1810), o Jardim Botânico (1810), a Academia Militar (1810), o Real Teatro de São João (1812), Museu Real (1818) e outras academias científicas.

Viajantes estrangeiros, das mais diferentes formações e nacionalidades, favorecidos pelo decreto das Nações Amigas, divulgavam, mesmo que de forma etnocêntrica, um país rico e exuberante, ainda em processo de ''descobrimento''. Nomes de peso como Auguste de Saint-Hilaire, Jean-Baptiste Debret e Henry Koster estiveram no Brasil, produzindo os mais diversos trabalhos científicos e artísticos, publicados na Europa.

A cultura europeia, sobretudo a francesa, passou a ser assimilada pelas camadas mais abastadas do Rio de Janeiro. Centenas de navios, a maioria deles vindos da Europa, aportavam na cidade abastecidos de produtos refinados como louças, tecidos, livros, queijos e vinhos, destinados à mais nova clientela de hábitos e gostos europeus. O Rio de Janeiro tornou-se referência cultural para as demais cidades do país.

Aclamação do rei D. João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Em 1815, no Congresso de Viena, formado para restaurar as fronteiras da Europa após a queda de Napoleão,  o Brasil é elevado à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, ganhando mais autonomia e deixando oficialmente de ser colônia. A população do Rio de Janeiro dobrou de 50000 habitantes para 100000.

Chegou ao Brasil, em 1816, chefiada por Joachin Lebreton, a Missão Artística Francesa. Formada por Jean-Baptiste Debret, Nicolas-Antoine Taunay,  Auguste-Henri-Victor Grand-jean de Montigny e outros renomados pintores, escultores e arquitetos franceses, essa missão fundou a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, mais tarde transformada em Imperial Academia e Escola de Belas-Artes. A missão foi responsável pelo desenvolvimento artístico da colônia e o ensino acadêmico das artes. O Barroco deu lugar ao Neoclassicismo francês, visível nas pinturas, esculturas e construções da época.

A presença da Corte Portuguesa no Brasil provocou importantes mudanças políticas, econômicas e culturais, principalmente no Rio de Janeiro, cidade escolhida para ser sede da nobreza. Foram fundadas importantes instituições econômicas e culturais, muitas delas existentes até hoje; a cultura e as artes florescem a um nível nunca antes visto; a vida, mesmo que para uma pequena camada da sociedade, melhorou; e o país deixa de ser colônia e ganha autonomia política.


CRÉDITO DAS IMAGENS: 

http://imperiobrazil.blogspot.com.br/
commons.wikimedia.org

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