segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Um breve relato sobre a Primeira Guerra Mundial (II)

Soldados mortos em uma trincheira, 1914.

Bravos foram os soldados que lutaram por seus países durante a Guerra, independente do lado em que estavam. Muitos desses soldados, a maioria deles jovens, sabiam que não iriam retornar vivos do conflito. O relato a seguir é de Walter Limmer, morador de Leipzig, estudante de Direito e integrante do Exército da Alemanha, que pediu para seus pais, por meio de uma carta, que não esperassem por sua volta.

Como é partir para a guerra sabendo que você pode nunca mais voltar? Escrevi numa carta aos meus pais: "Seria uma boa coisa se vocês se acostumassem à idéia de que nunca mais verão a mim e a meus irmãos". Assim, se a má notícia vier mesmo, eles serão capazes de recebê-la com muito mais tranquilidade. E, se voltarmos para casa, poderemos aceitar essa alegria como algo inesperado, como um gracioso presente de Deus.
Como você consegue lidar de forma tão objetiva com a possibilidade de morrer na guerra?Acredite, estou sendo sincero. O assunto é sagrado demais para mim para que eu seja capaz de simplesmente inventar algumas frases sobre esse assunto.
Os outros soldados também pensam dessa forma? Essa é simplesmente a missão de cada um de nós. E esse sentimento é universal entre os soldados, especialmente desde a noite em que a declaração de guerra da Grã-Bretanha foi lida no quartel. Ninguém conseguiu dormir até as 3 horas da manhã. Estávamos tão cheios de animação, fúria e entusiasmo... É uma alegria partir para o front com esses camaradas. Nosso destino é a vitória!
E se a Alemanha perder? Nenhuma outra opção é possível diante de tamanha disposição para vencer. Devemos ter orgulho de viver nestes tempos e nesta nação. Para os alemães, mandar seus entes queridos para essa gloriosa luta é um privilégio.
Como estava o ânimo do pelotão na hora de embarcar? Nossa marcha à estação de trem foi uma experiência cativante e edificante. Uma marcha dessas costuma ser assombrada pelo peso de sua importância e perigo. Mas tanto os que estavam partindo como os que ficaram para trás estavam tomados pelos mesmos pensamentos e emoções. Havia tanto entusiasmo! O batalhão todo com capacetes e túnicas decorados com flores, lenços sendo agitados no ar, gritos e aplausos, e sempre a maravilhosa confiança dos soldados...
Muitos dos seus amigos não voltarão. É um preço justo a pagar por uma vitória militar? Este momento é tão único na vida de uma nação, é tão maravilhoso e emocionante, que oferece compensação suficiente para seus muitos sofrimentos e sacrifícios.
Pronto para morrer: O relato de um soldado alemão. Veja na História. Disponível em: http://veja.abril.com.br/historia/primeira-grande-guerra-mundial/1914-agosto-comeca-guerra/autorretrato-soldado-alemao-front.shtml. Acessado em 24 de novembro de 2014.

Walter Limmer nasceu em 22 de agosto de 1890. Sofreu um grave ferimento em 16 de setembro de 1914, em Chalons sur Marne, na França. Passou seus últimos dias em um hospital militar de Luxemburgo, vindo a falecer em 24 de setembro de 1914, aos 24 anos (WITKOP, Philipp. Kriegsbriefe deutscher Studenten, 1933).


CRÉDITO DA IMAGEM: http://historiaalternar.blogspot.com.br/

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