sábado, 31 de janeiro de 2015

História e Arte: Nossos vestígios

Pintura Rupestre em Altamira, na Espanha.

''O homem cria objetos não apenas para se servir utilitariamente deles, mas também para expressar seus sentimentos diante da vida e, mais ainda, para expressar sua visão do momento histórico em que vive'' – Graça Proença, em História da Arte.

Desde os tempos mais remotos, o homem desenvolveu objetos capazes de realizar proezas inimagináveis para sua condição. Criou armas para se defender; mecanismos capazes de levantar milhares de quilos; utensílios básicos para o dia a dia, etc. Além de facilitarem e prolongar sua vida, esses objetos 'dizem' muito sobre o período histórico em que foram criados. A peça que faz parte de um museu hoje foi o utensílio de um determinado povo ontem.

As primeiras pinturas feitas pelo homem, em cavernas como as de Altamira, na Espanha, e Lascaux, na França, que retratam cenas do cotidiano, principalmente a caçada a grandes animais, revelam o meio natural sob o qual viviam os nossos ancestrais. Feitas em um período anterior a escrita, esses primeiros artistas deixaram registrado, no que conhecemos por pinturas rupestres, seu dia a dia.

Os egípcios, um dos primeiros povos a criar uma escrita estruturada, baseada em símbolos conhecidos como hieróglifos, manifestaram suas crenças em construções como as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos; estatuetas representando deuses antropomorfos; tempos religiosos; e, principalmente, nos ricos objetos enterrados com seus mortos, evidenciando a forte crença em uma vida após a morte.

Na Grécia, as técnicas e os materiais tornavam-se refinados de acordo com a necessidade de cada época: pedra, mármore e bronze serviram para produzir esculturas que representavam o homem ao natural, sem qualquer ligação com aspectos religiosos. Era a razão surgida com os primeiros filósofos ocidentais influenciando as produções artísticas daquela civilização. Na arquitetura, as colunas dóricas e jônicas, criadas para sustentar templos dedicados aos principais deuses gregos, serviram e ainda servem de referência para muitos arquitetos.

A arte cristã permaneceu um bom tempo restrita às catacumbas onde os primeiros cristãos eram enterrados, durante o Império Romano. Nelas, pinturas realizadas por pessoas simples, sem qualquer instrução ou técnica especial, tinham motivos bíblicos e símbolos cristãos. Mais tarde, quando o Cristianismo se torna a religião oficial do Império, com forte ligação ao Estado, surgem grandes templos e técnicas artísticas mais apuradas, evidenciando a evolução religiosa daquela sociedade.

Durante a Idade Média, a Igreja Católica, a mais poderosa instituição da época, detinha todos os conhecimentos do mundo clássico. Dessa forma, passou a ditar a vida de reis, senhores de terra e servos. Igrejas, esculturas, templos e pinturas passaram a representar figuras sagradas de anjos, santos e, principalmente, de Jesus. O pensamento religioso de toda uma sociedade foi registrado por meio desses objetos.

As pinturas rupestres do homem pré histórico, os artefatos egípcios criados para fins religiosos, as técnicas refinadas dos gregos e a evolução da arte cristã, são exemplos de como a produção humana, ao longo dos séculos, serve de registro histórico sobre o passado. Os aparelhos modernos, meios de comunicação em massa e todos os objetos produzidos pelo homem de hoje, um dia acabarão em um museu, passando a servir de referência para as futuras gerações.


CRÉDITO DA IMAGEM: www.pinterest.com


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