domingo, 1 de fevereiro de 2015

Império Português: do Oriente à América

Mapa do Império Português, da conquista de Ceuta, em 1415, à devolução de Macau, em 1999.

Portugal, pequeno país da Península Ibérica, que hoje encontra-se acanhado devido a crise financeira que atingiu a Europa em 2008, já possuiu um vasto império colonial além-mar, que se estendia do Oriente à América. Primeiro Estado Moderno a se formar na Europa, ainda no século 12, Portugal despontou como pioneiro nos Descobrimentos marítimos, conquistando Ceuta, no norte da África, em 1415. Esse foi só o primeiro de muitos descobrimentos.

São descobertas, alguns anos mais tarde, as ilhas da Madeira (1418), Açores (1431) e as Canárias (1432). Nos anos que se seguiram, a Coroa Lusitana, em uma tríplice aliança com a Igreja Católica e a burguesia comercial, se fez presente em todos os continentes. Em 1434, o navegador Gil Eanes ultrapassa o Cabo Bojador, região estratégica para o início da colonização da África Ocidental.

Depois de conquistar Ceuta e de conseguir navegar o Cabo Bojador, a Coroa investiu na construção de feitorias ao longo do litoral africano. Mais tarde, em 1444, Dinis Dias descobre o Cabo Verde. É nessa época também que se inicia o tráfico de escravos africanos. O interior do continente seria penetrado a partir de 1488, com a navegação do Cabo da Boa Esperança, porta de entrada para a África Oriental.

Em 1498, o navegador Vasco da Gama chega a Calicute, na Índia, centro comercial de especiarias e produtos refinados, dando início a presença portuguesa na Ásia. Em pouco tempo, os portugueses atingiram Cochim e Macau, na China; Ceilão, atual Sri Lanka; Ormuz, no Golfo Pérsico; Barein, no Oriente; Malaca, na Malásia; Molucas, na Indonésia; Japão; e tantos outros territórios asiáticos.

A mais importante colônia de Portugal, o Brasil, foi criada em 1500. Os investimentos lusos no comércio de especiarias na Ásia e na África deixaram o território brasileiro em segundo plano. Na nova possessão não foram encontradas de imediato riquezas como ouro e prata, mas existia uma madeira conhecida como pau-brasil, que produzia um ótimo corante vermelho. Por mais de 30 anos a presença portuguesa no Brasil se restringiu apenas ao recolhimento dessa madeira, negociada com os índios.

Quando corsários ingleses, franceses e holandeses começaram a rondar o Brasil, em busca de criar uma colônia, como fizeram os franceses com a França Antártica, ou de comerciar o pau-brasil com os nativos; e o comércio de especiarias na Ásia e na África sendo ameaçado pelos mesmos; Portugal tratou de colonizar o território, entregando grandes faixas de terras litorâneas na mão de particulares, criando as conhecidas Capitanias Hereditárias.

Nos séculos 17 e 18, as plantações de cana-de-açúcar do Nordeste e as descobertas de ouro e diamantes nas regiões Sudeste e Centro-Oeste fizeram a riqueza da elite colonial brasileira e do Reino de Portugal. O extenso Império Colonial Português começou a se esfacelar entre os séculos 16 e 17. Durante a União Ibérica, com Portugal sob o domínio Espanhol, várias possessões lusas foram tomadas por holandeses (inimigos dos espanhóis) e retomadas por outros povos, como os japoneses, que a partir de 1641 expulsaram os portugueses de seu país e cortaram relações com o resto do mundo.

Portugal perde o Brasil em 1822, quando este se torna independente, ironicamente pelas mãos de um monarca português, D. Pedro I. Restaram à Portugal apenas algumas possessões na África (Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau); na Ásia (Damão, Diu, Goa, Macau e Timor-Leste); e as ilhas de Madeira e Açores. Durante a Conferência de Berlim, realizada entre as potências imperialistas para repartir a África, em 1884-85, Portugal apresentou o Mapa Cor-de-Rosa, área geográfica que englobaria Moçambique, Rodésia do Sul (Zimbábue), Rodésia do Norte (Zâmbia) e Angola.

Portugal pretendia expandir seus domínios para o interior do continente, mas foi barrado pela ambição da Grã-Bretanha e do empresário britânico Cecil Rhodes e seu megaempreendimento de construir uma ferrovia que ligaria a cidade do Cabo, na África do Sul, até Cairo, no Egito. A ferrovia passaria por Zimbábue e Zâmbia. Portugal, pressionado pela Grã-Bretanha, desiste do interior da África, ficando apenas com Angola e Moçambique.

A Ditadura Salazarista é marcada por guerras de independência nas últimas possessões africanas e asiáticas. Em 1973, Guiné-Bissau declara-se independente, ganhando o reconhecimento em 1974; Em 1975, é a vez de Angola, Moçambique e Timor-Leste; os territórios do antigo Estado Indiano (Goa, Diu e Damão) são invadidos pelo Exército Indiano em 1961, sendo reconhecidos e anexados à Índia no mesmo ano. O Império Colonial Português dava seus últimos suspiros.

No final do século 20, o último resquício do vasto império desaparece com a devolução da pequena ilha de Macau à China, em 1999. Acabava, assim, um vasto império colonial com quase 600 anos de existência, que se estendia do Oriente à América, o primeiro do mundo moderno, construído por um pequeno país com uma enorme sede de conquista. A língua portuguesa; as mazelas sociais deixadas pela escravidão africana; as instituições políticas e religiosas (ambas nem sempre eficientes), são as heranças deixadas para as antigas possessões coloniais.



CRÉDITO DA IMAGEM: revistapesquisa.fapesp.br

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