sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Palacete Miranda Corrêa (completo)

Praça do Congresso em 1959, com destaque para o Palacete Miranda Corrêa (perto do Teatro Amazonas).

Quem hoje vê a Praça do Congresso, localizada no final da Avenida Eduardo Ribeiro, restaurada e reinaugurada pela Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas no final do ano de 2012, talvez não saiba que nela existiu, até a década de 1970, um dos prédios mais bonitos e suntuosos de Manaus: o Palacete Miranda Corrêa.

No início do século 20, a Amazônia vivia um período de crescimento econômico e demográfico, proporcionado pelo lucrativo comércio da borracha, matéria-prima largamente utilizada nas indústrias da América do Norte e da Europa; e pela implantação de capital estrangeiro nas cidades de Belém e Manaus. Muitas famílias fizeram fortuna nessa época. A família Miranda Corrêa, originária do Pará, foi uma delas.

Os membros da família Miranda Corrêa eram numerosos. Os irmãos eram: Luiz Maximino de Miranda Corrêa, Antônio Carlos de Miranda Corrêa, Deoclécio de Miranda Corrêa, Carolino de Miranda Corrêa, Adelino de Miranda Corrêa, Altino de Miranda Corrêa, Acrisio Fúlvio de Miranda Corrêa, Joana de Miranda Corrêa, Sinhá Sussuarana de Miranda Corrêa; e tantos outros, espalhados entre o Pará, Maranhão e Amazonas. Todos bem sucedidos, ocupando funções que iam desde médico a advogado.

Famosos pela construção da ''Fábrica de Gelo Cristal'' e a "Casa de Chopps'', em 1903; da ''Cervejaria Amazonense'' em 1905; e do moderníssimo Castelo da Cervejaria Miranda Corrêa, entre 1910 e 1912, onde foi instalado o primeiro elevador da cidade, existente até os dias de hoje no bairro da Aparecida; os Miranda Corrêa adquiriram de um rico comerciante português o prédio que mais tarde ficaria conhecido como Palacete Miranda Corrêa.

A residência tinha um estilo arquitetônico especial, inspirado nas construções do arquiteto francês Jules Hardouin Mansart, famoso pela construção, no século 17, de várias mansões para o monarca francês Luís XIV, o ''Rei Sol''. ''O palacete possuía dois andares, porão alto e sótão mansardo'', característica que o tornava único na cidade, segundo conta Luiz de Miranda Corrêa, neto de Luiz Maximino de Miranda Corrêa, em seu Roteiro Histórico e Sentimental da Cidade do Rio Negro.

Em seu interior, a decoração era feita com móveis, lustres e objetos de arte franceses e ingleses. Em suas salas, famosas pelas grandes festas de mesa farta e música clássica, existiam 4 pianos importados da Alemanha e da Inglaterra, dois Blutner, um Beckstein e um Cramer, utilizados pelos visitantes ou pelo próprio Luiz Maximino, que além de empresário era pianista e compositor. Quando da demolição do prédio, os móveis, porcelanas, objetos de arte etc, foram repartidos entre seus descendentes, e alguns foram vendidos para colecionadores e antiquários de Manaus ou do Rio de Janeiro por exemplo. Ficava na esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a rua Monsenhor Coutinho.

A demolição do palacete em 1971, para a construção de um edifício de gosto duvidoso, que ironicamente recebe o nome de um dos descendentes dessa família, deixou um vazio sem igual para a cidade e a Praça do Congresso, onde ele fazia um harmonioso conjunto arquitetônico com o Departamento de Saúde do Estado (demolido em 1969) e o Ideal Clube (de pé até os dias de hoje). A mixórdia de falta de afeição pelo local e a insensibilidade dos governantes da época, ávidos por integrar a Amazônia ao mundo moderno, deixaram uma lacuna na história da cidade, lacuna essa que aumentou, mais tarde, com a demolição do Cine Guarany, em 1984, e que continua aumentando com a constante descaracterização do Centro Histórico.



CRÉDITO DA IMAGEM: Manaus Sorriso

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