quarta-feira, 8 de abril de 2015

Norte e Sul dos Estados Unidos: As diferenças que levaram à Guerra Civil Americana

Mapa representando os Estados Unidos na época da Guerra Civil (1861-1865).


Nos Estados Unidos, mais exatamente na segunda metade do século 19, as regiões Norte e Sul do país entraram em um conflito conhecido como Guerra da Secessão, assunto que já foi aqui abordado. No decorrer desse texto, vamos entender como as diferenças entre essas duas regiões se tornaram tão acentuadas a ponto de gerar uma guerra civil de proporções assustadoras.

A região Norte, mais precisamente na área conhecida como Nova Inglaterra, que inclui os Estados de Maine, Connecticut, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Rhode Island; era um polo econômico industrial e mercantil, que utilizava a mão de obra assalariada dos milhares de imigrantes europeus que passaram a procurar melhores condições de trabalho no país. O desenvolvimento industrial serviu como uma alternativa a produção agrícola, pois o clima frio da região impedia o desenvolvimento de qualquer atividade voltada ao cultivo de terra.

O Sul, formado pelos Estados do Missouri, Tennessee, Texas, Virgínia, Alabama, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Kentucky e Kansas; era um tradicional polo agrícola formado por várias propriedades rurais, onde eram produzidos arroz, tabaco, anil, fumo e a principal fonte de riqueza da região, o algodão. A mão de obra empregada nessas propriedades era escrava africana, e o clima, meridional, permitia a produção de gêneros agrícolas em larga escala.

Até um dado momento, essas duas regiões se complementavam: O Norte vendia para Sul seus produtos manufaturados; e o Sul vendia para o norte suas matérias-primas, em especial o algodão. As diferenças de interesses começaram a aparecer na década de 1820, quando os Estados do Norte passaram a exigir maiores taxas alfandegárias para proteger seus mercados da concorrência estrangeiras. O Sul, que comprava os produtos do Norte, era forte opositor dessa ideia, pois ela aumentaria o preço dessas mercadorias.

Para poder escoar sua produção manufatureira, o Norte precisava da construção de canais e de estradas de ferro. Por serem obras vultosas, o governo federal arcaria com todos os custos. O Sul, mais uma vez, se opôs, afirmando que tais melhorias beneficiariam apenas uma região.

O fator mais evidenciado pelos historiadores como causa da Guerra Civil é a escravidão. Pois bem, vamos entender essa questão. Como foi dito no início, o Norte era industrial e o Sul agrícola e escravocrata. O Norte não era necessariamente contra a escravidão, apenas não queria sua expansão para os Estados do Oeste. A criação de novas propriedades agrícolas escravistas no Oeste representaria, além da valorização do comércio de escravos, o fortalecimento do Sul no Congresso Americano. A partir de agora, vamos nos situar, a partir de 1822, nos principais acontecimentos que culminaram na guerra.

Em 1822, o Missourí, região escravocrata, foi elevada a categoria de Estado, fortalecendo a representatividade do Sul no Congresso. O Norte se opôs ferozmente. Para acalmar os ânimos, foi criado o Compromisso do Missouri, que estabelecia os seguintes parâmetros: A partir daquela data, foi criado o Estado do Maine, Baseado no trabalho livre; Os futuros Estados passariam a ser criados em pares (um escravista e outro livre); e, no paralelo 36° 30', a Norte, seria proibida a criação de Estados escravagistas.

Essa medida conseguiu evitar maiores conflitos até 1832, quando a Carolina do Sul ameaçou separar-se da União por causa das taxas alfandegárias do Norte. Logo após a guerra contra o México, em 1848, os Estados Unidos anexaram a Califórnia a União (1849-1850), e esta declarou-se um Estado livre. Isso aumentou as tensões no Congresso, pois contribuiu para o fortalecimento dos industriários do Norte. Nessa mesma época surgiu no Norte o Partido do Solo Livre, que lutava contra a expansão da escravidão no país.

Em 1854, o senador Stephen Douglas, de Illinois, criou o Kansas-Nebrasca Act, que dava origem aos territórios do Kansas e de Nebraska. De acordo com o ato, a população seria soberana na decisão da implantação do trabalho livre ou do trabalho escravo nesses territórios. Essa foi uma boa articulação em favor do Sul, pois os territórios do Kansas e de Nebraska estavam foram do paralelo do Compromisso do Missouri, o que poderia causar a escolha da escravidão como modelo econômico. No entanto, a maioria da população do Kansas era contra a escravidão, o que acabou gerando conflitos armados com o Estado vizinho, Missouri, favorável a escravidão.

Nas eleições presidenciais de 1860, ficou evidente que um conflito armado, maior e pior que o do Kansas, aconteceria. O Sul lançou o candidato Jefferson Davis, Democrata, que tinha propostas como a subordinação da União à autonomia dos Estados e a continuidade da escravidão. O Norte lançou o Republicano Abraham Lincoln, defensor das tarifas alfandegárias e contra a escravidão, com exceção nos Estados onde esta se fazia presente.

Lincoln venceu as eleições, e a Carolina do Sul, em oposição, declarou-se dissolvida dos Estados Unidos. Mais tarde, outros Estados sulistas (Alabama, Mississípi, Geórgia, Flórida e Louisiana) desligaram-se do país. Em 1861 esses estados uniram-se e criaram a Confederação dos Estados Unidos, com Jefferson Davis eleito como presidente. Mais tarde, juntaram-se a Confederação os Estados do Arkansas, Tennessee, Virgínia, Carolina do Norte e Texas.

Após vários acordos políticos, tentativas de reconciliação e alguns conflitos armados, assim ficou os Estados Unidos: dividido entre os Estados Confederados do Sul, formados pelos Estados da Carolina do Sul, Carolina do Norte, Alabama, Mississípi, Geórgia, Flórida, Louisiana, Arkansas, Tennesse, Virgínia e Texas, opositores do governo de Abraham Lincoln e favoráveis a expansão e manutenção da escravidão; e a União, formada por 23 Estados, incluindo a Virgínia Ocidental, que separou da Virgínia.



FONTES: CAMPOS, Raymundo Carlos Bandeira. História da América. Campos - 2° ed. - São Paulo: Atual, 1991.

AMEUR, Farid. La Guerre de Sécession. Tradução: Denise Bottmann - Porto Alegre, RS: L&PM, 2013.


CRÉDITO DA IMAGEM: www.klepsidra.net




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