terça-feira, 28 de julho de 2015

A Abdicação de Dom Pedro I

A Abdicação do primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro I. Quadro de 1911.

O governo exercido por Dom Pedro I foi marcado por conflitos, crises internas e externas. Em 1823, o monarca dissolveu a Assembleia Constituinte, reunida para cuidar da elaboração da primeira Constituição do país. O motivo foi a limitação de seus poderes. Em 1824, Dom Pedro outorgou a nova Constituição que, entre outras coisas, lhe dava poderes absolutos, pois este poderia interferir nos outros três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). 

Em julho do mesmo ano, é deflagrada no Nordeste a Confederação do Equador. Os grandes proprietários da região estavam enfrentando as quedas das exportações de açúcar, e as camadas mais baixas da sociedade enfrentavam a miséria. A nomeação de um presidente que não agradava os políticos da Província de Pernambuco foi o estopim para a Confederação. As elites e as camadas mais baixas uniram-se em torno de ideias como a criação de um Estado formado pelas províncias nordestinas, sob o regime republicano e federalista, com a autonomia de cada uma preservada. A esquadra do corsário inglês Lorde Cochrane, contratada por Dom Pedro, e as forças imperiais brasileiras, esmagaram a revolta. 

O território que atualmente corresponde ao Uruguai foi no passado a colônia de Sacramento, fundada por portugueses e colonizada por espanhóis. De acordo com o Tratado de Santo Ildefonso (1777), a colônia se tornou possessão espanhola. Em 1816, as tropas de Dom João VI invadiram a região e, em 1817, foi anexada ao Império Português com o nome de Província Cisplatina. Em 1825, os habitantes da Cisplatina criaram um movimento de independência, que teve o apoio da Argentina, interessada no potencial econômico da região. Com isso, o Brasil declarou guerra à Argentina e Cisplatina. Para financiar os combates Dom Pedro aumentou impostos e contraiu empréstimos. A Guerra terminou em 1828, sem vencedores e com o reconhecimento da independência da província Cisplatina, que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.

Quando Dom João VI retornou a Portugal, em 1821, levou consigo enormes quantidades de ouro do Banco do Brasil, o que contribuiria, mais tarde, para a liquidação da instituição. Na tentativa de contornar o rombo financeiro deixado por seu pai, Dom Pedro ordenou a emissão de papel-moeda, que se tornou excessiva e acabou desvalorizando a moeda e elevando o preço dos produtos. Quando a crise financeira se tornou insustentável, foi necessária a liquidação do Banco do Brasil, realizada por lei de 23 de setembro de 1829.

A morte de Líbero Badarò, jornalista, político liberal e médico italiano radicado no Brasil, e forte opositor do governo Dom Pedro I, inflamou os ânimos já exaltados da oposição, que passou a organizar protestos contra o monarca. Em vista a Minas Gerais, na tentativa de apaziguar as tensões políticas, o imperador é recebido sob protestos. Voltando à sede do Império, no Rio de Janeiro, o Partido Português organizou uma festa de recepção e apoio ao imperador. O evento, realizado na noite de 13 de março de 1831, culminou no enfrentamento entre portugueses favoráveis à Monarquia e brasileiros opositores, que utilizaram como armas garrafas e pedaços de pau. Esse conflito ficou conhecido como a Noite das Garrafadas.

Em uma tentativa de conciliar os interesses políticos, Dom Pedro criou o Ministério dos Brasileiros, formado por brasileiros natos. O novo Ministério não acatava totalmente as ordens do Imperador, e este tratou logo de criar um novo, intitulado Ministério dos Marqueses, formados pelos marqueses de Paranaguá, Aracati, Baependi e Inhambupe, além do Visconde de Alcântara. A formação de um ministério composto por "nobres"gerou o descontentamento da população, dos liberais, dos grandes proprietários e até das tropas imperiais.

Dom Pedro I, sem o auxílio de suas tropas, com uma forte oposição e o descontentamento dos principais setores da sociedade, abdica o trono do Império do Brasil em favor de seu filho, Pedro de Alcântara, em 7 de abril de 1831. O futuro Dom Pedro II tinha no ano da abdicação apenas 5 anos. Após a abdicação, diferentes grupos políticos surgiram e passaram a se articular para chegar ao poder. Falarei sobre eles em outro texto.


CRÉDITO DA IMAGEM: commons.wikimedia.org






terça-feira, 14 de julho de 2015

O Modo de Produção Asiático

Lavoura – Pintura na tumba de Sennedjem.

O Modo de Produção Asiático, termo cunhado por Karl Marx, refere-se ao modo de produção das sociedades do Antigo Oriente Próximo. Temos aí civilizações que floresceram na região do Mar Mediterrâneo e também entre os rios Tigre e Eufrates. O Egito e a Mesopotâmia são os exemplos mais clássicos. O período em que se observa esse modo de produção vai de 4000 a.C. a 3.500 a. C.

Nessa época, o homem, graças ao domínio da agricultura e de outras técnicas de trabalho, já havia passado do nomadismo para o sedentarismo, fixando-se permanentemente em uma região, geralmente próximo à um rio, criando aglomerados urbanos que mais tarde deram origem às cidades-estados.

A economia dessas civilizações era predominantemente agrária. As terras cultivadas pertenciam ao Estado, representado pela figura de um monarca, considerado representante divino na terra. Esse monarca passou a dominar as terras por meio da força. Para poder exercerem suas atividades, os agricultores entregavam ao monarca tributos, formados pelo excedente da produção agrícola. Esse excedente era então dividido entre a nobreza, funcionários de alta patente e sacerdotes.

Esses agricultores estavam em um regime de servidão coletiva, pois para tirar seu sustento da terra, deveria submeter-se ao pagamento dessa "taxa". Além desses tributos, esses trabalhadores também eram deslocados para a construção de canais e irrigação e monumentos.

Antes de se tornar sedentário e mais complexo, o homem vivia em comunidades tribais divididas em caçadores (homens) e coletores (mulheres), onde os alimentos adquiridos eram distribuídos de forma igualitária entre os componentes da comunidade.

No Modo de Produção Asiático, temos grandes comunidades agrícolas sedentárias submetidas à um poder centralizador, o monarca (Estado), que se apropria do excedente de produção - Despotismo Oriental -  e marcada pela divisão social entre dominadores e dominados. Além da força e da religião, o Estado utilizava como instrumento de dominação a escrita, destinada à um pequeno grupo de funcionários públicos que controlavam a produção e recolhiam os tributos.

O nome "Modo de Produção Asiático" é uma referência à observação feita por Karl Marx, que registrou que, em alguns países da Ásia do século XIX, ainda existia uma economia dominada por um chefe tribal, em oposição ao liberalismo econômico da Europa.

Em síntese, podemos entender o Modo de Produção Asiático como uma forma de economia do Antigo Mundo Oriental marcada por forte intervenção estatal, quase inexistência de propriedade privada e pelo surgimento das divisões de classes.


CRÉDITO DA IMAGEM: antigoegito.org



quarta-feira, 8 de julho de 2015

A Redenção de Cam

A Redenção de Cam, Modesto Brocos, 1895.


A avó, negra, agradece aos céus pelo neto ter nascido branco. Seu pai, branco, está sentado à porta. A mãe, mulata, segura a criança. Mas por quê a avó agradece? Seu neto não irá sofrer na pele o que seus antepassados africanos sofreram, como a escravidão e a marginalização.

O nome do quadro:

Cam, filho mais novo de Noé, foi amaldiçoado pelo pai após ter lhe visto nu: 

Gênesis 9.21–25:
Bebendo do vinho, embriagou-se [Noé] e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço. Então disse: “Maldito seja [ou “será”] Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos”. (de Voltemos Ao Evangelho)

De acordo com a Tabela das Nações, os povos eram descendentes da família de Noé, e assim estavam divididos - Europeus (Jafé), Africanos (Cam) e Árabes/asiáticos (Sem).

A criança que nasceu está livre da maldição de Cam e seus descendentes.


CRÉDITO DA IMAGEM: wikimedia

sábado, 4 de julho de 2015

O que diferencia a História das demais Ciências Humanas?



Essa foi uma das perguntas da prova de Teoria da História, matéria lecionada pelo prof Almir de Carvalho Júnior. É uma pergunta interessante, se levarmos em conta que no centro das Humanidades, está o homem. Compartilho aqui com vocês a minha resposta.

Primeiro, devemos tomar conhecimento de que cada campo disciplinar possui sua singularidade, isto é, um aspecto que lhe torna único. O Direito, por exemplo, estuda o funcionamento das leis em sociedade. Essa é a singularidade desse campo. O objeto de estudo do Direito são as leis.

A História como ciência tem por objeto de estudo o homem. O sujeito é, ao mesmo tempo, objeto de estudo. Mas outras Ciências Humanas, como a Antropologia e a Sociologia, também possuem o mesmo objeto de estudo.

O que torna a História diferente das demais Ciências Humanas é a forma como esta explora e analisa seu objeto: A História estuda as ações do homem no tempo, utilizando como fontes os vestígios por ele deixado - materiais, imateriais etc; e utiliza para a construção de seu discurso um variado arcabouço de Teorias.

O que diferencia, enfim, a História das demais Ciências Humanas, é o pano de fundo em que seu objeto de estudo (o homem) está inserido, nesse caso, o Tempo.

Um dos livros lidos para a realização da prova e que também recomendo é: Teoria da História - princípios e conceitos fundamentais (Vol. 1), de José D' Assunção Barros.


CRÉDITO DA IMAGEM: curiososlinks.com.br